Nesta
noite tive um sonho.
Sonhei
que
estava numa sala de aula,
uns
cinquenta alunos,
um
professor de matemática,
aquele,
dos meus tempos de infância,
hoje
velhinho, porém, no sonho,
tanto
ele, como nós, os alunos,
com
a mesma fisionomia
dos
tempos de adolescentes.
Nós,
os alunos de ontem,
no
sonho, mais sérios,
compenetrados,
responsáveis,
buscadores.
O
professor
entregou
para cada um,
um
livro grosso,
uma
folha em branco
e
pediu que abríssemos o livro
na
página tal,
e
fizéssemos um resumo
dos
sete capítulos
que
ali estavam.
Lá
nas páginas que o professor indicou,
começava
um livro com muitos capítulos.
Entre
os alunos
acontecia
um clima de mal-estar,
expressões
de não gostar
do
que estava sendo pedido.
Os
ruídos
foram
reduzindo-se.
Os
alunos
começaram
a ler o texto.
Alguns,
se
mexiam,
incomodados,
resistindo.
Outros,
envolveram-se
imediatamente
na
leitura,
mas
percebia-se um clima tenso.
O
professor,
como
se estivesse em dia de prova,
circulava
pela sala,
observando
cada um,
com
ar de expectativas e,
parecia
muito tranquilo.
Eu
demorei
para
iniciar o envolvimento
com
a tarefa.
Minha
primeira reação
foi
de resistência,
por
não compreender,
de
cara,
a
intenção do professor.
Depois,
foi a confusão
em
que me sentia envolvido.
O
que tinha em mente,
um
professor de matemática,
vir
nessa aula,
pedir
um resumo
de
um livro que nada tinha a ver,
com
matemática?
Não
tinha nexo nenhum.
Mesmo
em sonho,
me
posicionava crítico,
na
defesa.
Lentamente
fui me soltando,
relaxando
e aceitando
aquilo
que se apresentava
naquele
momento.
Mesmo
não entendendo,
me
vi envolvido, lendo,
quieto,
compenetrado.
Aí
surgiu,
no
sonho,
um
problema.
Identifiquei
o grosso livro,
como
uma Bíblia.
Acontece
que
dentro
da Bíblia
existem
vários livros.
O
livro não tinha título,
e
tinha muitos capítulos.
O
professor solicitou aos alunos,
fazer
um resumo
dos
primeiros sete capítulos.
Olhei
para os lados,
para
frente e para traz.
Alguns
alunos
estavam
apenas lendo.
Outros,
liam e escreviam.
Eu
ainda não tinha nem começado,
e
o fim da aula se aproximava.
E,
no sonho,
que
sufoco sentia,
pois
não via,
não
conseguia perceber
qual
o tema,
de
que assunto tratava.
O
professor continuava ali,
como
no início,
sereno,
calmo,
circulando,
entre
as fileiras,
prestando
atenção paternal,
em
cada aluno.
Parecia
que ele não esperava
resultado
nenhum,
mas
simplesmente,
observar
a
ação
e
reação
de
cada aluno.
O
sinal bateu.
O
tempo desta aula acabou.
O
professor
simplesmente
saiu da sala
em
silêncio,
sem
fazer nenhuma observação
e
sem pedir nada.
Acho
que,
na
próxima aula,
ele
vai querer comentar
o
que pensamos,
o
que sentimos
e
o que fizemos.
Acho
que vai pedir.
Acho
bom
terminar
essa tarefa
em
casa.
Então,
aquela
aula,
na
sala,
no
colégio,
tinha
apenas começado.
A
aula continuaria,
lá
fora,
estendendo-se
até o próximo encontro,
ou
até que o professor volte,
e
toque no assunto.
O sonho acabou.
Acordei.
Comentei com minha
esposa,
tudo o que lembrei.
Tentei interpretar.
Sete capítulos,
sete dias levou o
mundo
para ser feito.
Qual o conteúdo
dos sete capítulos
do Livro?
Do que se tratava?
Acho que o conteúdo
é a própria vida.
A aula
começou naquele dia
em que comecei a
aprender,
a escutar, a obedecer,
a envolver-me.
A aula
não terminou com o
sinal,
com o horário,
com aquele tempo
de infância,
de aluno.
As aulas
continuam na vida.
O professor,
circulando,
calmo, sereno,
olhar bondoso,
leve sorriso de
incentivo,
como quem olha
sem cobrar resultados,
quem será?
E o tema a ser lido,
estudado,
do que tratava?
Na altura,
na idade em que me
encontro,
qual leitura
deveria ter feito,
naquela infância,
nesta velhice?
Ajudem-me a interpretar
e a terminar meu
sonho.
Eneas
Paulo Budel Bogucheski
Criado
em 20/11/2018

Muito bem Senhor Enéas...Douglas Pieroni.
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