quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

198.- Jesus Cristo, Substantivo próprio.




Fico pensando com meus botões, 
principalmente quando leio ou escuto, 
em toda parte, até na Bíblia 
e nos documentos oficiais da Igreja, 
em homilias e em todos os livros, 
expressões como:  refiro-me a Jesus Cristo; 
estou falando de Jesus Cristo;  
Corpo e Sangue de Cristo;  
Jesus, o filho de Deus; 
Cordeiro de Deus... 

      Você ama a Jesus, 
a Deus ou você ama 
o Jesus Cristo, 
o Deus Pai? 

      Você se relaciona com a palavra 'Jesus' 
ou com a Pessoa do Jesus? 

Estas expressões, com o de 
antes dos substantivos 
podem explicar porque nos sentimos fracos 
e sem convicções no cultivo da nossa fé. 

       Se não prestarmos atenção, 
podemos correr o risco 
de viver uma religiosidade oca, 
vazia, sem ressonâncias, 
uma religiosidade vivida 
somente no mundo das palavras, 
por isso, muitas vezes 
não encontramos prazer 
no cultivo do nosso potencial religioso. 

Não nos realizamos, 
não encontramos sentido nem respostas 
talvez porque estejamos nos relacionando 
ou vivenciando o mundo dos pensamentos 
e dos conceitos.

Parece-me que a religiosidade 
da maioria das pessoas 
acontece mais no mundo das palavras 
e da virtualidade.  

      É diferente um relacionamento quando você esta 
na frente de alguém, interagindo. 

       Se a vivência da nossa religiosidade não nos satisfaz 
é prova de que a pessoa divina não está ali.

Estamos apenas no mundo virtual, 
despersonalizado, sem respostas.  

Na minha maneira de ver, 
como cristão fraco na fé, 
sinto essa dificuldade, 
por isso estou escrevendo. 

Ajude-me a fortalecer minha fé. 

Não é por este caminho? 

Substantivamente falando, 
o nosso jeitão de falar de
em vez do Jesus e de em vez do Deus, 
esvazia o conteúdo, 
mantendo-nos apenas 
no mundo das palavras.

Neste nível de inconsciência 
estamos tendo um relacionamento vazio, 
um faz de conta, 
sem eco nas nossas atitudes religiosas.

Aceite este alerta, esta advertência.

Questione-se.

Acho que deveria ser assim: 
refiro-me ao Jesus Cristo; 
estou falando do Jesus Cristo; 
Corpo e Sangue do Cristo;  
filho do Deus Pai; 
Cordeiro do Deus ...

Estas atitudes revelam 
que podemos correr o risco 
de cultivamos uma religiosidade 
apenas de palavras. 

   Ficamos escravos 
das regras da nossa língua 
e esvaziamos a personalidade do Jesus Cristo,  
do Deus Pai, dos Santos 
e dos personagens históricos 
e das pessoas concretas.

Ora, Jesus Cristo 
é um Substantivo Próprio, 
pessoal, por excelência.

O nome das pessoas masculinas 
ou femininas são também substantivos próprios.

    Genericamente
    podemos falar de gente.

    Particularmente falamos
    da pessoa tal,
    do fulano de tal.

Experimente colocar as frases acima, 
substituindo Jesus Cristo 
pelo teu nome próprio 
(se for nome masculino).

Como ficaria? “refiro-me a Jesus Cristo; 
refiro-me a Gregório 
(ou o teu nome ________ (se for masculino); 
refiro-me a Estevão; 
refiro-me a Carlos Alberto;  
refiro-me a Paulo Cesar; 
refiro-me a João Paulo II.

Não ficaria muito mais personalizado 
e substantivado, dizer: 
refiro-me ao Jesus Cristo; 
refiro-me ao Gregório; 
refiro-me ao Estevão, 
refiro-me ao Carlos Alberto, 
refiro-me ao Paulo Cesar, 
refiro-me ao João Paulo II, 
ao Jesus Cristo, 
ao Deus Criador, 
ao Deus do Céu e da Terra...

