quarta-feira, 8 de maio de 2019

634.- Criança pura, que faço para seduzir-te?




Você não é mais
como uma criança teimosa,
birrenta, de 3 anos de idade,
mas, muito da criança rebelde
ainda se mantém
na sua imaturidade
de adulto.  

Por quê,
tanta resistência,
indiferença,
ou desconfiança,
diante das palavras,
ou da arte e da poesia,
da bondade e da cortesia?

O que você deixou
acontecer contigo?

O teu coração endureceu?

Sua atenção não faz mais,
conexão amorosa,
afetiva,
com as coisas,
paisagens
e pessoas?

Você foi crescendo
ficando adulto(a),
decepcionando-se,
perdendo o que de melhor
já tinha conquistado.

Até parece que nascemos perfeitos,
como as crianças,
e vamos, com o tempo,
perdendo nossa originalidade,
ao nos transformarmos em adultos.

Como desenterrar
aquele teu verdadeiro eu,
lá das profundezas?

O teu eu mais profundo,
é ainda uma criança,
inocente,
leve,
solta,
pura,
desarmada,
criativa e cativante.

É dela(e)
que estou
apaixonado.

O teu eu,
superficial,
é um adulto,
deformado pelas ganâncias,
que nada acrescentam
ao que você é,
lá no fundo,
e que te define,
um ser precioso,
original.

O que ainda me falta
para seduzir-te?

Levar-te para dançar,
ou jantar fora,
passear nos campos,
escalar montanhas,
ceder,
entregar-me
sair de mim
ou perder-me?

A criança,
quer ainda,
historinhas,
fantasias,
faz de conta,
e acreditar.

Não vi ainda,
nenhuma criança
deprimida.

Mas vi muito adulto,
ter vergonha de brincar,
soltar-se, dar gargalhadas,
libertar-se das seriedades,
e das máscaras sociais.

Criança ri,
brinca,
erra,
cai,
se machuca,
chora,
canta errado,
mas é autenticamente criança,
solta,
descomprometida,
sem censura pessoal,
grupal
ou social;
é cem por cento,
original, inteira.

Expressa-se
e vive o que é,
sendo,
criança.

Estou apaixonado
pelo teu eu,
profundo,
aquele,
verdadeiro,
original,
aquela criança,
alma gêmea,
amante.  


Eneas Paulo Budel Bogucheski
Atualizado em 08/05/2019

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