quinta-feira, 20 de julho de 2017

410.- Palavras. Os substantivos, com a companhia dos verbos, completam as frases da vida.




A pouca eficácia na aceitação

e assimilação dos conteúdos

de palestras, homilias, discursos,

conferências, escritos, livros,

e em todo campo da literatura,

tem explicação na descuidada persistência

em se dar valor maior aos substantivos virtuais

e aos adjetivos qualificados, deixando incompletas

as frases mais importantes da vida, sem os verbos. 

 

Convém a todo discurso, 

toda palestra ou homilia,

indicar o substantivo concreto

como referência e levar em consideração

a pessoa, o sujeito que age, que vive.

 

E, a partir do substantivo,

a referência do discurso,

acoplar os verbos ativos

para montar a frase da vida,

o discurso completo.

 

Não convence mais,

falar de virtudes,

de coragem, de humildade

de simplicidade ou de caridade.

 

Convence sim, com mais força,

mais vigor, falar de pessoas virtuosas,

de pessoas corajosas, de pessoas caridosas,

de pessoas simples, que pisam no chão da vida.

 

Em qualquer campo da comunicação,

convém substantivar,

identificar o personagem,

a pessoa que pratica virtudes.

 

Os jovens,

principalmente os espíritos jovens,

enamoram-se, admiram

e até idolatram pessoas,

líderes e ídolos.

 

Os jovens de hoje

não suportam mais

o defeito da demagogia,

tão comum em nós,

escritores e comunicadores

que ainda não nos corrigimos

deste defeito tão grave.

 

Estamos vivendo numa sociedade

cheia de defeitos a consertar,

muitas crises a nos afetar.

 

Uma bem próxima é a crise

no campo da comunicação,

da palavra virtual. 

 

Avalanche de palavras,

propagandas,

televisão ligada o tempo todo,

revistas, livros, telejornais,

panfletos, palestras, reuniões,

cursinhos, treinamentos,

rádio, músicas, outdoor,

computador, celular.

 

Estamos saturados, bombardeados,

o tempo todo, por palavras e imagens.

 

As religiões,

os pregadores de retiro,

os sacerdotes nas homilias,

os professores nas salas de aula,

os apresentadores de programas de TV,

não estão percebendo a saturação

que a palavra está provocando.

 

Existem saídas? - Sim.

 

Não podemos ficar

sem as palavras,

sem a escrita,

 sem imagens.

 

O que está em questão é a leitura

que se deve fazer do cliente,

do público que está ali na frente,

esperando beber algum conteúdo

que contenha nutrientes

para sua sede de aperfeiçoamento

personal e espiritual.

 

A grande ilusão

na qual estamos envolvidos

no mundo das palavras

é a distância que existe

entre os substantivos concretos e pessoais,

os agentes de mudanças, as pessoas,

com os mundo dos conceitos virtuais,

que não existem concretamente,

a não ser em nossa mente,

em nossas palavras.

 

O que percebemos

é que o mundo virtual não responde,

não preenche, não satisfaz,

porque estão separados

ou desencarnados

do sujeito concreto.

 

Qualquer mensagem

que seja transmitida

em que não estiver envolvida

a pessoa substantiva, será apenas som,

palavras que voam para todos os lados.

 

Para produzir ações, os verbos,

 traduzem as palavra virtuais

para atos concretos,

que só podem ser realizadas

por pessoas concretas, substantivas.

 

Preste atenção ao elaborar a sua fala,

ou o seu discurso, sua palestra ou homilia.

 

Não pregue virtudes;

fale sobre pessoas virtuosas,

pessoas que mudaram a si mesmas,

transformaram famílias

e alteraram o rumo da história pessoal,

da comunidade em que viveram,

de nações e do mundo todo.

 

Muitos substantivos próprios

são conhecidos:

 O Jesus Cristo

o Francisco de Assis,

o papa João XXIII,

o Gandhi,

a Madre Teresa de Calcutá,

o atual papa Francisco,

e outros tantos.

 

E os verbos que eles conjugaram:

aceitar, admirar, adorar, agradecer,

compreender, perdoar, servir, tolerar, ...,

são todas ações, atitudes, comportamentos.

 

Se você só fala e nada faz,

não testemunha, não mostra ações,

você mesmo se trai, demonstrando

que está vivendo no mundo virtual,

na qual todos estamos acostumados,

sem perceber, sem nada realizar.

 

E assim, comemos e nos alimentamos

da azia produzida pelo próprio estomago.

 

E vamos indo, neste mundo, sem perceber

que adotamos a filosofia da lamentação,

da tristeza e da falta de sabor pela vida.

 

Não é o falar

que nos dá satisfação pelo viver.

É o fazer que nos leva a celebrar melhoras,

conquistas e vitórias.

 

Se falas bem,

mas não fazes nada,

não és uma pessoa virtuosa,

não és um ídolo escutado, nem seguido.

 

Calar-se e fazer com a boca fechada,

convence mais, e cativa mais admiradores.

 

Falar é dizer ao vento.

Fazer é enobrecer o espaço e o tempo.

 

Quando não se tem o que fazer,

fala-se sem parar.

 

Quando só se fala

e não se aponta algo concreto,

todo mundo vai embora

sem saber para onde ir,

nem o que convém fazer.

 

O mundo das palavras

é como o mundo dos alimentos.

Comemos mil gramas

e aproveitamos dez.

Lemos um texto

de setecentas palavras

e assimilamos sete, ou nenhuma,

se a azia, ou a crítica estiver ativada.  

 

Eneas Paulo Budel Bogucheski

Atualizado em 20/07/2017.

eneaspb@gmail.com

Publicado no Blog Heipo World

e no FACEBOOK em 20/07/2017.

Atualizado em 23/02/2024.

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