“Para os poetas,
os filósofos e os santos,
tudo é fraterno e sagrado.
Todos os acontecimentos são úteis,
todos os dias são santos,
todos os homens são divinos”.
Ralph Waldo Emerson
Perturba-nos o fato
de que todas as pessoas
são portadoras
da capacidade espiritual,
e tão poucas praticam religião.
Os que estão dentro
da Igreja organizada,
pensam e falam,
sobre os outros,
que estão fora.
Os que estão fora
dos muros
e dos conceitos
da Igreja organizada
também pensam e falam
das beatas e dos fanáticos.
E somos todos iguais.
Somos todos
filhos do mesmo Deus.
Todos somos irmãos.
Com religião
ou sem religião,
não somos discriminados
por Deus, que é Pai, Pai de todos.
Existem quantas e tantas religiões,
cada uma com suas características,
com seus credos,
suas crenças,
todas preconceituosas,
quando tentam impor
e conquistar adeptos
a partir de um conceito mental
sobre Deus.
Divisões existem,
preconceitos existem,
discriminações existem,
mas são frutos da mente humana.
Toda e qualquer religião
que não tenha por bandeira
um Deus Uno e Trino,
que não conduza à unidade do ser,
das pessoas,
e das nações,
não é religião,
é sistema organizado,
de exploração,
do desconhecimento,
da nossa própria natureza.
Toda Religião
que se mantém através de ameaças,
pedagogia do medo e de castigos,
recompensas e prêmios,
e cobra por seus serviços,
não é autêntica.
Convém perceber,
a necessidade,
de mais estudo,
sobre a espiritualidade,
que nos transcende,
e eleva para níveis superiores,
de tolerância,
compreensão e doação,
e que é comum a toda pessoa.
E sobre religião,
que limita,
que explora,
que escraviza.
Se a prática da religião,
não atende,
à fome de transcendência,
e não desperta
para as descobertas dos princípios,
das razões e motivações,
em busca do ideal de unidade,
a religião se torna,
criadora de divisões,
preconceitos e desequilíbrios.
O que não se encaixa
dentro da experiência
da espiritualidade,
cai nas malhas da religião,
que nos sobrecarrega
de pesos desnecessários,
e explora a nossa ignorância.
Parece que existem fortes diferenças
entre a vivência da espiritualidade
inerente ao ser,
e a prática da religião,
imposições para fazer.
É essa visão
que queremos clarear
para que a verdade
e a liberdade
acompanhem nossos passos
numa ou na outra forma
de viver a vida.
Quantas pessoas,
sensíveis à sua alma,
estão desiludidas
com a religião organizada.
Por favor,
não julgue antes de ler
até o final este texto.
Não estou criticando
os valores corretos
do Cristianismo.
Estamos falando
da religião
de modo geral.
Eu poderia perguntar:
de que lado você está,
enquanto está lendo este texto?
Não posso correr o risco de,
desde o início,
colocar-me do lado de lá
ou do lado de cá. Nem você.
Estamos em cima do muro,
como observadores.
Tanto eu quanto você.
A pergunta certa é:
Porque não existe unidade?
Porque dividimos?
Porque separamos?
Quando não cuidamos da nossa alma,
quando não percebemos seus anseios,
nos adaptamos a uma vida sem sentido,
achando que é natural viver assim.
Mas não é.
Vivemos
sem
prestar atenção
à
nossa alma.
Vivemos
só na periferia da vida,
na
superfície.
A
sociedade
não
valoriza nada
que
seja sagrado.
Aí,
as pessoas viram objetos,
destituídas
de dignidade,
de
sacralidade,
desligadas
da
fonte original dos valores,
do
Deus Criador.
E
assim,
muitos
vivem a vida,
destituída
de qualquer transcendência.
Sem
religião a vida é vivida
apenas
na dimensão de horizontalidade.
Nada
de profundidade,
nada
de verticalidade.
Nada
tem sentido.
Tudo
é banalidade.
O sagrado,
alimento da alma,
pode estar aí por perto,
na natureza,
nas pessoas,
em si mesmo.
Se a alma está comigo,
onde eu for,
onde eu estiver,
é o lugar para nutri-la.
Não existe um lugar adequado
para alimentar a alma.
O mundo,
o universo,
minha casa,
meu quarto,
o jardim,
o parque,
a rua,
é o lugar
para amamentar
a alma.
Onde estivermos,
ali está a alma.
Se tudo foi criado por Deus,
tudo é sagrado,
todas as pessoas
são santas.
O sagrado
está em mim.
Está ao meu redor.
Ninguém pode impedir
de que seja assim,
porque senão,
tudo é profano,
destituído de significado,
e nada precisa ser respeitado,
tudo por ser usado,
desprezado e descartado.
Então,
tudo é sagrado.
Cada pessoa
é um sacerdote.
Tem o poder de santificar,
onde pisa, o que fala e o que faz.
O pão e o vinho,
a comida e a bebida,
tudo fortalece,
eleva e dignifica.
“O sagrado
é a eterna fonte
a partir da qual
a alma
retira sua energia
e força”.
David N. Elkins
“O sagrado
encontra a pessoa
num nível profundo
despertando-lhe
fortes emoções”.
Rudolph Otto.
“A paixão
é o fogo da alma,
mas a fonte última
dessa energia
é o sagrado.
Se sua paixão
morreu,
se o fogo da alma
se apagou,
a solução consiste
em reconectar-se
ao sagrado
e reacender sua alma
com sua poderosa energia”.
Rudolph Otto.
Eneas Paulo Budel Bogucheski
Criado em 11/09/2018
Publicado no Blog Heipo’s World
e no FACE em 11/09/2018

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