Estou falando do Jesus Cristo, 
filho do Sr. José; 
Estou falando do Jesus Cristo, 
filho do Deus Pai.

Não quero ser pedante, 
insistindo em mil nomes. 

Apenas, como exemplo, 
substitua o teu nome (se for masculino
pelo nome do Jesus Cristo 
em todas as frases 
em que surgirem o de e o a
antes do teu nome 
para perceber a incoerência existente.

Note você, que em todas as vezes 
que nos referimos ao Espírito Santo, 
usamos o o antes Dele; usamos o do, antes.  

Comprova-se assim, o que estou querendo alertar.

Não quero falar de Espírito Santo.

Quero falar do Espírito Santo.

Não quero falar de Jesus Cristo.

Quero falar do Jesus Cristo, Pessoa, Substantivo Próprio.

Talvez você não perceba 
minha real intenção atrás desta preocupação, 
que pode ser vazia, supérflua 
e até mesmo destituída 
de toda e qualquer fundamentação lógica 
e correta das regras da gramática.

Gostaria de insistir 
que uma lei gramatical 
não se sobreponha 
ou não esvazie de conteúdo 
a personalização dos substantivos.

Pode ser uma observação insignificante, 
mas não é.

Podemos permanecer 
apenas no mundo das palavras 
e não indo até ao concreto, 
à pessoa do Jesus Cristo, 
do Deus Pai, Criador. 

       Considero uma falha tão grande, 
mas tão grande 
que acabamos tratando os substantivos 
como coisas genéricas, 
apenas virtuais, 
quando se trata fundamentalmente 
de elementos concretos e pessoais.

Quero reforçar é a necessidade 
de estabelecermos relações de diálogo 
com a pessoa do Jesus Cristo, 
com a pessoa do Deus Pai, 
com a Pessoa do Espírito Santo, 
não com a palavra jesus cristo, 
não com a palavra deus, 
não com a palavra espírito santo, 
não com as palavras dos nomes 
masculinos ou femininos, 
com os personagens históricos, 
não com a gramática, 
mas sim, com as pessoas.

Ficando só no mundo das palavras, 
acabamos esvaziando o conteúdo personalista, 
e a questão da fé passa a ser 
bem mais difícil de vivenciar.

Queremos personalizar e materializar 
esta ação do relacionamento 
entre o humano e o divino sagrado, 
materializado ou espiritualizado, 
substantivamente.

Todos sabemos 
o quanto é difícil 
atuar nossa vida através da fé, 
praticar a fé, acreditar no que não vemos.

Mas convém nos esforçarmos 
para aperfeiçoar a ciência da fé, 
estabelecer princípios, 
regras e leis da ciência da fé.  

Toda ciência possui uma linguagem própria, 
ferramentas próprias, fins próprios, 
quadros de referencias próprios.

Se a religião é uma ciência, 
qual é o objeto principal da religião?

Podemos, entre tantas respostas, 
dizer que o objeto da religião é a fé.

Mas se aprofundarmos um pouco mais 
veremos que a resposta é outra.

O objeto da verdadeira religião, 
do Cristianismo principalmente, 
é uma Pessoa, um ser masculino, 
um Substantivo Próprio.

Não é uma montanha de leis, 
regras, dogmas, mandamentos.

Não é ser insensível, distante, virtual.  

O objeto da religião cristã, 
do Cristianismo, é o Jesus Cristo, 
filho do Deus Pai e Criador do universo.

O apóstolo São Paulo 
já nos adiantou este princípio: 
“No Jesus Cristo estão escondidos 
todos os tesouros da sabedoria 
e das ciências”. 
Colossenses 2,2-3

A religião é uma ciência:

É uma Teologia.

Possuí um calendário próprio.

Possui seus estatutos, 
dois Testamentos, 
inúmeras Epístolas, Cartas, 
Encíclicas, linguagem, ritos, 
liturgia, literatura 
e linguagem própria, 
teólogos, filósofos, sociólogos, 
escritores, poetas, o Papa, clero, leigos.

A própria história 
é lida como história de salvação, 
apesar das páginas escritas 
com sangue e pecados.

