Logo que nasci
aprendi a conjugar
verbos:
viver, chorar, mamar
e dormir.
Crescendo,
fui aprendendo a
sorrir,
brincar, correr,
pular e cansar.
Sem querer, (estava
no pacote),
aprendi verbos
irregulares:
furtar, mentir,
esconder,
aprontar, brigar e
fugir.
Com gosto ou sem
gosto,
fui aprendendo a
conjugar verbos.
A inexperiência de
criança
me impunha aceitar o
verbo obedecer.
Ensinaram-me a
estudar.
Estudando
vais conseguir
conjugar os outros verbos,
mais facilmente,
serás mais respeitado,
mais competente, mais
poderoso.
Os tempos e os modos
dos verbos
foram conjugados no
passado.
Os tempos e os modos
dos verbos
são conjugados no
presente
e levam a conjugar
verbos no futuro.
Os verbos
estão em todas as
fases da vida.
Os verbos bons,
que ajudam-nos a
evoluir
e os verbos ruins,
que cristalizam-se
como estátuas de
bronze,
e nos mantém pesados,
para dar novos passos,
para os verbos do
futuro.
A saudade
das conjugações
dos tempos e modos
passados
marcaram e martelavam
meu ser.
Carreguei nas minhas
memórias
os verbos bons,
positivos,
abertos, criativos e
bondosos.
Sem querer,
vieram juntos,
gravados em
cicatrizes,
os verbos irregulares
que o meio ambiente
conjugou,
infiltrando-se no meu
inconsciente.
Criaram barreiras e
resistências.
Hoje preciso rever-me
nos cenários e palcos
do Livro da Vida,
onde conjuguei todos
os verbos,
em todos os tempos e
modos passados.
Os mais velhos,
professores,
experientes,
insistiam e me
ensinaram
a ficar adulto
depressa demais.
Acho que me tornei um
adulto precoce,
meio na marra,
pulando a fase da
adolescência,
onde eu queria
descobrir,
conquistar,
curiosar sozinho,
conjugando o verbo
da independência.
Foi na época da minha
juventude
que descobri a beleza
e o valor do verbo
amar.
As malhas da vida,
filmes, comédias e
dramas,
histórias gloriosas e
sangrentas,
todas revelavam a lei
fundamental do amor: onde o amor estava e onde o amor faltava.
Tudo foi feito por
amor e com amor.
Onde se achasse o
verbo amar,
ali havia progresso,
saúde, alegria,
paz, harmonia
e todos os valores
humanos dignificantes, valorosos e nobres.
O verbo amar
era para ser o verbo
auxiliar
de todos os demais
verbos.
Era assim que sonhei
conjugar
os demais verbos,
no futuro,
quando fosse mais
crescido.
O tempo da infância,
da adolescência e da
juventude
passaram para a voz
passiva.
Os verbos daquele
tempo,
mesmo com saudades,
não consigo mais
conjugar.
Estou dentro da bolha
dos adultos,
respirando verbos
tensos,
preocupantes,
racionalizando
e justificando ideais
adultos.
Os verbos ter e
competir,
aparecer e subir,
se opõem ao verbo
ajudar
e partilhar.
Todos nos alegramos
quando vemos
pessoas envolvidas
nas ações de
promoções humanas,
resgatando a
dignidade,
investindo nas
carências
do verbo amar.
Eneas
Paulo Budel Bogucheski
Atualizado
em 26/05/2016.
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