Fico pensando com
meus botões,
principalmente quando leio ou escuto,
em toda parte, até na Bíblia
e nos documentos oficiais da Igreja,
em homilias e em todos os livros,
expressões como: refiro-me a Jesus Cristo;
estou falando de Jesus
Cristo;
Corpo e Sangue de Cristo;
Jesus, o filho de Deus;
Cordeiro de Deus...
Você ama a Jesus,
a Deus ou você ama
o Jesus Cristo,
o
Deus Pai?
Você se relaciona com a palavra 'Jesus'
ou com a Pessoa do
Jesus?
Estas expressões,
com o de
antes dos substantivos
podem explicar porque
nos sentimos fracos
e sem convicções no cultivo da nossa fé.
Se não prestarmos atenção,
podemos
correr o risco
de viver uma religiosidade oca,
vazia, sem ressonâncias,
uma
religiosidade vivida
somente no mundo das palavras,
por isso, muitas vezes
não
encontramos prazer
no cultivo do nosso potencial religioso.
Não nos realizamos,
não
encontramos sentido nem respostas
talvez porque estejamos nos relacionando
ou
vivenciando o mundo dos pensamentos
e dos conceitos.
Parece-me que a
religiosidade
da maioria das pessoas
acontece mais no mundo das palavras
e da
virtualidade.
É diferente um relacionamento quando você esta
na frente de
alguém, interagindo.
Se a vivência da nossa religiosidade não nos satisfaz
é prova de que a pessoa divina não está ali.
Estamos apenas no
mundo virtual,
despersonalizado, sem respostas.
Na minha maneira
de ver,
como cristão fraco na fé,
sinto essa dificuldade,
por isso estou
escrevendo.
Ajude-me a fortalecer minha fé.
Não é por este caminho?
Substantivamente falando,
o nosso jeitão de falar de,
em vez do Jesus
e de em vez do Deus,
esvazia o
conteúdo,
mantendo-nos apenas
no mundo das palavras.
Neste nível de
inconsciência
estamos tendo um relacionamento vazio,
um faz de conta,
sem eco
nas nossas atitudes religiosas.
Aceite este
alerta, esta advertência.
Questione-se.
Acho que deveria
ser assim:
refiro-me ao Jesus Cristo;
estou
falando do Jesus Cristo;
Corpo e Sangue do Cristo;
filho do Deus
Pai;
Cordeiro do Deus ...
Estas atitudes
revelam
que podemos correr o risco
de cultivamos uma religiosidade
apenas de
palavras.
Ficamos escravos
das regras da nossa língua
e esvaziamos a
personalidade do Jesus Cristo,
do Deus
Pai, dos Santos
e dos personagens históricos
e das pessoas concretas.
Ora, Jesus Cristo
é um Substantivo Próprio,
pessoal, por excelência.
O nome das pessoas
masculinas
ou femininas são também substantivos próprios.
Genericamente
podemos falar de gente.
Particularmente falamos
da pessoa tal,
do fulano de tal.
Experimente
colocar as frases acima,
substituindo Jesus Cristo
pelo teu nome próprio
(se
for nome masculino).
Como ficaria?
“refiro-me a Jesus Cristo;
refiro-me a Gregório
(ou o teu nome ________ (se for
masculino);
refiro-me a Estevão;
refiro-me a Carlos Alberto;
refiro-me a Paulo Cesar;
refiro-me a João
Paulo II.
Não ficaria muito
mais personalizado
e substantivado, dizer:
refiro-me ao Jesus Cristo;
refiro-me
ao Gregório;
refiro-me ao Estevão,
refiro-me ao Carlos Alberto,
refiro-me ao
Paulo Cesar,
refiro-me ao João Paulo II,
ao Jesus Cristo,
ao Deus Criador,
ao
Deus do Céu e da Terra...
Estou falando do
Jesus Cristo,
filho do Sr. José;
Estou falando do Jesus Cristo,
filho do Deus
Pai.
