segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

189.- Verbos. Conjugando verbos.





Logo que nasci

aprendi a conjugar verbos:

viver, chorar, mamar e dormir.

 

Crescendo,

fui aprendendo a sorrir,

brincar, correr, pular e cansar.

 

Sem querer, (estava no pacote),

aprendi verbos irregulares:

furtar, mentir, esconder,

aprontar, brigar e fugir.

 

Com gosto ou sem gosto,

fui aprendendo a conjugar verbos.

 

A inexperiência de criança

me impunha aceitar o verbo obedecer.

 

Ensinaram-me a estudar.

 

Estudando

vais conseguir conjugar os outros verbos,

mais facilmente, serás mais respeitado,

mais competente, mais poderoso.

 

Os tempos e os modos dos verbos

foram conjugados no passado.

 

 

Os tempos e os modos dos verbos

são conjugados no presente

e levam a conjugar verbos no futuro.

 

Os verbos

estão em todas as fases da vida.

 

Os verbos bons,

que ajudam-nos a evoluir

e os verbos ruins,

que cristalizam-se

como estátuas de bronze,

e nos mantém pesados,

para dar novos passos,

para os verbos do futuro.

 

A saudade

das conjugações

dos tempos e modos passados

marcaram e martelavam meu ser.

 

Carreguei nas minhas memórias

os verbos bons, positivos,

abertos, criativos e bondosos.

 

Sem querer,

vieram juntos,

gravados em cicatrizes,

os verbos irregulares

que o meio ambiente conjugou,

infiltrando-se no meu inconsciente.

 

Criaram barreiras e resistências.

 

Hoje preciso rever-me

nos cenários e palcos do Livro da Vida,

onde conjuguei todos os verbos,

em todos os tempos e modos passados.

 

Os mais velhos,

professores, experientes,

insistiam e me ensinaram

a ficar adulto depressa demais.

 

Acho que me tornei um adulto precoce,

meio na marra,

pulando a fase da adolescência,

onde eu queria descobrir,

conquistar,

curiosar sozinho,

conjugando o verbo

da independência.

 

Foi na época da minha juventude

que descobri a beleza

e o valor do verbo amar.

 

As malhas da vida,

filmes, comédias e dramas,

histórias gloriosas e sangrentas,

todas revelavam a lei fundamental do amor: onde o amor estava e onde o amor faltava.

 

Tudo foi feito por amor e com amor.

 

Onde se achasse o verbo amar,

ali havia progresso, saúde, alegria,

paz, harmonia

e todos os valores humanos dignificantes, valorosos e nobres.

 

O verbo amar

era para ser o verbo auxiliar

de todos os demais verbos.

 

Era assim que sonhei conjugar

os demais verbos,

no futuro,

quando fosse mais crescido.

 

O tempo da infância,

da adolescência e da juventude

passaram para a voz passiva.

 

Os verbos daquele tempo,

mesmo com saudades,

não consigo mais conjugar.

 

Estou dentro da bolha dos adultos,

respirando verbos tensos,

preocupantes,

racionalizando

e justificando ideais adultos.

 

Os verbos ter e competir,

aparecer e subir,

se opõem ao verbo ajudar

e partilhar.

 

Todos nos alegramos

quando vemos

pessoas envolvidas

nas ações de promoções humanas,

resgatando a dignidade,

investindo nas carências

do verbo amar.




 

Eneas Paulo Budel Bogucheski


Atualizado em 26/05/2016.
 
 

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