terça-feira, 6 de janeiro de 2015

184.- Menina de coração gentil.


184.- Menina de coração gentil.

Existe por aí uma menina

que tem um coração gentil,

um dom,

na maioria das vezes natural,

e outras vezes criativo,  

imaginoso,

de fazer os outros sentirem-se

importantes

e confiantes.

 

Raramente ocupa-se consigo mesma;

é aberta e sensível à vida

dos que a rodeiam;

percebe as necessidades dos outros.

 

A menina de coração gentil

foi o despertador

do meu coração adormecido,

petrificado.

 

Fez de mim, de novo,

um menino curioso.

 

Que espécie de magia, tem você?

 

De um ser incapacitado,

tímido,

transformou-me

em um ser capaz,

confiante.

 

Tens algo

como gentileza e delicadeza

que convence sem argumentar.

 

O que você fez comigo,

menina de coração gentil?

 

Tivestes pena

ou compaixão de mim?

 

Usaste apenas teu tato,

tua intuição,

e tiraste-me da frieza

em que me encontrava.

 

E é assim que olho e lembro de ti :

delicada, gentil,

focada em mim,

sem palavras.

 

Silenciosa,

olhos vivos e brilhantes,

olhando-me,

absorvendo-me,

amando-me

sem nada fazer.

 

Entrastes em mim,

sem violência,

sem pedir permissão,

da sua maneira própria,

feminina, afetiva, atenciosa.

 

Olhar de ternura,

olhar de mãe,

de mulher.

 

Olhar que acolhe,

que penetra,

levando fogo transformador.

 

Conheço uma menina

que tem o coração igual ao seu.

 

Conheço várias mulheres

que ainda comportam-se,

a partir do coração.

 

Conheço mulheres humanas

onde o coração humano

exige comportamento

mais humano de si mesmas.

 

Conheço mulheres

ainda humanas

que sabem que todo mundo

também tem um coração

atrás da aparência ...

 

Coração que sente,

que sofre quando não é amado,

que ama quando é amado.

 

 

As mulheres são,

naturalmente,

a maneira,

o jeito de ajudar corações sofridos,

corações fechados, petrificados.

 

Quantas vezes

já me senti morto

e depois ressuscitado

por uma ‘secada’,

uma frase, um gesto de bondade,

de acolhida,

vindo de alguém,

de uma mulher de coração gentil.

 

Mulheres de coração gentil

são aquelas que aquecem inteiramente

a pessoa beneficiada

pelo fulgor da feminilidade,

dom complementar

para os homens incompletos.

 

Vocês, mulheres de coração gentil,

fazem-nos bem,

pelo jeitão de amar,

protegendo e ampliando,

alimentando o senso de valor

que cada um de nós,

homens,

temos aos nossos próprios olhos.

 

Há um enorme amor

neste mundo,

pronto a expressar-se.

 

Vocês, mulheres,

são o porta joias

onde o amor está estocado.

 

E o amor quer expressar-se,

quer revelar-se

para viver

e fazer a vida vibrar.

 

Há uma multidão de pessoas

neste mundo,

com fome

e sede de amor.

 

A imensidão das pessoas

que vivem neste mundo,

só querem, essencialmente,

manifestações amorosas,

compreensivas,

acolhedoras,

valorativas,

integrativas,

unitivas,

pacificantes,

personalizantes...

complementares.

 

Há poucas pessoas

que possuem a capacidade

de despertar,

neste mundão de pessoas,

a capacidade de amar.

 

Nestas poucas pessoas

estão incluídas as mulheres,

nascidas para amar

e ensinar a amar.

 

Menina de coração gentil

e mulher, com atenciosa cortesia

e fineza,

todos nós, homens,

precisamos de vocês

para aprender

a libertar o amor preso,

ainda infantil,

tímido,

desajeitado e guardado

nos cofres

da nossa incompleta masculinidade.

 

Precisamos de vocês,

meninas e mulheres afetivas,

carinhosas, companheiras silenciosas,

sofredoras,

angustiadas pela demora

do amadurecimento

da nossa capacidade

de demonstrar amor.

 

No nosso peito

o coração bate mais forte fisicamente,

mas mais fraco afetivamente.

 

Nós, homens,

sabemos que vocês, mulheres,

possuem coração gentil,

sutil, fino,

aperfeiçoado

na arte de amar.

 

Pobres de nós, homens,

sem o contato com vocês,

possuidoras naturais,

de corações gentis.

 

Queremos que vocês

continuem sendo sempre,

a menina,

a mulher de coração gentil,

donde brota o perfume da sensibilidade,

a carícia do carinho,

a compreensão

da nossa incompletude.

 

Meninas, mulheres de coração gentil,

continuem carregando

nossas baterias afetivas.

 

Sem o afeto

somos apenas massa bruta.

 

Nesta carência,

quem mais sofre são vocês,

amantes de verdade.

 

Meninas, mulheres de coração gentil,

socorram-nos,

pois se vocês perderem a feminilidade,

nós homens,

estaremos sufocados

pela poluição da frieza

e da indiferença,

da aridez e da apatia.

 

É desesperadamente importante

para nós, homens,

que você menina

e mulher de coração gentil,

continue sendo sempre uma menina,

de quinze, vinte, trinta,

sessenta ou oitenta anos.

 

Se você, menina,

mulher de coração gentil,

perder o que falta-nos,

a metade feminina que existe em nós,

nos transformará em pedras duras,

em estátuas de bronze,

petrificados

pela falta

da necessária sensibilidade afetiva.

 

Se os homens

se tornarem masculinos demais,

o mundo perderá o encanto,

a beleza, a harmonia,

a unidade perfeita

que existe nas nossas diferenças.

 

O mistério legal

que existe entre nós,

homens e mulheres

é exatamente a diferença

e a falta que cada um tem

da outra metade

que se encontra lá,

no coração gentil, das mulheres.

 

A outra parte,

ainda incompleta e imperfeita,

está dentro de nós, homens inacabados,

talvez ainda mal amados,

talvez ainda não amadurecidos

porque não aprendemos

a nos deixar amar.

 

Menina de coração gentil,

mulher madura,

acabada,

pronta para amar,

mesmo nas piores condições

psicológicas e humanas,

tenham piedade de nós,

homens fracos afetivamente,

carentes de afeto,

compreensão e complementação.

 

Em nome de todos os homens,

por favor, menina e mulher de coração gentil, aceitem-nos como pessoas,

teimem em cultivar para sempre

um coração cada vez mais gentil,

e assim nos tornaremos

cada vez mais,

homens complementadores.

 

*Este texto vem sendo desenvolvido desde os meus 20 anos. Ainda está incompleto. Espero receber comentários para que possa ser aperfeiçoado. As mulheres merecem. Entre em contato comigo: eneaspb@gmail.com

 
Eneas Paulo Budel Bogucheski
Atualizado em 22/05/2016.

 

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