quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

199.- Jesus Cristo. Encontro com o Jesus Cristo na multidão.


 

  
Nos próximos cinco textos estarei tentando demonstrar como é difícil acontecer o tão esperando encontro pessoal, com o Jesus Cristo, o filho do Deus Eterno, que esteve aqui entre nós. 
 
             Não existe fonte mais autêntica do que os Evangelhos, os escritos e testemunhos do próprio Jesus Cristo.
 
Não temos outra fonte mais próxima e mais autêntica.
 
 
É por aí que colocamos os primeiros fundamentos para a construção da casa sobre a rocha e não sobre a areia. 
 
 
Proclamação do Evangelho do Jesus Cristo segundo o evangelista Marcos, Capítulo 5,21.25-34.
“Naquele tempo, tendo o Jesus navegado outra vez para a margem oposta, de novo afluiu a ele uma grande multidão.
Ora, havia ali uma mulher que já por doze anos padecia de um fluxo de sangue.
Sofrera muito nas mãos de vários médicos, gastando tudo o que possuía, sem achar nenhum alívio, pelo contrário, piorava cada vez mais.
Tendo ela ouvido falar do Jesus, veio por detrás, abrindo caminho entre a multidão, e tocou-lhe no manto.
Dizia ela: se eu tocar, ainda que seja na orla do seu manto, estarei curada.
Ora, no mesmo instante se lhe estancou a fonte de sangue, e ela teve a sensação de estar curada.
Jesus percebeu imediatamente que saíra dele uma força e, voltando-se para o povo perguntou: Quem tocou minhas vestes? Responderam-lhe os seus discípulos: Vês que a multidão te comprime e perguntas: Quem me tocou? 
E ele olhava em derredor para ver quem o fizeram.
Ora, a mulher, atemorizada e trêmula, sabendo o que nela se tinha passado, veio e ajoelhando-se aos pés do Jesus, contou-lhe toda a verdade.
Mas ele lhe disse: Filha, a tua fé te salvou.
 Vai em paz e sê curada do teu mal.
          Palavra da Salvação.
 
 
O que você mais quer
é ter o encontro mais extraordinário
da sua vida.
 
 
E você se põe a caminho.
 
 
Sai de casa
e começa seguindo algumas pessoas
que dizem estar à procura Dele.
 
 
Parece que todos estão procurando Ele.
 
 
No caminho, no meio de tanta gente que está procurando este mesmo ideal, estão milhares, milhões de pessoas.
 
Muitos estão indo,
porque outros também estão indo.
 
 
Outros querem saber alguma coisa sobre Ele e perguntam, compram livros, fazem pesquisas, formam grupos de estudo, fazem cursos no exterior, dão palestras nas Universidades e nas Televisões.
 
 
Muitos tornam-se especialistas.
Sabem tudo sobre Ele.
Tem Ele dentro da cabeça.
O conhecimento que possuem Dele é mental, apenas.
 
 
Também não tiveram encontro profundo, pessoal, com Ele.
 
 
Acham que ensinando, estão fazendo a coisa certa.
 
 
Lá na frente, formando uma grossa multidão estão os estudiosos, os professores, os entendidos, os doutores da lei e do conhecimento. 
 
 
Outra grossa camada de profissionais é formada pelos teólogos, da linha da teologia dogmática, sistemática, moralista e os escritores.
 
 
Outra grossa camada de pessoas é formada por caminhantes, envolvidos pela massa, absorvidos pela multidão desconhecida.
 
 
Caminham em direção a Ele, de tal maneira inconscientes, que já nem percebem o que estão fazendo.
 
 
Entraram na rotina e no automatismo do processo.
 
 
Aprenderam ou prenderam o Verbo na cabeça deles.
 
 
Estão como aqueles funcionários que vivem desempenhando apenas o que tem que ser feito, dentro do expediente das oito horas.
 
 
Nas demais horas, descuidam-se do ideal, e fazem outras coisas.
 
 
Mas você se reconhece no meio da multidão, caminhando.
 
 
Quer a todo custo chegar até Ele.
 
