sexta-feira, 1 de novembro de 2019

690.- Semente. Dentro da casca, a semente sobrenatural



Em todas as criaturas
existe um princípio de bondade,
como a força da semente,
uma energia interna,
que deseja explodir,
sair,
viver para sempre.

Dentro do velho
existem também possibilidades.

A árvore velha,
por mais velha que seja,
produz frutos e sementes.

A semente guarda dentro de si
uma nova maneira de ser,
diferente da que aparenta.

Dentro de um casulo
está em evolução
uma borboleta.

Se a semente 
ao explodir,
encontrar 
um pouco de umidade,
potencialmente,
tem a força
de revelar
nova criatura.

A semente,
parece morta,
parece seca.

Ao explodir,
revela vida,
vida escondida,
vida diferente.

A natureza
dos insetos
assim nos mostra.

A natureza
das coisas do campo
e da lavoura
ou da agricultura
também assim nos atestam.

Fazer a transposição
para o reino humano,
com o auxílio
destas comparações,
e lições,
podem servir
como ponto de partida
para algumas conclusões.

Pensei
no meu pobre jeito
de ser gente,
macambuso,
e rabugento.

Muitas vezes,
diminuindo meu potencial,
secando-me como semente,
como repolho me fechando,
diminuindo o alcance
do meu visual,
reduzindo,
a quase nada
a potência infinita
que sou.

Que poder redutor
tem a rotina.

Que poder extravagante
tem a acomodação
e a preguiça.

No dia-a-dia da minha vida,
lavrador que fui e que sou,
na horta da vida
só cultivo pepinos,
abóboras
e ervas daninhas.

Moranguinhos,
ameixas e frutas gostosas,
raramente colho,
porque quase não as semeio
e não as cultivo,
pois exigem muito
da minha natureza
acomodada.

Mas que burrice,
meus amigos!

Se tenho o terreno
à minha mão,
se tenho as ferramentas,
as sementes
das boas frutas,
para que guarda-las,
e no pote da prateleira estocá-las?

Não são exatamente estes produtos
que o mercado mais procura?

Passa inverno, passa verão,
passa rapidamente a primavera,
a estupenda primavera!
e os outonos também.

E eu aqui de novo
a cultivar erva daninha,
pepinos e repolhos.

Perdendo tempo precioso.

Acomodando
e estocando energias.

Enterrando talentos
sem nada fazer.

A omissão
me desclassifica
como operário

O despertador toca.

O relógio do tempo
convida a levantar.

Se dentro de mim
existe uma semente
de eternidade,
sou potencial herdeiro
de promessas.

Não quero,
não devo,
não posso ficar na casca e na superfície,
lustrando e guardando aparências,
que não encontram eco
naqueles que esperam de mim
um homem refeito,
diferente.

Um homem novo
está agitando aqui dentro;
querendo sair,
manifestar-se.

Um ser especial
hei de fazer brotar,
nem que algo tenha
de morrer.

De dentro do velho homem
hei de explodir, ressuscitar,
qual broto
que da casca sai,
e de um novo jeito,
transcendente,
aparece
aqui, ali,
ou em qualquer outro lugar.


Eneas Paulo Budel Bogucheski
Criado em 14/08/2015
Atualizado em 01/11/2019
eneaspb@gmail.com 

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