terça-feira, 6 de fevereiro de 2024

886.- Crianças, o adulto é irresponsável porque perdeu suas criancices.

 

As crianças

vivem no mundo natural,

e por isso, são felizes.

 

Os adultos

criaram o mundo artificial,

e se ferraram.

 

Se o mundo de hoje ainda não é o ideal

é porque não permitimos aos adultos

mostrarem sua criança interior

e expressarem suas criancices.  

  

Poucas crianças tiveram

infância completa.

 

Hoje,

poucas pessoas

sabem ser adultos equilibrados

porque não permitem mais as

expressões da sua criança interior.

 

Procurar a criança

que vive em cada um de nós

é um esforço para buscar,

para encontrar e para acordar,

a criança que ainda somos,

raquítica, machucada, carente.

 

Essa criança que nos habita

continua com o desejo

de ser de novo amada,

colocada no colo,

necessita de carinho e ternura,

e ainda quer receber os doces

que não comeu,

e brincar com os brinquedos

que não teve.

 

Convém consertar

a nossa infância

e voltar a ser de novo,

inteiro(a), completo(a),

reajustado(a),

natural e espontânea.

 

Se não voltarmos lá atrás,

se não refizermos,

se não consertarmos

nossa infância original,

através de algumas técnicas de revisão,

não conseguiremos viver nossa vida de adultos

de forma equilibrada, vibrante e entusiasmada.

 

Observe-se como você se comporta

quando não obtém o que quer:

sapateia, explode, grita, resmunga.

 

É a criancinha machucada,

revelando-se.

 

É o adolescente revoltado

que ainda persiste

dentro de cada um de nós. 

 

Fazer, de vez em quando,

uma parada, num parque,

e envolver-se com a criançada

para ver se encontra oportunidades

para consertar

o que não foi satisfatoriamente

vivido na infância.

 

Sair de dentro do concreto, da cidade,

ir para fora, para a casinha no quintal,

e respirar ar puro,

comungar com a natureza,

recuperar a inocência original.

 

Amar, gostar de ser transparente,

não ligar para as etiquetas,

andar descalço, pisar na grama,

subir nas árvores.

 

Experimentar de novo a alegria,

e a liberdade de viver.

 

Perceba-se como adulto,

mas deixe a sua criança

se expor, sem censuras, sem travas.

 

Perceba que,

mesmo como adultos,

não gostamos de viver

neste mundo de adultos,

sérios, tensos, preocupados,

envoltos em objetivos 

despersonalizantes, desumanizantes, 

incoerentes, mentirosos, tristes,

acabrunhados, desajeitados 

e estressados.

 

A criança vive o momento presente.

Não está contaminada ainda

pelas ambições do ter.

 

Ela apenas vive

o ser que é: desapegada,

fora da jaula, exercitando criancices.

 

Todos nós queremos ser de novo,

crianças felizes, livres,

solta, despreocupada

com o nosso mundo de adultos.

 

Queremos ser espontâneos(as).

não sentir tanta pressão,

não ter de usar tantas máscaras.

 

Queremos sorrir. Dar gargalhadas.

Queremos brincar, pular corda,

andar na chuva.

 

Permitam-se soltar sua criança.

 

Sinta-se, observe-se

que uma criança insatisfeita

vive dentro de cada um de nós.

 

No mundo adulto há muita censura,

muitos freios, convenções, críticas,

e o poder ... de estragar as crianças.

 

Essas atitudes adultas, racionais

não deixam mais as crianças

expressarem-se, ser o que são.

 

Você e eu a sufocamos,

amordaçamos,

e não a deixamos mostrar

o que tem de original.

 

Essa seriedade limita

a criança infeliz

que ainda existe

dentro de nós.

 

Perceba em você

estas duas personalidades,

em conflito:

você necessita ser adulto  

e a sua criança quer ser criança.

 

E você, o adulto em você,

vence pela força,

e se apresenta rígido, firme,

grosso, autoritário ...

e não percebe que está perdendo

a espontaneidade, a transparência,

a simplicidade, a meiguice,

a suavidade, a leveza de ser,

a alegria de simplesmente, viver. 

 

Como criança,

não quero atrapalhar a sua vida,

mas você já não percebe mais

o quanto se perdeu,

como você age,

confuso e atrapalhado,

pesado e de difícil trato,

com as outras pessoas.

 

Convém, de vez em quando

refletir, pensar, avaliar-se

como criança.

 

Se você está ou se sente insatisfeito

pode ser que a sua criança ainda

não viveu todas as suas criancices.

 

Aventure-se, de novo,

a procurar e reencontrar

a criança, que fomos, um dia.

 

Se você não me deixa

agir como criança

chegaremos mais rapidamente

à velhice e desperdiçaremos

o lado bom da vida,

aquele, da nossa infância.

 

Deixe-me ser criança

junto com você

e a vida vai nos respeitar

e nos pegar no colo,

e vai nos levar a passear

e a tomar sorvetes,

lambuzar as mãos,

sujar a roupa,

mas, pelo mais,

sentir o sabor da criancice.

 

Acho que ainda não somos

suficientemente sábios

em degustar juntos

a vida que temos.

 

Eneas Paulo Budel Bogucheski

eneaspb@gmail.com

Criado e publicado no Blog

e no FACE em 06/02/2024

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