segunda-feira, 1 de dezembro de 2025

1059.– Educação afetiva.


Nascemos envolvidos

numa atmosfera de afeto.

 

E aí, lá pelos 6 anos

iniciamos o caminho racional.

 

E fomos ficando adultos.

Adultos, adulteramos a essência humana.

 

Do mundo afetivo fomos sendo empurrados

para entrar no mundo racional.

 

Não frequentamos escolas

onde nos ensinassem a conjugar

o verbo amar em todos os tempos e modos.

 

E assim, eis-nos aqui,

somente a metade de nós.

 

Vivemos num mundo

extremamente racionalista,

na era da inteligência artificial.

 

A inteligência racional não foi capaz

de alcançar o nível da sabedoria,

nem de dar a palavra

para o coração afetivo.

 

      Vivemos numa cultura

      onde sentimos falta

      da inteligência afetiva-emocional.

 

É por isso que estou publicando textos

sobre o alfabeto do afeto.

 

O coração necessita de tratamentos especiais,

de atenção cuidadosa, gentil, carinhosa,

afetiva, nutrientes essenciais,

para que a vida tenha sentido e sabor.

 

O foco na educação

apenas na esfera intelectual

pode ter ocasionado

alguns defeitos colaterais

que prejudicaram

o desenvolvimento integral do ser humano

racional, afetivo e espiritual.

 

Parece-nos que somos só a metade.

Vivemos sentindo falta da outra metade

que nos complete.  

 

Somos sim, unidade.

mas uma unidade subordinada só à razão?

 

O que é que nos faz sentir vivos?

É a razão ou o coração.

É o pensar ou o sentir?

 

É a parte afetiva nossa

que está doente ou carente.

 

A nossa parte afetiva,

as emoções necessitam receber

mais atenção e investimentos.  

 

Se estamos tristes e depressivos

é o nosso coração que está recebendo

poucos nutrientes necessários à sua vitalidade.

 

Estamos sim envolvidos

por um contínuo bombardeio de palavras,

de comunicações, de barulho, de entretenimentos

que estão nos mantendo na periferia,

longe da nossa essência afetiva, coracional.

 

Necessitamos e queremos sim,

o equilíbrio entre a razão

e o coração afetivo.  

 

A história, não só da humanidade,

mas de cada um de nós, prova isso.

 

Crescendo em estatura física

fomos perdendo a capacidade afetiva,

enfraquecendo a bateria

e a energia das emoções.

 

Hoje, lendo-nos, como nos interpretamos?

Qual é a sede que estamos sentindo?  

 

Sentimos falta dos gestos afetivos?

 

Preste atenção em si, antes de responder.

 

Perceba como estamos alienados,

afastados do contato humano,

que, quando autentico, nos sensibiliza.

 

Nossos relacionamentos

ficaram estacionados

no universo das palavras.

 

Não somos apenas intelecto.

Não somos seres artificiais.

Somos reais.

 

Gostamos de ouvir pessoas

expressarem-se com dinamismo,

com sentimentos, emocionadas,

com brilho nos olhos,

sorrisos na face, contarem histórias

de suas vidas, significativamente.  

 

Se não houver emoções em nossas palavras

não conseguiremos intercambiar

os valores significativos entre nós.

 

Podemos até falar,

mas não integrarão,

não penetrarão no coração

dos nossos interlocutores.  

 

Se houver afeto, atenção, dedicação,

olhar no olho, escutar e pedir opinião,

e dar a palavra

para que o ouvinte

também consiga falar,

aí sim haverá interação,

e oportunidade de expressar

sua experiência de vida.

 

Podemos ser pessoas

carregadas de conhecimento e conceitos,

mas ao mesmo tempo, vazios

ou descarregados de amor.

 

O ser humano é essencialmente afetivo,

tem necessidade da aproximação,

do acolhimento, do carinho.   

 

Havendo aproximação haverá calor.

 

Calor é produzido onde há energia.

 

Energia existe onde há sentimentos

e emoções vivas.

 

Onde não há interação

de sentimentos e emoções,

as relações permanecem

no nível da superficialidade.

 

Aí não há lugar para nada

a não ser para a apatia e a indiferença.

 

Podemos olhar para a pessoa

que aparece na nossa frente,

e dirigir nossas palavras

apenas para sua cabeça.

 

Mas a pessoa que está na nossa frente,

não é apenas fisionomia ou aparência.

Ela carrega lá dentro um coração que sente,

porque há dignidade e sacralidade em seu coração.

 

“O amor é a força mais poderosa e, no entanto,

a mais desconhecida forma energética do mundo.”

Pierre Teilhard de Chardin. 

 

Eneas Paulo Budel Bogucheski

eneaspb@gmail.com

 

Para ler outros textos acesse meu blog

https://heiposworld.blogspot.com/

 

e no FACEBOOK https://www.facebook.com/eneaspaulo.bogucheski

 

Criado e publicado no Blog em 06/08/2015.

Atualizado e pub no BLOG e no FACE em 29/11/2025.

 

Com o título: Mamífero fui, mamífero sou.

Publicado no Blog Heipo

em 06agost2015

 

Atualizado em 15/07/2024 e pub no blog com n. 113 Educação afetiva.

Atualizado em 29/11/2025, publicado com n 1059.

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