quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

197.- Arte e ciência no seu modo de olhar.



Estamos no mundo,

mas não somos do mundo.

 

Estamos no mundo da verdade.

 

Onde há verdade há luz que ensina

a ver com clareza, com profundidade,

com sabedoria e arte.

 

Eu queria ser compositor

      e compor para você,

           letras harmoniosas

                  que te fizessem flutuar.

 

Eu queria ser cantor,

                  cantar para você, 

                            canções de arrepiar.

 

Que minha boca fale contigo,

      falem meus olhos,

            minhas mãos, meus dedos,

                     todos os meus gestos

                            sejam chaves que te abram

                                  para a alteridade.

 

Que as rugas da minha testa,

as linhas da minha boca,

meu jeitão de sorrir,

meu estilo de respirar,

tudo que sou, seja para ti

um convite: venha ver

o que está nascendo,

florescendo, embelezando-se,

engravidando e dando frutos.

 

          Levante seu olhar,

             olhe para cima, e para dentro de ti,

                 para as interrogações e evidências,

                     e para fora do círculo fechado.

 

Quero abrir as janelas para ti,

     para a largueza, imensidão,

           além do chão.

 

                    Contemple a imensidão.

                    Deixe-se engravidar.


Gere dentro de ti o que olhas fora de ti.

Neste instante as portas se abrem.

 

O instante presente é importante:

 

É uma fresta pela qual

Transpassa o seu olhar.

 

O mundo não está escondido:

está escancarado.

 

O que vês?

 

Podes olhar de duas formas:

Como o Criador as fez,

ou como você, desaprendeu a ver.

 

Seu olhar foi sequestrado?

Você está vendo tudo invertido?

Seu olhar foge de ti?

Não queres ver?

 

Quase somos como os cegos,

ou resistimos, e não queremos

enxergar nossa própria imperfeição.

 

Cegos somos, quando não vemos

ou não aceitamos nossa própria

vulnerabilidade.

 

Somos cegos quando demonstramos incapacidade

para observar a nós mesmos.

 

      Acordando, repensando,

      percebemos que o nosso próprio olhar

      precisa ser recriado,

      reformado, convertido, aprimorado.

 

Prestar atenção, só ver.

Não deixar a crítica atuar,

nem o julgamento se impor.

 

Captar, deixar entrar,

deixar-se abençoar, se tudo é bom.

 

Captar, admirar, contemplar,

encontrar, comungar, unir.

 

É o olhar hospitaleiro

que faz acontecer primeiro

a intimidade, sem tocar.

 

Aquilo que vejo, não é algo,

é companhia, é relação amorosa,

benéfica, benfazeja, gratificante,

inebriante, extasiante.

 

O que vejo não é coisa,

não foge ao meu olhar,

não fica apática, mas se expõe,

se deixa ver, sem resistências.

 

Nem sempre o ver necessita do saber

o histórico desse algo, deste alguém.

 

Nem tanto o saber mental.


Saber sim, saber olhar.

 

Olhar com sabedoria,

olhar que mergulha

na profundidade

que a aparência desnuda.

 

Os olhos que te fitam

podem estar carregados

de ternura, de admiração

ou até mesmo, de compaixão.

 

Existe nobreza no olhar.

 

Sofrível é não saber onde estamos,

ou para onde iremos,

sem os olhos ou com os olhos.

 

Se perdemos o gosto de viver

é porque perdemos

a arte de olhar,

pausada, pousadamente.

 

Se o olhar

não é assim tão mais importante

é porque a vida deixou de ser valorizada.

 

Se é o olhar

que faz brotar dentro de nós

os bons pensamentos,

bons frutos produzimos.

 

Se o olhar não tem recebido

educação suficiente,

há pouca luz para enxergar

o que há de bom no universo.

 

Se o olhar for imperfeito,

trevas, escuridão,

nebulosidade, insegurança,

lamentações serão as sementes

que espalharemos.

 

Se enxergamos problemas lá fora

talvez nosso olhar

esteja desviado ou petrificado.

 

De repente é aqui dentro

que está o problema,

no meu próprio olhar.

 

Avaliamos nossa própria vida,

se é superficial ou profunda,

pela qualidade do nosso olhar.

 

Não temos e não teremos fé

enquanto não soubermos olhar.

 

Se não soubermos olhar,

com atenção, para fora, por dentro,

talvez, estejamos carregando

muita tralha, desnecessária,

pesada, sem utilidade nenhuma.

 

Antes de querer descobrir

o que há lá fora,

o olhar da introspecção,

da reflexão e da meditação

é que nos levará a perceber

que é necessário fazer

a limpeza da lente interna.

 

Aí sim, nosso olhar será místico,

misturando as coisas da terra,

com as coisas do céu.

 

“O modo como vemos

decide a qualidade do nosso viver”.

José T. Mendonça.

 

“A verdadeira viagem de descoberta

não consiste em buscar

novas paisagens,

mas em adquirir um novo olhar”.

Marcel Proust



Eneas Paulo Budel Bogucheski

eneaspb@gmail.com  41 98854 5166


Atualizado em 14/12/2016

Atualizado em 03/06/2024

Atualizado em 07/04/2026


Publicado no Blog Heipo World em 21/01/2015 

atualizado e publicado no Facebook em 14/12/2016


 

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