quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

190.- Aqui estou, aqui estamos.




 

Olhando para fora,

vejo você, vivo(a).

 

 

Olhando para dentro,

vejo-me vivo.

 


Pergunto-me

sobre a razão

de estarmos aqui.

 


Donde vim?



Quem me criou?

 


Para onde vou?

 



Temos mães e pais,

viemos deles.

 



Nossos pais, os avós e tataravós

também vieram para a vida.

 


Geramos filhos,

e filhas, geram nossos netos.

 



E assim vai,

a corrente da vida.

 



Toda obra de arte,

toda criação

carrega finalidades.

 



Algumas bem visíveis,

outras, estão escondidas,

esperando interpretações.

 



Olhando, escutando,

lendo,

interpretando,

procuramos entender

a mensagem do Artista.

 



Voltando às origens,

admitimos a existência

do Deus Pai, Criador de todas as coisas.

 



Olho para a resposta

que mais me convence

e me atrai.

 

 

Eis-me aqui, Criador,

fazendo parte

da imensa teia da vida,

a cadeia alimentar,

a fraternidade cósmica,

onde tudo se encaixa

dentro da linha da evolução,

em direção ao Bem maior,

à Perfeição.

 


Tenho a impressão

de ter sido criado

para uma finalidade.

 



Não estou cá,

por acaso,

castigo ou sorte.

 


Sou importante,

por isso estou aqui.

 



Se fui chamado à existência,

sinto-me grato por estar capacitado

com todas as ferramentas necessárias

para perguntar e encontrar respostas,

conhecer e planejar os propósitos

da existência.

 


Sinto-me

no dever de retribuir,

não ser indiferente

a tão grande presente,

e participar

desta extraordinária aventura.

 



- Se tenho conhecimento,

capacidade de raciocinar,

pesquisar e encontrar respostas;

 



- Se a inteligência que tenho

é para ser usada,

devo procurar penetrar

as questões

mais insondáveis e misteriosas,

ocultas,

talvez por trás da poeira da rotina,

escondidas

sob aparências ou superfícies.

 



Os bens de maior valor

sempre se encontram

nas profundidades.

 



Uma pintura,

uma obra de arte qualquer,

uma paisagem,

uma pessoa

revela muito mais

do que o observador

está vendo.

 



Numa obra de arte

há a intenção do artista

a ser decodificada

naquilo que vemos

e admiramos.

 



Uma pessoa humana,

obra de arte inacabada,

talvez também tenha alguma rica

e extraordinária mensagem

escondida, lá dentro.

 



Parece-me

que devo viver de forma coerente

com as capacidades que tenho.

 



Se tenho inteligência,

se tenho perguntas não respondidas,

ser coerente,

significa colocar-me a caminho,

ir atrás, procurar.

 



A acomodação

não combina

com coerência racional,

com capacidades não ativadas.

 



Se tenho capacidades,

para sair,

explorar,

conhecer além das fronteiras,

sentar-me,

desistir antes de começar,

revelam fraquezas,

permanência no mundo animal,

instintivo e limitante.

 



Olhando para fora,

vejo muitas pessoas

dentro do barco da vida

cultivando valores

que desaparecem com o tempo.

 



Vejo também

pessoas enganadas,

desviadas da atenção ao foco,

desatentas do farol,

que alerta,

os perigos na navegação,

quando não estão

no leme

de comando

do navio.

 



Já que estou aqui,

vivendo,

preciso saber da vida

e de tudo aquilo

que diz respeito à vida.

 


Não quero passar por esta vida

como alguém que está viajando,

navegando como turista,

sentado, irresponsável,

enterrando

os talentos recebidos

com o dom da vida.

 



É incoerente

e desrespeito ao criador,

não colocar em ação

os dons que fizeram de mim

um ser perfeito,

completo,

com capacidades

para serem colocadas em ação.

 



Não é coerente

manter dormindo

ou sufocados

os bens

que tenho ao meu dispor.

 

Se tenho um só talento,

enterrá-lo,

é perder oportunidades.

 



Se tenho um talento,

é coerente multiplica-lo.

 



Só tenho uma saída

que seja digna

da perfeição que sou:

que minha maneira de ser,

meu comportamento

e minhas atividades

respondam SIM

a tudo aquilo

que recebi de bom.

 


Já que estou aqui,

neste grande universo,

com toda esta gente,

com tantas ações e preocupações,

com a consciência desperta,

digo, EIS-ME AQUI.

 



Não posso fugir de mim mesmo,

fugir desta responsabilidade,

pois que estou vivo.

 



Manter esta postura

me mantém unido,

em conexão

com todas as forças vivas

e otimistas do universo.

 



Qualquer outra postura

me levará à divisão

e à consequente falência

daquilo que sou,

projetado para a complementação

e aperfeiçoamento contínuo.

 



Percebo sim,

as fraquezas

e limitações humanas,

as alturas

e os abismos

e os fracassos desfilando.

 



Percebo sim,

as capacidades latentes

em cada pessoa humana,

algumas ainda não liberadas,

ainda dormindo,

esperando

a hora de acordar.

 



Prefiro concentrar-me

nas possibilidades do que sou

e do que temos,

correndo riscos,

mas procurando

sempre as respostas

que vão abrindo portas.

 



Sou o filho pródigo,

de volta para a casa do Pai.



 

Eneas Paulo Budel Bogucheski

Atualizado em 01/04/2017


 

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