Não quero ser
pedante,
insistindo em mil nomes.
Apenas, como exemplo,
substitua o teu nome (se
for masculino)
pelo nome do Jesus Cristo
em todas as frases
em que surgirem
o de e o a,
antes do teu nome
para
perceber a incoerência existente.
Note você, que em
todas as vezes
que nos referimos ao Espírito Santo,
usamos o o antes
Dele; usamos o do, antes.
Comprova-se assim,
o que estou querendo alertar.
Não quero falar de
Espírito Santo.
Quero falar do
Espírito Santo.
Não quero falar de
Jesus Cristo.
Quero falar do
Jesus Cristo, Pessoa, Substantivo Próprio.
Talvez você não
perceba
minha real intenção atrás desta preocupação,
que pode ser vazia,
supérflua
e até mesmo destituída
de toda e qualquer fundamentação lógica
e
correta das regras da gramática.
Gostaria de
insistir
que uma lei gramatical
não se sobreponha
ou não esvazie de conteúdo
a
personalização dos substantivos.
Pode ser uma
observação insignificante,
mas não é.
Podemos permanecer
apenas no mundo das palavras
e não indo até ao concreto,
à pessoa do Jesus
Cristo,
do Deus Pai, Criador.
Considero uma falha tão grande,
mas tão grande
que acabamos tratando os substantivos
como coisas genéricas,
apenas virtuais,
quando se trata fundamentalmente
de elementos concretos e
pessoais.
Quero reforçar é a
necessidade
de estabelecermos relações de diálogo
com a pessoa do Jesus Cristo,
com a pessoa do Deus Pai,
com a Pessoa do Espírito Santo,
não com a palavra
jesus cristo,
não com a palavra deus,
não com a palavra espírito santo,
não com
as palavras dos nomes
masculinos ou femininos,
com os personagens históricos,
não com a gramática,
mas sim, com as pessoas.
Ficando só no
mundo das palavras,
acabamos esvaziando o conteúdo personalista,
e a questão da
fé passa a ser
bem mais difícil de vivenciar.
Queremos personalizar
e materializar
esta ação do relacionamento
entre o humano e o
divino sagrado,
materializado ou espiritualizado,
substantivamente.
Todos sabemos
o
quanto é difícil
atuar nossa vida através da fé,
praticar a fé, acreditar no
que não vemos.
Mas convém nos
esforçarmos
para aperfeiçoar a ciência da fé,
estabelecer princípios,
regras e
leis da ciência da fé.
Toda ciência
possui uma linguagem própria,
ferramentas próprias, fins próprios,
quadros de
referencias próprios.
Se a religião é
uma ciência,
qual é o objeto principal da religião?
Podemos, entre
tantas respostas,
dizer que o objeto da religião é a fé.
Mas se
aprofundarmos um pouco mais
veremos que a resposta é outra.
O objeto da
verdadeira religião,
do Cristianismo principalmente,
é uma Pessoa, um ser
masculino,
um Substantivo Próprio.
Não é uma montanha de leis,
regras, dogmas, mandamentos.
Não é ser insensível, distante, virtual.
O objeto da
religião cristã,
do Cristianismo, é o Jesus Cristo,
filho do Deus Pai e Criador
do universo.
O apóstolo São
Paulo
já nos adiantou este princípio:
“No Jesus Cristo estão escondidos
todos
os tesouros da sabedoria
e das ciências”.
Colossenses 2,2-3
A religião é uma
ciência:
É uma Teologia.
Possuí um
calendário próprio.
Possui seus
estatutos,
dois Testamentos,
inúmeras Epístolas, Cartas,
Encíclicas, linguagem,
ritos,
liturgia, literatura
e linguagem própria,
teólogos, filósofos,
sociólogos,
escritores, poetas, o Papa, clero, leigos.
A própria história
é lida como história de salvação,
apesar das páginas escritas
com sangue e
pecados.