A Igreja Católica Apostólica Romana 
possui uma organização e uma hierarquia 
que se aperfeiçoa ao longo dos anos, 
corrige-se e converte-se continuamente, 
uma vez que o vaso é de barro humano, 
mas o conteúdo é de ouro, divino.  

O Cristianismo 
pode ser uma ciência geral, 
que abranja, fundamente e justifique 
todas as outras ciências particulares, 
considerando o próprio Jesus Cristo 
como caminho, verdade e Vida.

O fim última da religião 
é o mais nobre de todos: 
a fraternidade de todos os povos, 
o amor; o perdão, a vida eterna.

A religião cristã, o Cristianism, 
será a ciência das ciências, 
pois guarda e conserva os valores básicos, 
os fundamentos da vida fraterna e solidária.

Não sobreviveremos no futuro 
se não guardarmos e vivermos 
os fundamentos do Evangelho 
do Jesus Cristo.

O Cristianismo não é invenção humana, 
é uma maneira de viver como o Jesus Cristo viveu.

O Cristianismo tem origem divina.

E nós somos os representantes 
do criador desta religião: 
somos nós, exatamente, 
os filhos e herdeiros do Criador 
desta ciência que é o Cristianismo.

O ideal de qualquer religião 
é que deem lugar 
a uma sociedade dos filhos do Deus Criador 
e Herdeiros do Reino dos céus.

A seguir, transcrevo algumas linhas 
do Evangelho do São João, 
uma das páginas 
que mais impacto causa 
em nossa mente quando lemos.

Convém que façamos um ato de consciência 
para nos colocarmos dentro desta cena, 
e verificar onde nos encontramos.

Se, no início, o Jesus Cristo era Verbo (Palavra), 
veja como o Verbo se fez carne e habitou entre nós.

“No princípio existia o Verbo;
o Verbo estava junto com o Deus;
e o Verbo era Deus.
Por Ele é que tudo começou a existir;
e sem Ele nada veio à existência.
Nele é que estava a Vida de tudo o que veio a existir. 
E a Vida era a Luz dos homens.
A Luz brilhou nas trevas, 
mas as trevas não a receberam.
Apareceu um homem, enviado por Deus, 
que se chamava João.
Este vinha como testemunha, 
para dar testemunho da Luz 
e todos crerem por meio dele.
Ele não era a Luz, 
mas vinha para dar testemunho da Luz.
O Verbo era a Luz verdadeira, 
que, ao vir ao mundo, 
a todo o homem ilumina.
Ele estava no mundo 
e por Ele o mundo veio à existência, 
mas o mundo não o reconheceu.
Veio para o que era seu, 
e os seus não o receberam.
Mas, a quantos o receberam, 
aos que nele creem, 
deu-lhes o poder 
de se tornarem filhos do Deus Eterno.
Estes não nasceram de laços de sangue, 
nem de um impulso da carne, 
nem da vontade de um homem, 
mas sim do próprio Deus.

E o Verbo (Jesus Cristo) fez-se homem 
e veio habitar conosco.

E nós contemplamos a sua glória, 
a glória que possui como Filho Unigênito do Pai, 
cheio de graça e de verdade.
João deu testemunho dele ao clamar: 
«Este era aquele de quem eu disse: 
'O que vem depois de mim passou-me à frente, 
porque existia antes de mim.'».
 Sim, todos nós participamos da sua plenitude, 
recebendo graças sobre graças.
É que a Lei foi dada por Moisés, 
mas a graça e a verdade 
vieram-nos por Jesus Cristo.
Ao Deus Pai jamais alguém o viu.
O Filho Unigênito, que é o Deus Filho 
e esteve entre nós, 
e agora está no seio do Pai, 
foi Ele quem o deu a conhecer”. 
Evangelho do Apóstolo João 1,1-18.

Comente comigo estas observações. Vai ser bom para nós conversarmos sobre este texto. eneaspb@gmail.com

Eneas Paulo Budel Bogucheski

eneaspb@gmail.com   41 98854 5166

       Atualizado em 30/05/2016.
Atualizado em 31/03/2026

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