Para viver neste mundo,
muito recebi.
Outras vezes,
mesmo apanhando,
merecidamente,
também recebi,
aprendi,
e agradeci.
Aventuras
e caminhos,
subidas
e escaladas.
Poucas
descidas.
Muitas pessoas
ajudaram-me
a perceber
quanto fracos
e imperfeitos
somos,
no conviver,
no esperar,
no que crer,
no que aceitar,
o que buscar.
Egoísta nasci,
egoísta me formei.
Tarde percebi
do egoísmo
me despir.
Longe de ‘casa’,
órfão,
me deformei.
Saudades dum lugar
nas entranhas cultivei.
Nos mil caminhos
por onde andei,
preguiçoso,
procurei atalhos.
Porque me desviei,
demorou mais.
A sede saciada,
aumentava.
Tinha que encontrar
o que buscava.
Uma ânsia
ou uma saudade
me puxavam,
me empurraram.
Expectativas
não satisfeitas.
Um manto invisível
dentro de um lar infinito,
filho protegido me sentia,
e andei,
muitas vezes,
na noite,
aceitando
o sereno do céu.
Um novo lar,
certo dia antevi,
e no espaço infinito,
meu coração dilatou,
e quase explodiu.
Um bom amigo
de longe veio e acenou,
fui me achegando
e percebendo que
nele não havia egoísmo.
Demorei
mas aprendi.
O tempo do egoísmo
esgotou.
Estragou
mas adubou.
Sem cerimônias
e sem propagandas,
do orgulho me despi,
do poder abdiquei.
Um caminho recusado,
cheio de paradoxos,
farto de apoios invisíveis
para meus pés,
arrisquei.
O egoísmo
preguei na Cruz.
Deste madeiro
brotou um novo ramo,
e uma nova forma de viver.
A busca encontrou
o novo caminho,
agora,
sem atalhos.
É neste caminho
que devo ir?
Mas a porta é estreita!
e apertada!
Minha garganta é pequena,
é duro de engolir.
Devo morrer ...
... para viver...
E nesse caminho,
não há atalhos.
É por ali ...
... siga aquela Cruz.
Eneas Paulo Budel Bogucheski
Atualizado em 05/07/2017
eneaspb@gmail.com

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