quarta-feira, 14 de junho de 2017

405.- Cruz. A cruz que eu carrego é a mesma que me leva.




Senhor da cruz mestre e amigo

que me conduz,

o quintal da minha cas

é tão pequeno, só um jardim

onde cabem minhas dores

eu, Você e meus amores.

 

Se não consigo viver com dores,

sem meus amores,

permita-me então, meu Senhor,

que fiquem as dores, os espinhos,

mas também meus amores, as flores.

 

Deus meu, não pedi uma cruz,

porém, deste-me um corpo

numa cruz.

 

Não recebi uma cruz de madeira,

como aquela pesada,

que destes ao vosso Filho,

o muito Amado.

 

Não compreendo como podes amar

e dar uma cruz como prova

e instrumento de amor.

 

Não me destes uma cruz

mas me destes um corpo

em forma de cruz.

 

Neste corpo, nesta cruz

carrego, enxertadas,

encravadas em minha mente,

em meu coração e em minha alma,

as pessoas com quem convivo,

e que amo,

a Jandira,

a Beth

o Fernando,

a Fernanda,

o Luiz Gustavo,

o Luiz Felipe.

 

Deus Pai que és,

não queres glória

nem sacrifícios meus,

por isto só me destes um corpo,

e neste corpo, através deste corpo,

em forma de cruz, tenho de aprender

a conformar o meu viver, meu sofrer,

com aquele do seu Filho Bem Amado.

 

Meu Calvário, minha cruz,

está bem aqui, meu corpo,

minha carne,viva, ainda revoltada,

como árvore verde, resistindo

a se deixar queimar,

em forma de incenso.

 

Tento compreender

a cruz que eu levo

e a cruz que me leva.

 

E eu, quantos dias,

quantos anos no vosso caminho,

não percebendo, não vivendo

a cruz que está em mim.

 

Deus Meu, Meu Pai,

no Teu Plano de Salvação

não me incluíste por acaso,

e por intenção,

não me destes tarefa nenhuma?

 

Por que Tu me colocaste

neste lugar, neste espaço

neste tempo, nestes anos

nesta família, de amigos e inimigos?

 

Tento compreender

a cruz que eu levo

e a cruz que me leva.

 

Veja como me comporto,

como Pedro, seu discípulo,

como quem te rejeita

e diz que não te conhece,

e como o Tiago, teu amigo

que não acreditou

no que aconteceu

depois da Cruz.

 

E mesmo assim

a sua Cruz carregou até o fim.

 

Veja como sou incompetente

na minha missão.

 

Mesmo assim, a Sua Cruz me leva,

dando-me forças para levar só o meu corpo.

 

Os outros, estes que eu amo,

estão na minha cabeça.

 

Não estão incorporados

dentro do meu corpo.

 

Estão fora.

 

Não deveriam pesar tanto,

pois que estão incluídos

mais na sua Cruz

do que na minha.

 

Tento compreender

a cruz que eu levo

e a cruz que me leva.

 

Tento compreender

como pode o amor sobreviver,

quente e forte, silencioso e humilde,

no meio das cruzes dos relacionamentos,

dentro da minha própria família.

 

Dentro da cruz

não é o nada nem o vazio

que encontro.

 

É o amor, o sentido,

a força que me leva

a prosseguir na fidelidade

ensinada pelo Filho Muito Amado.

 

Ninguém tem maior amor

do que aquele que cede

a sua própria Cruz,

seu próprio corpo,

pela vida daqueles que amamos.

 

Tento compreender

a cruz que eu levo

e a cruz que me leva.

 

Há ainda outro mistério maior

do que o mistério da vida.

 

É o mistério do sofrimento

dentro da vida.

 

 

Há ainda outro mistério, maior ainda.

É o mistério do amor dentro do sofrimento.

 

Este é o mistério do Cristianismo,

da Igreja do Jesus Cristo,

comunidade da qual fazemos parte

e na qual estamos envolvidos

no grande Corpo Místico.

 

O mundo faz propaganda

da felicidade,

mas vive dividido, separado,

ignorando a sabedoria da cruz.

