Você está fazendo
a pior das
experiências
que o ser humano pode
suportar.
Você está dentro de
uma cela,
prisioneiro(a), junto
com muitas pessoas.
A cela é pequena,
tão pequena e tão
cheia de pessoas,
todas presas,
querendo, desejando a liberdade.
O mundo egoísta
é um pequeno mundo.
Mas a cela está tão
cheia
que não há espaço
nem para sentar e
descansar.
Se sentar ou
agachar-se
acabará sendo pisoteado(a).
Cada um quer
acomodar-se
da melhor maneira
e os outros que se
virem.
Você está vivendo
uma situação
desumana,
abandonada por todos
os teus amigos,
sem esperanças.
E o que é pior,
nem os teus amigos
sabem como ajudar-te.
Muitos
estão na mesma
situação que você.
E você não vê a luz
do sol
há vários dias.
Não tem se alimentado
bem.
Não há alegria em sua
alma,
nem esperanças, por
enquanto.
E o pior de tudo
é que você se acha
inocente.
Não sabe o porquê
de estar aqui,
preso(a).
Tem mil perguntas
e não sabe a quem
perguntar,
e quem responde, não
te satisfaz.
Que será que eu fiz
de errado
que não tenho a
oportunidade de saber?
Se não fiz nada de
errado,
por que estou aqui
nesta escuridão?
Não sei em que parte
do Universo estou!
Você olha em volta e
vê
que todos estão
com o mesmo ponto de
interrogação
na cabeça, visível,
porém, mudos.
Muitos já desistiram
de falar ou de
gritar.
Não adianta gritar.
Não adianta chamar
por quem que seja.
Quem administra esta
prisão
parece nem estar aí.
Os funcionários
responsáveis pela
administração da prisão, parece que tiveram seus ouvidos lacrados
ou danificados,
pois que passam ao
lado
e nem percebem
que há alguém falando
ou gritando alguma
coisa.
São indiferentes.
São apáticos.
Os teus problemas
não são os problemas
deles.
Estão também dentro
do mundo fechado.
São livres,
mas trabalham dentro
de prisões.
Também não se sentem
livres.
Também gostariam de
trabalhar
em ambientes claros,
com muito vento e luz
abundante.
Com ruas, estradas,
montanhas para correr
e brincar.
Também eles sonham
com um tipo de
liberdade aberta,
sem fronteiras.
A noite ainda está
feita,
tarda para ser
desfeita.
Com os olhos
cansados, vejo a claridade
se impondo lentamente
sobre a noite.
O 'Dia' vem vindo.
Ops, hoje vai acontecer o encontro.
De repente você vê
aproximando-se,
olhando-te fixamente,
o Jesus Cristo,
com uma chave na mão.
Você nunca esteve
próximo Dele,
mas sabe que é Ele, caminhando pelo corredor,
com uma baita chave, reluzindo.
Puxa vida,
olho em volta e
percebo
que só eu O vejo,
pois os outros
estão com os olhos
e atenção fixas
em outras coisas.
Ele vem vindo.
E, tomo consciência
que somente eu
percebo Ele ali,
vindo em minha
direção.
Com a chave na mão,
olha para mim e me
chama pelo nome.
Venha, venha para
fora.
Agora estou aqui.
Quer passar a eternidade comigo?
Eneas Paulo Budel Bogucheski
eneaspb@gmail.com
Atualizado em 31/05/2016.

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