Olhando para fora,
vejo você, vivo(a).
Olhando para dentro,
vejo-me vivo.
Pergunto-me
sobre a razão
de estarmos aqui.
Donde vim?
Quem me criou?
Para onde vou?
Temos mães e pais,
viemos deles.
Nossos pais, os avós e tataravós
também vieram para a vida.
Geramos filhos,
e filhas, geram nossos netos.
E assim vai,
a corrente da vida.
Toda obra de arte,
toda criação
carrega finalidades.
Algumas bem visíveis,
outras, estão escondidas,
esperando interpretações.
Olhando, escutando,
lendo,
interpretando,
procuramos entender
a mensagem do Artista.
Voltando às origens,
admitimos a existência
do Deus Pai, Criador de todas as coisas.
Olho para a resposta
que mais me convence
e me atrai.
Eis-me aqui, Criador,
fazendo parte
da imensa teia da vida,
a cadeia alimentar,
a fraternidade cósmica,
onde tudo se encaixa
dentro da linha da evolução,
em direção ao Bem maior,
à Perfeição.
Tenho a impressão
de ter sido criado
para uma finalidade.
Não estou cá,
por acaso,
castigo ou sorte.
Sou importante,
por isso estou aqui.
Se fui chamado à existência,
sinto-me grato por estar capacitado
com todas as ferramentas necessárias
para perguntar e encontrar respostas,
conhecer e planejar os propósitos
da existência.
Sinto-me
no dever de retribuir,
não ser indiferente
a tão grande presente,
e participar
desta extraordinária aventura.
- Se tenho conhecimento,
capacidade de raciocinar,
pesquisar e encontrar respostas;
- Se a inteligência que tenho
é para ser usada,
devo procurar penetrar
as questões
mais insondáveis e misteriosas,
ocultas,
talvez por trás da poeira da rotina,
escondidas
sob aparências ou superfícies.
Os bens de maior valor
sempre se encontram
nas profundidades.
Uma pintura,
uma obra de arte qualquer,
uma paisagem,
uma pessoa
revela muito mais
do que o observador
está vendo.
Numa obra de arte
há a intenção do artista
a ser decodificada
naquilo que vemos
e admiramos.
Uma pessoa humana,
obra de arte inacabada,
talvez também tenha alguma rica
e extraordinária mensagem
escondida, lá dentro.
Parece-me
que devo viver de forma coerente
com as capacidades que tenho.
Se tenho inteligência,
se tenho perguntas não respondidas,
ser coerente,
significa colocar-me a caminho,
ir atrás, procurar.
A acomodação
não combina
com coerência racional,
com capacidades não ativadas.
Se tenho capacidades,
para sair,
explorar,
conhecer além das fronteiras,
sentar-me,
desistir antes de começar,
revelam fraquezas,
permanência no mundo animal,
instintivo e limitante.
Olhando para fora,
vejo muitas pessoas
dentro do barco da vida
cultivando valores
que desaparecem com o tempo.
Vejo também
pessoas enganadas,
desviadas da atenção ao foco,
desatentas do farol,
que alerta,
os perigos na navegação,
quando não estão
no leme
de comando
do navio.
Já que estou aqui,
vivendo,
preciso saber da vida
e de tudo aquilo
que diz respeito à vida.
Não quero passar por esta vida
como alguém que está viajando,
navegando como turista,
sentado, irresponsável,
enterrando
os talentos recebidos
com o dom da vida.
É incoerente
e desrespeito ao criador,
não colocar em ação
os dons que fizeram de mim
um ser perfeito,
completo,
com capacidades
para serem colocadas em ação.
Não é coerente
manter dormindo
ou sufocados
os bens
que tenho ao meu dispor.
Se tenho um só talento,
enterrá-lo,
é perder oportunidades.
Se tenho um talento,
é coerente multiplica-lo.
Só tenho uma saída
que seja digna
da perfeição que sou:
que minha maneira de ser,
meu comportamento
e minhas atividades
respondam SIM
a tudo aquilo
que recebi de bom.
Já que estou aqui,
neste grande universo,
com toda esta gente,
com tantas ações e preocupações,
com a consciência desperta,
digo, EIS-ME AQUI.
Não posso fugir de mim mesmo,
fugir desta responsabilidade,
pois que estou vivo.
Manter esta postura
me mantém unido,
em conexão
com todas as forças vivas
e otimistas do universo.
Qualquer outra postura
me levará à divisão
e à consequente falência
daquilo que sou,
projetado para a complementação
e aperfeiçoamento contínuo.
Percebo sim,
as fraquezas
e limitações humanas,
as alturas
e os abismos
e os fracassos desfilando.
Percebo sim,
as capacidades latentes
em cada pessoa humana,
algumas ainda não liberadas,
ainda dormindo,
esperando
a hora de acordar.
Prefiro concentrar-me
nas possibilidades do que sou
e do que temos,
correndo riscos,
mas procurando
sempre as respostas
que vão abrindo portas.
Sou o filho pródigo,
de volta para a casa do Pai.
Eneas Paulo Budel Bogucheski
Atualizado em 01/04/2017
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