Em
todas as criaturas
existe
um princípio de bondade,
como
a força da semente,
uma
energia interna,
que
deseja explodir,
sair,
viver
para sempre.
Dentro
do velho
existem
também possibilidades.
A
árvore velha,
por
mais velha que seja,
produz
frutos e sementes.
A
semente guarda dentro de si
uma
nova maneira de ser,
diferente
da que aparenta.
Dentro
de um casulo
está
em evolução
uma
borboleta.
Se
a semente
ao explodir,
encontrar
um pouco de umidade,
potencialmente,
tem
a força
de
revelar
nova
criatura.
A
semente,
parece
morta,
parece
seca.
Ao
explodir,
revela
vida,
vida
escondida,
vida
diferente.
A
natureza
dos
insetos
assim
nos mostra.
A
natureza
das
coisas do campo
e
da lavoura
ou
da agricultura
também
assim nos atestam.
Fazer
a transposição
para
o reino humano,
com
o auxílio
destas
comparações,
e
lições,
podem
servir
como
ponto de partida
para
algumas conclusões.
Pensei
no
meu pobre jeito
de
ser gente,
macambuso,
e
rabugento.
Muitas
vezes,
diminuindo
meu potencial,
secando-me
como semente,
como
repolho me fechando,
diminuindo
o alcance
do
meu visual,
reduzindo,
a
quase nada
a
potência infinita
que
sou.
Que
poder redutor
tem
a rotina.
Que
poder extravagante
tem
a acomodação
e
a preguiça.
No
dia-a-dia da minha vida,
lavrador
que fui e que sou,
na
horta da vida
só
cultivo pepinos,
abóboras
e
ervas daninhas.
Moranguinhos,
ameixas
e frutas gostosas,
raramente
colho,
porque
quase não as semeio
e
não as cultivo,
pois
exigem muito
da
minha natureza
acomodada.
Mas
que burrice,
meus
amigos!
Se
tenho o terreno
à
minha mão,
se
tenho as ferramentas,
as
sementes
das
boas frutas,
para que guarda-las,
e
no pote da prateleira estocá-las?
Não
são exatamente estes produtos
que
o mercado mais procura?
Passa
inverno, passa verão,
passa
rapidamente a primavera,
a
estupenda primavera!
e
os outonos também.
E
eu aqui de novo
a
cultivar erva daninha,
pepinos
e repolhos.
Perdendo
tempo precioso.
Acomodando
e
estocando energias.
Enterrando
talentos
sem
nada fazer.
A
omissão
me
desclassifica
como
operário
O
despertador toca.
O
relógio do tempo
convida
a levantar.
Se
dentro de mim
existe
uma semente
de
eternidade,
sou
potencial herdeiro
de
promessas.
Não
quero,
não
devo,
não
posso ficar na casca e na superfície,
lustrando
e guardando aparências,
que
não encontram eco
naqueles
que esperam de mim
um
homem refeito,
diferente.
Um
homem novo
está
agitando aqui dentro;
querendo
sair,
manifestar-se.
Um
ser especial
hei
de fazer brotar,
nem
que algo tenha
de
morrer.
De
dentro do velho homem
hei
de explodir, ressuscitar,
qual
broto
que
da casca sai,
e
de um novo jeito,
transcendente,
aparece
aqui,
ali,
ou
em qualquer outro lugar.
Eneas Paulo Budel Bogucheski
Criado em 14/08/2015
Atualizado em 01/11/2019
eneaspb@gmail.com

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