sábado, 17 de janeiro de 2015

192.- Eternidade. Momentos especiais que constroem a eternidade.




Para quem nasce,

há um momento supremo,

aquele, em que se começa a viver.

 

Porque é um momento supremo?

 

Se tivéssemos consciência

daquele exato momento,

morreríamos de emoção,

ou de espanto.

 

Existem outros momentos especiais,

aqueles em que começamos a andar,

a dar os primeiros passos,

inseguros, cambaleantes,

assistidos pelos nossos pais.

 

Depois de andar,

chegamos a correr,

saltar, dançar, escalar,

jogar bola ...

 

Aqueles momentos

em que aprendemos

a arriscar o equilíbrio,

e andamos de bicicletas

com apenas duas rodas.

 

Olha aí, as capacidades do ser humano, guardadas, escondidas ou já atuantes.

 

Quanta gente

ainda não sabe andar de bicicleta

porque não arrisca,

porque tem medo de cair,

de esfolar-se,

e perde a oportunidade

de sentir a emoção

do domínio de si mesmo,

de impor-se e vencer dúvidas.

 

Quanta gente

não evolui porque não consegue vencer

as resistências.

 

Conheça suas resistências.

 

Estude-as

e canalize as forças

que elas produzem

para conquistar

momentos especiais.

 

Há o tempo de aprender a falar,

comunicar o que sente,

o que aprendeu,

falar daquilo que gosta,

das conquistas e dificuldades superadas.

 

 

Não sabemos bem o momento

em que começamos a entender,

a refletir, a tomar decisões.

 

Foram momentos especiais,

conquistas naturais,

mas também mereciam registros

em nossos diários.

 

Bendizemos o momento

em que começamos a compreender,

avaliando os contornos,

o histórico, as cargas

e experiências passadas

dos nossos pais,

parentes, amigos

e pessoas comuns,

extraordinárias também,

porque também conquistaram,

com esforços e superações,

as mesmas dificuldades

pelas quais todos enfrentamos.

 

Foi um grande momento

aquele em que percebi

que alguém dava importância

ao meu existir, preocupava-se comigo.

 

Eu sentia que valia a pena viver.

 

Como foi bom ter crescido

numa família e num ambiente

onde o amor, a tolerância,

a compreensão,

a aceitação fazia parte

do cardápio do dia a dia.

 

Foram tantos

os momentos especiais.

 

E apareceu o momento em que,

por ter recebido amor,

aprendi a amar.

 

Aí então tudo,

tudo recomeça a receber sentido

e significado, clareza,

motivações extraordinárias,

estupendas.

 

O colorido entra em cena

e o roteiro do filme da vida

muda completamente.

 

Esse momento é decisivo

na vida

para que ela continue

sadia e equilibrada.

 

Há o momento

do casamento com outra pessoa,

feminina, complemento,

companheira de caminhada.

 

Como é gostoso

construir uma só vida,

a dois.

 

Multiplicam-se os momentos especiais.

 

Buscar juntos

o aperfeiçoamento contínuo

através da compreensão

e incentivo das diferenças;

 

exercitar a paciência

e a tolerância

com ternura,

suavidade e compreensão;

 

andar de mãos dadas onde vamos;

 

sendo chamado carinhosamente

de gatão,

são ingredientes

que dão gosto saboroso

à esta constante busca

de momentos especiais.

 

Há o momento

da experiência da paternidade,

da gravidez partilhada,

do nascimento e crescimento

dos nossos filhos e netos.

 

 

Há nesta experiência

o momento do silêncio

diante do mistério

da parceria

no projeto da criação,

junto com o Deus

Criador de tudo e de todos.

 

Há o momento supremo da morte,

onde a gente se acalma

com a esperança

nas palavras

daquele que prometeu-nos

a Vida Eterna.

 

Na terra, no chão,

tudo resolvido.

 

Ouvi falar do Pai do céu.

 

Da mãe Maria, mãe do Jesus.

 

Então agradeço

ao momento em que senti

o dom da fé,

de acreditar no Deus

Criador de todas as coisas lindas

que existem neste mundão,

onde habito.

 

Fui atrás do Pai nosso

que está nos céus

e da Maria,

Mãe do Jesus Cristo de Nazaré,

e nossa mãe.

 

Momento supremo

da experiência infinita

de ser e sentir-se filho

do Deus do Universo,

e herdeiro de todos os bens celestiais.

 

Deixei calar fundo

em minha alma

esta verdade suprema.

 

Desde então,

voltei meus olhos também

para cima das nuvens,

além dos horizontes,

e cultivo uma esperança.

 

Os conflitos

que existiam aqui dentro,

serenaram.

 

A minha visão

consegue agora

o olhar transparente

que vê até o espírito

manifestando-se em tudo

e em todos.

 

Senti-me

com o potencial

para eternizar-me.

 

Cavei mais profundamente

e amadureci,

ainda dentro do tempo

e do espaço.

 

Tornei-me mais humano,

mas as alegrias são bem mais densas, significativas.

 

A compreensão mais abrangente,

integrando todas as realidades

numa única orquestra cósmica.

 

O próprio sofrimento,

a doença e até a morte

adquiriram a visão correta

da aceitação e sublimação.

 

A vida

tornou-se uma coleção

de momentos importantes.

 

 

Eneas Paulo Budel Bogucheski

eneaspb@gmail.com

Atualizado em 30/05/2016.
 

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