 
Não quer saber o que livros e palestrantes dizem nas suas falas e manuais.
 
 
Você não quer ler mais nada sobre ele, nem escutar.
 
 
Você quer o que responde à mais profunda exigência da tua carne, da tua psicologia, da tua alma.
 
 
Você sabe que só vai sentir-se realizado(a) se fizer o encontro com Ele.
 
 
Você quer senti-Lo, experimentá-Lo, conviver alguns minutos ou horas com Ele, e talvez, o resto dos teus dias nesta Terra. 
 
 
Você tenta furar a espessura da multidão.
 
 
Não consegue furar a muralha de gente que está ali na frente, mais dificultando do que facilitando o encontro.
 
Muitas pessoas parecem estar contentes apenas por estar na fila, no meio da multidão, que é do time dele.
 
Vemos poucas pessoas ocupadas e envolvidas em facilitar o acesso e fazer acontecer o verdadeiro encontro entre você e Ele.
 
No Jesus Cristo
tudo era revelação
daquilo que o animava por dentro.
 
Ele não só falava sobre o Deus Pai,
mas também o revelava.
 
 
Comunicava algo
do que ele mesmo vivia
e experimentava.
 
 
Ele não só anunciava a Boa Nova do Reino,
Ele mesmo era uma amostra,
um testemunho vivo do Reino.
 

 Nele aparecia
aquilo que acontece
quando um ser humano
deixa o Deus Paizinho reinar,
tomar conta da sua vida.
 
 
O que vale não é só as palavras,
mas também e sobretudo,
o testemunho, o gesto concreto.
 
 
Ele é a Boa Nova do Reino que atrai.
Frei Carlos Mesters.
 
 
Vejo, ali pelo lado, algumas pessoas fazendo um cordão, tentando abrir caminho para que alguns consigam chegar até Ele.
 
 
Entre eles vejo o Francisco de Assis, Pierre Teilhard de Chardin, Madre Tereza, Gandhi.
 
Só vejo místicos.
 
 
Só vejo místicos, aqueles que fizeram o Encontro profundo com Ele. 
 
 
Parece que, quem está dentro da hierarquia da religião, cuidando do sagrado, como funcionário, dá mais valor aos regulamentos, às normas morais e jurídicas, aos ritos e orações impressas, ao formalismo, do que à vida dos sedentos, dos peregrinos do Absoluto.  
 
 
E acabam aumentando o número dos excluídos, pela apatia, pela desistência na busca, pela falta de testemunho, da falta da experiência íntima, transformadora. 
 
 
Estes é que deveriam, primeiro, ter deixado o encontro acontecer. 
 
 
Mas, inconscientemente deixaram-se ludibriar pelo ego humano, pela mentalidade humana, pela fragilidade humana, pelas limitações impostas pela cobiça. 
 
 
Não foi desta vez que você conseguiu o encontro. Haverá outras tentativas.
 
 
O encontro vai acontecer.
 
 
Esta primeira tentativa
é para mostrar
como é difícil conseguir
aquilo que realmente importa buscar,
e que tem que acontecer
para que a conversão seja feita.
 
 
É preciso identificar todos os bloqueios que existem nesta caminhada. 
 
Existem bloqueios externos e também internos.
 
Existem preconceitos enraizados. 
 
Todos queriam ajudar e ensinar. 
 
Nem todos aprenderam direto com o Mestre.
 
 
Bloqueios externos
são fáceis de identificar,
equacionar e resolver.
 
 
Os bloqueios internos
estão cristalizados,
transformados em preconceitos
mais duros do que o aço,
transformados em estátuas de bronze,
que falam. 
 
 
A maior parte dos bloqueios
estão na nossa cabeça,
nas memórias contaminadas
pelas frustrações que tivemos
na maioria dos nossos desencontros
com a Verdade.
 
 
Como podemos desistir daquilo
que é o mais importante acontecimento
da nossa vida,
o encontro com Ele?
 
 
O encontro vai acontecer, mas não foi desta vez.


Eneas Paulo Budel Bogucheski 
eneaspb@gmail.com
Atualizado em 30/05/2016. 




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