A Igreja Católica
Apostólica Romana
possui uma organização e uma hierarquia
que se aperfeiçoa ao
longo dos anos,
corrige-se e converte-se continuamente,
uma vez que o vaso é de
barro humano,
mas o conteúdo é de ouro, divino.
O Cristianismo
pode ser uma ciência geral,
que abranja, fundamente e justifique
todas as
outras ciências particulares,
considerando o próprio Jesus Cristo
como caminho,
verdade e Vida.
O fim última da
religião
é o mais nobre de todos:
a fraternidade de todos os povos,
o amor; o
perdão, a vida eterna.
A religião cristã,
o Cristianism,
será a ciência das ciências,
pois guarda e conserva os valores
básicos,
os fundamentos da vida fraterna e solidária.
Não sobreviveremos
no futuro
se não guardarmos e vivermos
os fundamentos do Evangelho
do Jesus
Cristo.
O Cristianismo não
é invenção humana,
é uma maneira de viver como o Jesus Cristo viveu.
O Cristianismo tem origem divina.
E nós somos os
representantes
do criador desta religião:
somos nós, exatamente,
os filhos e
herdeiros do Criador
desta ciência que é o Cristianismo.
O ideal de
qualquer religião
é que deem lugar
a uma sociedade dos filhos do Deus Criador
e
Herdeiros do Reino dos céus.
A seguir,
transcrevo algumas linhas
do Evangelho do São João,
uma das páginas
que mais
impacto causa
em nossa mente quando lemos.
Convém que façamos
um ato de consciência
para nos colocarmos dentro desta cena,
e verificar onde
nos encontramos.
Se, no início, o
Jesus Cristo era Verbo (Palavra),
veja como o Verbo se fez carne e habitou
entre nós.
“No princípio
existia o Verbo;
o Verbo
estava junto com o Deus;
e o Verbo
era Deus.
Por Ele é
que tudo começou a existir;
e sem Ele
nada veio à existência.
Nele é que
estava a Vida de tudo o que veio a existir.
E a Vida era a Luz dos homens.
A Luz
brilhou nas trevas,
mas as trevas não a receberam.
Apareceu um
homem, enviado por Deus,
que se chamava João.
Este vinha
como testemunha,
para dar testemunho da Luz
e todos crerem por meio dele.
Ele não era
a Luz,
mas vinha para dar testemunho da Luz.
O Verbo era
a Luz verdadeira,
que, ao vir ao mundo,
a todo o homem ilumina.
Ele estava
no mundo
e por Ele o mundo veio à existência,
mas o mundo não o reconheceu.
Veio para o
que era seu,
e os seus não o receberam.
Mas, a
quantos o receberam,
aos que nele creem,
deu-lhes o poder
de se tornarem
filhos do Deus Eterno.
Estes não
nasceram de laços de sangue,
nem de um impulso da carne,
nem da vontade de um
homem,
mas sim do próprio Deus.
E o Verbo (Jesus Cristo) fez-se homem
e veio habitar conosco.
E nós
contemplamos a sua glória,
a glória que possui como Filho Unigênito do Pai,
cheio de graça e de verdade.
João deu
testemunho dele ao clamar:
«Este era aquele de quem eu disse:
'O que vem depois
de mim passou-me à frente,
porque existia antes de mim.'».
Sim, todos nós participamos da sua plenitude,
recebendo graças sobre graças.
É que a Lei
foi dada por Moisés,
mas a graça e a verdade
vieram-nos por Jesus Cristo.
Ao Deus Pai
jamais alguém o viu.
O Filho
Unigênito, que é o Deus Filho
e esteve entre nós,
e agora está no seio do Pai,
foi Ele quem o deu a conhecer”.
Evangelho do
Apóstolo João 1,1-18.
Comente comigo
estas observações. Vai ser bom para nós conversarmos sobre este texto. eneaspb@gmail.com
Eneas Paulo Budel Bogucheski
eneaspb@gmail.com 41 98854 5166
Atualizado em 30/05/2016.
Atualizado em 31/03/2026
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