Nasci e cresci.
Obedeci.
Aceitei.
Aprendi.
E na cruz,
morri.
Crescendo vieram ao
meu encontro,
ou fui ao encontro de
encruzilhadas.
No meio das
encruzilhadas
está a cruz;
dois troncos
entrelaçados
meus braços
bem abertos,
abraçando,
e os meus pés,
fincados
na terra.
na terra.
Eu mesmo, e você,
com os braços
abertos,
somos como a cruz.
Cabeça para cima,
pés no chão.
Não foi reto
o caminho traçado.
Nossos pés
e nossos passos
tinham que ter
onde pisar.
Encruzilhadas
aparecem a todo
instante.
Não tem como
escolher:
para que lado for,
lá estão as encruzilhadas,
e as cruzes
em silhuetas
definidas.
Somos projetados
como humanos
na forma da cruz.
A felicidade,
tão sonhada e desejada,
não passa de curtos
espaços
de tempo.
Que ridículo seria,
o ser humano,
diferente
da forma
da cruz.
É.
Assim é.
Igual à cruz.
Para cada etapa da
vida,
cruzes,
lá estão as cruzes,
leves, pesadas,
desconfortáveis,
sérias, exigentes,
tirando lascas,
esfregões de lixas,
afinando,
aperfeiçoando,
lustrando
deixando pronta
a sensibilidade.
Desde pequenos
não gostamos
da disciplina,
das advertências,
orientações,
autoridade,
submissões,
lições indispensáveis
para a transposição
dos precipícios
que na vida vamos
encontrar.
Certa
vez
um
mestre,
professor,
educador,
distribuiu
uma cruz
para
cada um
dos
seus discípulos
transportarem
até
um determinado lugar,
distante
dali,
alguns
anos lá na frente.
E disse bem
claramente:
Levem esta cruz:
Vocês vão precisar.
Sem ela
não conseguirão
ultrapassar
um, apenas um obstáculo.
No começo,
aceitaram as cruzes,
nas dimensões
que cada um
conseguia carregar.
Todos, obedientes
ou revoltados,
pegaram,
cada um a sua cruz
e foram indo.
Com naturalidade,
tudo era normal,
normalidade.
Nenhuma cruz
era superior
às próprias forças.
Lá iam os alunos,
discípulos,
aprendizes.
Alguns aprendiam
logo,
assumiam as dores,
os desconfortos,
e conviviam todos,
cada um com o peso
ou a leveza da sua
cruz.
Mais na frente,
mais conhecimento,
mais experiência,
mais reflexão, mais
cultura,
mais encontros com
outros povos,
outras nações,
outros costumes.
Criatividade,
o progresso,
as invenções,
a conquista da
facilidade
no transporte das
cruzes.
No desconforto da
caminhada,
alguns caminhantes
olhando para suas
próprias dificuldades,
resolveram dar uns
retoques
em sua própria cruz.
Alguns cortaram,
encurtando o tamanho
da sua cruz original.
Menor,
mais leve,
mais espaço.
Agora, com reformas,
mais outras coisas
podia levar
Sem perceber,
do peso da cruz reduzida,
outras coisas
tomaram seu lugar.
Não era mais uma,
mas muitas outras
coisas.
Mais volume,
mais atenções,
ocupações.
A cruz,
sempre ensinando.
As outras coisas,
atrapalhando.
Discípulos bons
aprendem facilmente.
Alunos preguiçosos
procuram outros
meios.
A caminhada já ia
longe.
Olhando para trás,
pouco se via,
a memória porém,
só da cruz recordava.
Lá na frente,
montanhas se via.
Um longo vale
e um enorme
precipício.
Do outro lado,
a montanha sagrada,
o final da estrada.
Agora,
somente agora,
quase no final da
viagem,
a cruz original,
serviria de ponte.
A cruz cortada,
diminuída,
já não mais servia.
Não alcançava
o outro lado
da vida.
A cruz,
os sofrimentos,
as angústias,
se não servissem para
algo,
nas estradas da vida
não estariam.
Quem,
como bom discípulo,
quis aprender com as
cruzes
certamente é mais
forte,
mais preparado,
mais sereno,
mais maduro.
Perguntar-se
pelo sentido,
pelo significado
das cruzes e
sofrimentos
e não perceber
que foram exatamente as
situações vitais,
iguais para todos,
que foram os degraus,
em cima dos quais,
fomos construindo
nossa fortaleza,
certamente não foi
bom aluno
e cortou as bases da
sustentação
da sua própria vida,
a cruz vital que é.
Vitorioso
ou revoltado,
assim é,
um ou outro,
cada um de nós,
diante da própria cruz
e diante da cruz
dos outros.
Quem é o louco,
que vê na cruz
o símbolo da vitória?
Mas quem é o sábio
se não aceita
a cruz,
companheira da vida?
Foste alguém
que sofreu?
Então está preparado
para ir em frente.
Foste alguém
que ainda não sofreu?
Volte lá atrás
e pegue a sua cruz
original.
Se a tua visão
da cruz
e sofrimento
foi conquistada
apenas
na direção
horizontal
dos teus braços
estendidos,
significa que não
fincastes
a sua própria cruz
em profundidade suficiente
para aprenderes e firmares
em base sólida,
a dimensão
vertical
da tua cruz
que agora
se estende
céu acima.
É difícil para nós,
ocidentais aceitarmos
e assimilarmos a
pedagogia
da cruz e do
sofrimento.
O maior homem do
mundo,
aceitou e usou a sua
cruz,
e fez dela
a ferramenta mais
poderosa
da face da terra.
Nós, humanos
resistimos a esta
sábia mensagem
e continuamos em
busca
da felicidade vazia
nesta vida,
sem cruzes.
Eneas Paulo Budel Bogucheski
Atualizado em 04/07/2017
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