As crianças
vivem
no mundo natural,
e
por isso, são felizes.
Os
adultos
criaram
o mundo artificial,
e
se ferraram.
Se
o mundo de hoje ainda não é o ideal
é
porque não permitimos aos adultos
mostrarem
sua criança interior
e
expressarem suas criancices.
Poucas
crianças tiveram
infância
completa.
Hoje,
poucas
pessoas
sabem
ser adultos equilibrados
porque
não permitem mais as
expressões
da sua criança interior.
Procurar
a criança
que
vive em cada um de nós
é
um esforço para buscar,
para
encontrar e para acordar,
a
criança que ainda somos,
raquítica,
machucada, carente.
Essa
criança que nos habita
continua
com o desejo
de
ser de novo amada,
colocada
no colo,
necessita
de carinho e ternura,
e
ainda quer receber os doces
que
não comeu,
e
brincar com os brinquedos
que
não teve.
Convém
consertar
a
nossa infância
e
voltar a ser de novo,
inteiro(a),
completo(a),
reajustado(a),
natural
e espontânea.
Se
não voltarmos lá atrás,
se
não refizermos,
se
não consertarmos
nossa
infância original,
através
de algumas técnicas de revisão,
não
conseguiremos viver nossa vida de adultos
de
forma equilibrada, vibrante e entusiasmada.
Observe-se
como você se comporta
quando
não obtém o que quer:
sapateia,
explode, grita, resmunga.
É
a criancinha machucada,
revelando-se.
É
o adolescente revoltado
que
ainda persiste
dentro
de cada um de nós.
Fazer,
de vez em quando,
uma
parada, num parque,
e
envolver-se com a criançada
para
ver se encontra oportunidades
para
consertar
o
que não foi satisfatoriamente
vivido
na infância.
Sair de dentro do concreto, da cidade,
ir
para fora, para a casinha no quintal,
e
respirar ar puro,
comungar
com a natureza,
recuperar
a inocência original.
Amar,
gostar de ser transparente,
não
ligar para as etiquetas,
andar
descalço, pisar na grama,
subir
nas árvores.
Experimentar
de novo a alegria,
e
a liberdade de viver.
Perceba-se
como adulto,
mas
deixe a sua criança
se
expor, sem censuras, sem travas.
Perceba
que,
mesmo
como adultos,
não
gostamos de viver
neste
mundo de adultos,
sérios,
tensos, preocupados,
envoltos em objetivos
despersonalizantes, desumanizantes,
incoerentes, mentirosos,
tristes,
acabrunhados, desajeitados
e estressados.
A
criança vive o momento presente.
Não
está contaminada ainda
pelas
ambições do ter.
Ela
apenas vive
o
ser que é: desapegada,
fora
da jaula, exercitando criancices.
Todos
nós queremos ser de novo,
crianças
felizes, livres,
solta,
despreocupada
com
o nosso mundo de adultos.
Queremos
ser espontâneos(as).
não
sentir tanta pressão,
não
ter de usar tantas máscaras.
Queremos
sorrir. Dar gargalhadas.
Queremos
brincar, pular corda,
andar
na chuva.
Permitam-se
soltar sua criança.
Sinta-se,
observe-se
que
uma criança insatisfeita
vive
dentro de cada um de nós.
No
mundo adulto há muita censura,
muitos
freios, convenções, críticas,
e
o poder ... de estragar as crianças.
Essas
atitudes adultas, racionais
não
deixam mais as crianças
expressarem-se,
ser o que são.
Você
e eu a sufocamos,
amordaçamos,
e
não a deixamos mostrar
o
que tem de original.
Essa
seriedade limita
a
criança infeliz
que
ainda existe
dentro
de nós.
Perceba
em você
estas
duas personalidades,
em
conflito:
você
necessita ser adulto
e
a sua criança quer ser criança.
E
você, o adulto em você,
vence
pela força,
e
se apresenta rígido, firme,
grosso,
autoritário ...
e
não percebe que está perdendo
a
espontaneidade, a transparência,
a
simplicidade, a meiguice,
a
suavidade, a leveza de ser,
a
alegria de simplesmente, viver.
Como
criança,
não
quero atrapalhar a sua vida,
mas
você já não percebe mais
o
quanto se perdeu,
como
você age,
confuso
e atrapalhado,
pesado
e de difícil trato,
com
as outras pessoas.
Convém,
de vez em quando
refletir,
pensar, avaliar-se
como
criança.
Se
você está ou se sente insatisfeito
pode
ser que a sua criança ainda
não
viveu todas as suas criancices.
Aventure-se,
de novo,
a
procurar e reencontrar
a
criança, que fomos, um dia.
Se
você não me deixa
agir
como criança
chegaremos
mais rapidamente
à
velhice e desperdiçaremos
o
lado bom da vida,
aquele,
da nossa infância.
Deixe-me
ser criança
junto
com você
e
a vida vai nos respeitar
e
nos pegar no colo,
e
vai nos levar a passear
e
a tomar sorvetes,
lambuzar
as mãos,
sujar
a roupa,
mas,
pelo mais,
sentir
o sabor da criancice.
Acho
que ainda não somos
suficientemente
sábios
em
degustar juntos
a
vida que temos.
Eneas
Paulo Budel Bogucheski
Criado e
publicado no Blog
e no FACE
em 06/02/2024

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