Quero voltar a ser criança.
Mais perdi do que ganhei,
me tornando adulto.
E agora, como recuperar-me,
reconquistar, reaver
a inocência original?
- Ora, desative o adulto
que está em você.
e ative a criança
que ainda permanece viva
dentro de ti.
Pule, grite, dance,
volte a ser criança.
Diga ao teu cérebro
que você quer deixar de ser adulto
por alguns minutos.
Recupere sua infância
e aja como criança,
pelo menos alguns minutos por dia.
Deixe a sua maturidade de adulto
de folga por alguns minutos,
ou em férias por algum tempo.
Que o teu coração
dê autoridade para, de novo,
voltar a ser criança,
deixar seu coração ser alegre,
risonho, solto, inocente e maroto.
Volte a olhar para cima,
lá onde não há limites, nem barreiras,
nem tampouco regras impondo estresses.
Suba nos galhos das árvores
da sua imaginação.
Deixe chover
em cima dos seus pensamentos,
e que molhe e amoleça
seus padrões de adulto.
Solte as amarras, as cordas rígidas
que te prendem a um mundo
onde as crianças resistem entrar.
Liberte-se das tensões
que a razão te impõe.
Desligue o seu senso crítico.
Corte os cordões das suas resistências.
Deixe o teu coração
voltar a ser criança,
desarmada, naturalmente.
Observe-se e dê risadas
das tuas burrices de adulto.
Veja como é bom ser cordial,
dirigido mais pelo coração
do que pelas suas razões
sérias e tensas.
Tente ficar parado,
olhando, observando
tanto quanto te for possível,
para uma flor, para uma árvore
ou para uma pessoa idosa,
seja quem for.
Brinque com uma criança,
no mesmo nível dela,
e sinta-se como ela,
rei ou rainha do mundo.
A criança não tem passado para remoer
e não se ocupa com o futuro que não existe.
O momento presente é o seu presente.
Viver o momento presente é uma arte
a ser aprendida com as crianças.
Brinque com um cachorrinho ou gatinho,
ou apenas observe-os e deixe o teu coração
sentir o que é empatia, simpatia e amor.
Aí de nós, adultos,
se esquecermos,
se não alimentarmos
e não brincarmos
com nossa criança interior.
As crianças são crianças
porque ainda não desenvolveram bem
as capacidades racionais e ainda são originais.
A simplicidade e a inocência
fazem o coração ditar as normas
da sua conduta, atraente, inocente,
pura, simples e benfazeja.
Queria voltar a ser criança,
autêntica,
de verdade,
sem fingimentos ou interpretações.
Estou vivendo só a metade de mim,
arrependido de ter me tornado adulto.
Fiquei meio adulto, meio gente, meio humano.
Desse jeito, deformado,
não sou nem criança e nem adulto.
Perdi minha inocência,
a pureza e a simplicidade.
Sinto falta das brincadeiras
e das risadas.
Sinto falta do colo
e dos carinhos.
Sinto falta
de ser chamado filhinho,
e de me aconchegar no teu colinho
de 'mamãe' ou do 'papai'.
Sinto falta de ser olhado e admirado
como se estivessem olhando
para a criança que eu gostaria de ser.
Como eu gosto,
como me faz bem
quando me dizem
“Você parece uma criancinha”.
Acreditem, para mim, é um baita elogio.
As crianças foram elogiadas pelo Jesus.
As crianças se sentaram no colo do Jesus.
E o Jesus disse que o Reino dos Céus
pertencem aos que são com as crianças.
E o Jesus AVISOU: “Se não vos tornardes
como as crianças
de modo algum
entrareis
no Reino dos Céus.”
Olhem aí a sacralidade das crianças:
elas são o símbolo, o Sacramento do Céu.
Elas nos remetem ao Céu. Nos lembram do Céu.
Então o Céu é feito
daquilo que envolve
o mundo das crianças,
de afeto, alegria,
carícias, carinho,
inocência, pureza,
simplicidade, ternura,
transparência...
Na realidade, a última verdade,
é a criança que deveria educar o adulto.
A criança não deveria levar o adulto
muito a sério para não correr o risco
de adulterar-se.
Eneas Paulo Budel Bogucheski
eneaspb@gmail.com
Eneas
Paulo Budel Bogucheski
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