quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

188.- Esperança. Procuro uma saudade, ou uma esperança.


Quero encontrar um campo limpo e livre
onde eu possa plantar uma espécie de alimento
que sacie este pobre homem, sedento de plenitude.

 

Vejo-me como alguém no meio de tantos outros
procurando algo ou alguém que acalme esta ânsia,
esta vontade engasgada,
de nostalgia ou saudade, comida ou leitura,
paisagem ou mar, ou mesmo Alguém Especial.



Estamos todos absorvidos por afazeres
que não nos motivam
a olhar para cima
ou para o lado onde a verdade se encontra
e dá o passaporte para a liberdade.



Todos nós vivemos porque nos alimentamos
com gêneros alimentícios:
temos boca e estomago.

 

Todos vivemos porque nos alimentamos
com literatura, histórias e promessas:
temos cérebro, imaginação
e um vasto campo de conhecimentos.



Todos nós sonhamos com alguma coisa a mais.

 

Não sei ainda, se é saudade ou esperança.

 

Mas a fome não é só do corpo:
comemos e saciamos o corpo,
por breves momentos.



A fome é também de conhecimento:
lemos e estudamos e nos contentamos,
só por breves momentos.

 

Mesmo alimentados e com conhecimentos,
a sede saciada, a sede persiste.

 

O que é que falta-nos, ainda?

 

Experimentamo-nos como seres humanos
incompletos e insatisfeitos.



Que tipo de alimento está faltando?

 

Será o espírito,
a alma que manifesta esta sede permanente?


 
Que tipo de alimento
alimentará o espírito insaciável?


Será que temos saudades de uma casa,
lá fora, no espaço?


Será que alguém nos falou da existência de um céu,
lá na nossa infância e é exatamente isto que está latejando
e aumentando a sede?


 
Ou a saudade?


Ou a esperança?


 
É tudo tão misterioso ainda, pois até os ateus,
os descrentes do espírito,
mantém ativa a fonte da sede insaciável.


Não, não sei nada ainda,
nem onde colocar-me, nem o que dizer.


Só sei que sinto, sei lá,
saudade ou esperanças.


 
Qual a origem e qual o significado desta sede insaciável?


Não me censurem, por favor.


Compreendam-me e ajudem-me a encontrar respostas.


 
Sou fruto desta época
em que vocês também estão vivendo.


Que grito devo soltar,
sem sentir-me envergonhado?


Agora, nem sei mais,
se não é angústia o que sinto,
ou saudade ou esperança.


Não apaguem,
não fiquem indiferentes à esta sede.


Que o ‘nada’ dentro dos baldes da nossa cultura atual,
não seja a última palavra e não nos deixem perdidos,
desorientados, sem estrelas para nos orientar.

 

Eneas Paulo Budel Bogucheski
Atualizado em 23/01/2016. 

 

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