Nascemos envolvidos
numa
atmosfera de afeto.
E
aí, lá pelos 6 anos
iniciamos
o caminho racional.
E
fomos ficando adultos.
Adultos,
adulteramos a essência humana.
Do
mundo afetivo fomos sendo empurrados
para
entrar no mundo racional.
Não
frequentamos escolas
onde
nos ensinassem a conjugar
o
verbo amar em todos os tempos e modos.
E
assim, eis-nos aqui,
somente
a metade de nós.
Vivemos
num mundo
extremamente
racionalista,
na
era da inteligência artificial.
A
inteligência racional não foi capaz
de
alcançar o nível da sabedoria,
nem
de dar a palavra
para
o coração afetivo.
Vivemos numa cultura
onde sentimos falta
da inteligência afetiva-emocional.
É
por isso que estou publicando textos
sobre
o alfabeto do afeto.
O
coração necessita de tratamentos especiais,
de
atenção cuidadosa, gentil, carinhosa,
afetiva,
nutrientes essenciais,
para
que a vida tenha sentido e sabor.
O
foco na educação
apenas
na esfera intelectual
pode
ter ocasionado
alguns
defeitos colaterais
que
prejudicaram
o
desenvolvimento integral do ser humano
racional,
afetivo e espiritual.
Parece-nos
que somos só a metade.
Vivemos
sentindo falta da outra metade
que
nos complete.
Somos
sim, unidade.
mas
uma unidade subordinada só à razão?
O
que é que nos faz sentir vivos?
É
a razão ou o coração.
É
o pensar ou o sentir?
É
a parte afetiva nossa
que
está doente ou carente.
A
nossa parte afetiva,
as
emoções necessitam receber
mais
atenção e investimentos.
Se
estamos tristes e depressivos
é
o nosso coração que está recebendo
poucos
nutrientes necessários à sua vitalidade.
Estamos
sim envolvidos
por
um contínuo bombardeio de palavras,
de
comunicações, de barulho, de entretenimentos
que
estão nos mantendo na periferia,
longe
da nossa essência afetiva, coracional.
Necessitamos
e queremos sim,
o
equilíbrio entre a razão
e
o coração afetivo.
A
história, não só da humanidade,
mas
de cada um de nós, prova isso.
Crescendo
em estatura física
fomos
perdendo a capacidade afetiva,
enfraquecendo
a bateria
e
a energia das emoções.
Hoje,
lendo-nos, como nos interpretamos?
Qual
é a sede que estamos sentindo?
Sentimos
falta dos gestos afetivos?
Preste
atenção em si, antes de responder.
Perceba
como estamos alienados,
afastados
do contato humano,
que,
quando autentico, nos sensibiliza.
Nossos
relacionamentos
ficaram
estacionados
no
universo das palavras.
Não
somos apenas intelecto.
Não
somos seres artificiais.
Somos
reais.
Gostamos
de ouvir pessoas
expressarem-se
com dinamismo,
com
sentimentos, emocionadas,
com
brilho nos olhos,
sorrisos
na face, contarem histórias
de
suas vidas, significativamente.
Se
não houver emoções em nossas palavras
não
conseguiremos intercambiar
os
valores significativos entre nós.
Podemos
até falar,
mas
não integrarão,
não
penetrarão no coração
dos
nossos interlocutores.
Se
houver afeto, atenção, dedicação,
olhar
no olho, escutar e pedir opinião,
e
dar a palavra
para
que o ouvinte
também
consiga falar,
aí
sim haverá interação,
e
oportunidade de expressar
sua
experiência de vida.
Podemos
ser pessoas
carregadas
de conhecimento e conceitos,
mas
ao mesmo tempo, vazios
ou
descarregados de amor.
O
ser humano é essencialmente afetivo,
tem
necessidade da aproximação,
do
acolhimento, do carinho.
Havendo
aproximação haverá calor.
Calor
é produzido onde há energia.
Energia
existe onde há sentimentos
e
emoções vivas.
Onde
não há interação
de
sentimentos e emoções,
as
relações permanecem
no
nível da superficialidade.
Aí
não há lugar para nada
a
não ser para a apatia e a indiferença.
Podemos
olhar para a pessoa
que
aparece na nossa frente,
e
dirigir nossas palavras
apenas
para sua cabeça.
Mas
a pessoa que está na nossa frente,
não
é apenas fisionomia ou aparência.
Ela
carrega lá dentro um coração que sente,
porque
há dignidade e sacralidade em seu coração.
“O
amor é a força mais poderosa e, no entanto,
a
mais desconhecida forma energética do mundo.”
Pierre
Teilhard de Chardin.
Eneas
Paulo Budel Bogucheski
Para ler outros textos acesse meu blog
https://heiposworld.blogspot.com/
e no FACEBOOK https://www.facebook.com/eneaspaulo.bogucheski
Criado e publicado no Blog em 06/08/2015.
Atualizado e pub no BLOG e no FACE em
29/11/2025.
Com o título: Mamífero fui, mamífero sou.
Publicado no Blog Heipo
em 06agost2015
Atualizado
em 15/07/2024 e pub no blog com n. 113 Educação afetiva.

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