 

E nós estamos no mundo,

influenciados pela vã felicidade,

fugidia, mentirosa, iludindo-nos,

afastando-nos da Verdade.

 

O Jesus da cruz

dá testemunho da paz,

da alegria, através do amor sofrido.

 

Amei sofrendo,

sofri sorrindo,

disse o poeta Frei Eurico de Melo.

 

Tento compreender

a cruz que eu levo

e a cruz que me leva.

  

A cruz que eu levo,

me é pesada,

pois que não a compreendo,

e não a aceito com alegria.

 

A cruz que me leva,

acho eu, não tem peso

pois que sou levado(a)

não sei de que jeito,

mas sinto que estou indo,

carregado(a).

 

 Estou indo, sim, carregado(a)

pois que não se abateu sobre mim,

o peso do desespero, da desistência.

 

Acho que estou sim,

envolvido(a) no Projeto Redentor

do Jesus Cristo.

 

Meu sofrer cristificado

produz efeito Redentor,

beneficiando, elevando,

dando significado ao sofrer, ofertado.

 

 Tento compreender

a cruz que eu levo

e a cruz que me leva.

 

 O meu corpo rejeita a cruz.

Não gosto da dor,

nem de sofrer.

 

 

O corpo, do velho homem,

da razão, do pensar,

da sensibilidade, do ego,

dos apegos, das minhas preferencias,

quer prazer, bem-estar,

bem sentir e conforto.

 

O meu espírito aceita a cruz.

Aceita e compreende.

oferece e entrega.

 

Não resiste,

entrega-se, doa-se,

e vem a paz para compensar.

 

Tento compreender

a cruz que eu levo

e a cruz que me leva.

 

A cruz que eu levo

é instrumento de purificação

de todas as imperfeições humanas.

  

A cruz que me leva

quer preparar-me

para entrar em íntima

e prazerosa comunicação

e convivência com o Deus,

nosso Pai.

  

O gosto

pela cruz de isopor

leva ao desgosto pela cruz

das responsabilidades cristãs.

 

E o mau humor, a contrariedade,

e a tristeza, carregam juntos

tamanho e desconfortável peso

da leveza infernal.

 

O desgosto pela leve cruz de isopor

conduz ao gosto pela cruz

do irmão sofredor.

 

E o bom humor,

a suavidade e a alegria

andam juntas,

não importando o tamanho

ou o peso da dor.

 

Tento compreender

a cruz que eu levo

e a cruz que me leva.

 

A obediência, perseverança,

Humildade e a fidelidade

ao que deve ser feito,

com infinita paciência

é tudo o que é esperado

dos passos que devo dar.

 

Um passinho atrás do outro,

com paciência, afetuosidade,

carinho, mansidão e amor

no olhar e nas mãos.  

 

Tento compreender

a cruz que eu levo

e a cruz que me leva.

 

A cruz que eu carrego

é a mesma que me leva.

 

 

A cruz que eu arrasto

é a mesma que me ajuda.

 

Como eu levo,

assim sou levado.

 

Se fujo da cruz

sou crucificado.

Se aceito a cruz,

sou libertado.

 

Como carrego a cruz,

assim sou crucificado

ou assim sou ressuscitado.

 

Quanto mais fujo da cruz

mais me afasto do Deus,

Pai do Jesus Cristo Redentor

e nosso Pai Salvador.

 

A cruz é feita

de um pedaço de madeira vertical,

apoiado na terra e ao mesmo tempo

apontando para o céu.

A outra parte é feita de um frágil

pedaço de madeira, horizontal,

enxertada na robusta madeira eterna,

vertical.

 

Assim somos nós,

natureza humana, horizontal,

enxertada na natureza divina,

vertical.

 

Nenhum pedaço de madeira é estéril.

Nenhuma cruz é infrutífera.

Toda cruz produz frutos.

 

Tento compreender

a cruz que eu levo

e a cruz que me leva.

 

Eneas Paulo Budel Bogucheski

Atualizado em 14/06/2017

eneaspb@gmail.com

Publicado no Blog Heipo`s World

e no FACEBOOK em 14/06/2017.

Atualizado em 26/02/2024

 

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