domingo, 4 de agosto de 2019

654.- Céu. Estrelas. Aí de nós se não olharmos para cima.



 
Terráqueo nascemos.

Mas, como terráqueos
não queremos permanecer,
pois não está em nossa natureza,
permanecer só o que somos.

Inquietos estaremos
enquanto não conseguirmos
aprender a ler e escutar
o que dizem as estrelas.


Se não olharmos para fora,
para cima,
passaremos por esta terra
como lagartas
que se alimentam de tudo
menos das folhas verdes,
da esperança,
que nos transformam
em borboletas.


Se olharmos para cima,
conseguiremos decifrar
as mensagens
que vem de lá.


Toda noite,
um espetáculo
um show se apresenta
no céu,
chamando a atenção,
desejando despertar
a capacidade
de contemplação,
a perguntar-se e admirar-se,
pela estadia de cada um,
aqui na Terra,
e pelo futuro,
desejado e alcançado
depois de entender
a linguagem
do Criador
dos Universos.  


Não somos assim tão insignificantes,
se fomos chamados à vida,
se aqui estamos,
não surdos,
nem cegos,
nem irracionais,
pois conseguimos escutar,
olhar, perceber,
o que somos,
o que nos circunda
e o que está lá longe,
chamando
e esperando-nos.

Um desejo profundo
lateja dentro de nós:
transformar-nos
em criaturas celestiais,
eternas.

Não existe o tão longe
que nossos olhos
não vislumbrem
e nossas almas
não alcancem
num piscar
de olhos.

Por entre os astros e estrelas
do espaço Infinito,
os olhos
nos levam a crer
na existência
e na bondade
do nosso Paizão.

Foi Ele
que fez tudo,
e tudo, para nós.

Só pode ser essa a razão
de nos ter dado a vida.

Para qual finalidade
nosso Pai iria criar estrelas?

Para serem inúteis,
sem finalidade?

Perguntamos,
para quê,
para quem?

Algumas estrelas
nascem para brilhar,
como o sol.

As outras estrelas
terão outras finalidades.

Talvez acampemos lá,
no próximo estágio.

Acima, bem acima,
há uma altitude
que não conseguimos alcançar.

Acima, bem acima,
há uma altura,
que nossos recursos
ainda não conseguem abraçar.

Mas aí de nós,
se não olharmos
para cima.

Quem foi que criou
toda essa grandiosidade,
as distancias entre as estrelas,
o tamanho do Universo?

Nosso Paizão dos céus
não é um enganador,
é encantador,
revelando-se
através da sua Criação.

Ele fez tudo o que existe,
para todos nós.

Que tipo de olhos
enxergam o invisível?
- O Olhar contemplativo.

Percebemos então
que necessitamos
aperfeiçoar
estes fracos olhos
para antecipar
novas conquistas.


                                    Esta é a minha ambição:
                                 seguir a estrela.
                              Não importam os fracassos.
                         Não importa a longa distância
                    Lutar pelo que é justo,
              sem hesitar nem duvidar.
         Estar disposto a descer ao inferno
    por uma causa divina.
    Sonhar o sonho impossível
         Lutar contra o inimigo invencível
              Suportar a tristeza insuportável.
                  Chegar aonde os heróis não chega.
                      Corrigir os erros irreparáveis.
                           Amar além do amor puro e casto.
                               Lutar com os braços esgotados.
                                    Alcançar a estrela inatingível.*
              Miguel de Cervantes*.
*Miguel de Cervantes Saavedra 29/09/1547-22/04/1616. Foi escritor, romancista e poeta espanhol. Nasceu em Alcalá de Henares e morreu em Madri, Espanha. Autor do Livro: Dom Quixote de La Mancha. 

Se não olharmos para cima
nosso pescoço ficará duro.

Se não olharmos para cima
nossos olhos
só olharão
para a frente.

Se não olharmos para cima
nada de interessante
e libertador
será transferido
para dentro
da nossa alma.

Aí o vazio
e a depressão
preencherão
os espaços destinados
a tudo aquilo que nossos olhos
não contemplaram,
e não intuíram,
lá de cima.

Ai de nós,
se não olharmos para cima.

Seremos
como os mendigos,
que carregam uma fortuna
em sua mochila
e não sabem como gastar.



Eneas Paulo Budel Bogucheski            
Atualizado em 02/02/2016
Atualizado em 04/08/2019
eneaspb@gmail.com 


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