segunda-feira, 8 de abril de 2019

628.- Dinheiro e paz. Os dois patrões




Quais valores devem ocupar
nossos pensamentos e ações,
nossas buscas e ideais,
gastar nossas energias,
ocupar nosso tempo,
irradiar nossos dias
e fazer brilhar
nossos olhos?

Aprendi com o tempo
a considerar o dinheiro,
como consequência,
não como objetivo.

Experimentei que o dinheiro,
foi um mau patrão,
pois me deixava sempre tenso,
com o tempo todo,
totalmente ocupado
com as agendas,
para ter,
servindo-o sempre,
como o primeiro
em tudo.

Então decidi trocar de patrão,
alguém que me deu a vida,
de graça,
até a liberdade
de escolhê-lo
ou rejeitá-lo,
e que não exige nada
além de viver.

Fui aprendendo
com os desapegados
a buscar em primeiro lugar
a paz e a justiça,
e tudo o mais,
a partir de então,
veio vindo,
de acréscimo,
com sobras.

E a vida
foi se tornando
cada vez mais leve.

Quando deixei
de me ocupar
com o que me faltava
percebi,
tudo o que me sobrava. 

Foi sobrando tempo
para admirar o canto
e a liberdade dos pássaros.

Sobrava tempo
para olhar para cima,
e ver as nuvens,
como figuras,
simbolizando pessoas,
passeando no céu.

Sobrava tempo,
para assistir,
todos os dias,
o espetáculo
do pôr do sol.

E de noite,
ainda sobrava tempo
para namorar as estrelas,
e relembrar as velhas amizades.

E sobrava tempo
para dormir
o sono tranquilo,
desapegado das coisas,
pensando e sonhando
com as pessoas queridas.


Eneas Paulo Budel Bogucheski
Atualizado em 08/04/2019









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