Este texto é fruto de uma pesquisa
sobre Poesia, feita no Dicionário de Filosofia
Nicola Abbagnano,
Editora Martins Fontes,
SP. 2007, páginas 894 a 899.
Cito no final a relação dos filósofos,
pensadores, poetas e escritores
que foram pesquisados, inspirados
no que foi escrito logo após a expressão
“bem que quer”.
O conteúdo principal da poesia
é o sentimento, as emoções.
São as emoções que demonstram
que estamos agindo, ativos, bem vivos.
Este longo texto quer mostrar que o sensível
é a qualificação central da poesia.
É sobre a sensibilidade
que investimos um bom tempo
para que tenhamos sabor
em nossos relacionamentos.
Convém a cada um conhecer-se
e valorizar-se como possuidor de sentimentos,
de emoções, de dinamismo, de vida.
Este é o ponto de partida
para que sinta o prazer de viver.
A poesia é a arte,
no seu lado emocional.
E a poesia pode ser
uma excelente professora.
Então, o que bem quer ensinar, a poesia?
Bem que quer:
Transformar o dia comum
num dia espetacular
descobrindo os interesses das pessoas,
ou despertando-as para o que interessa
e responde plenamente aos desejos mais profundos,
aquela sede insaciável, aquela expectativa
ainda não satisfeita.
Se tens sensibilidade,
não se contente com o não sabor,
com o sem sentido,
com o vazio e a tristeza.
- Bem que quer
manter fidelidade à função emotiva,
fidelidade à significação,
fidelidade à verdade,
fidelidade ao dever,
fidelidade aos valores permanentes,
fidelidade à liberdade.
- Bem que quer
mostrar o peso e a importância
do valor e do significado moral,
como professora atenta ao ensino,
despertando faculdades
de raciocínio reflexivo,
amadurecendo responsabilidades,
o respeito e o encantamento
diante dos outros.
- Bem que quer
fazer durar muito tempo
o que é gostoso.
É da dimensão
mais profunda, mais real
e mais verdadeira do ser humano,
a via dos sentimentos.
É própria
da sabedoria,
do bom
senso
e da
maturidade,
escolher o
que é bom,
a beleza, a
bondade,
escolher o
que agrada
e
realiza-nos como pessoas humanas.
- Bem que quer
ensinar as pessoas comuns
a se tornarem extraordinárias.
É a paixão que brota
dos sentimentos que oferece
a resposta ao sentido da vida.
- Bem que quer,
transmitir e transferir
a linguagem emotiva, estimulando
o despertar das emoções
e mudanças de atitudes.
É o apaixonado, a apaixonada
que curte a
vida, contagia os outros,
a ser
mais.
- Bem que quer,
despertar a função emotiva,
escondida, velada ou revelada,
escrita ou subentendida
em cada texto.
Emoções
sadias
necessitam
vir à pele,
expressar-se,
comunicar
suas
riquezas.
Se o rosto arde, queima,
a poesia, a
arte ou o amor
anda por
aí.
Permita que
as emoções
te digam
que está vivo ou viva.
A poesia produz,
desperta e cria as emoções.
A emoção absorve-nos
por inteiro.
O motivo
está fora,
o
processamento emocional é interno.
Despertando
as emoções, a alegria explode,
a
contemplação admira, o mundo todo se acende,
monta arco íris, e as pinturas nas nuvens,
no céu, fazem
o resto, o espetáculo.
- Bem que quer
despertar para que as pessoas degustem
e tenham os mesmos pensamentos
e sentimentos que os fazem curtir
cada coisa simples em exposição
no palco da vida.
Abrir os olhos,
ver as
flores.
Olhar para cima,
admirar as estrelas.
Abrir os ouvidos,
escutar canções
dos pássaros,
distinguir vozes afetuosas.
Sentir o frio, o calor,
suar as mãos, pisar descalço
o chão acolhedor.
- Bem que quer
dar vida a todo e qualquer elemento
disponibilizado a cada um de nós,
mostrando a bondade e a familiaridade
de cada elemento, facilitando
e suavizando a vida a todos nós.
Tudo que há no universo
é irmão ou
irmã, fraterna,
faz bem, é
benéfica, ajuda,
equilibra, unifica
e fortalece-nos.
- Bem que quer
despertar o raciocínio
para a decodificação
do simbólico escondido
ou revelado em cada palavra,
cada frase, cada texto,
cada expressão, cada pessoa.
Cada
elemento,
cada pessoa
é uma senha
que quer
ser decodificada
para te
fazer feliz.
- Bem que quer
lembrar e sustentar
valores já conhecidos
ou explorar novos valores.
A experiência vai ensinando
onde estão os
valores,
que
respondem, que perduram
e que
deixam saudades
quando
ausentes.
- Bem que quer
revelar, cultuar, valorizar
e curtir a beleza
em todas as formas, cores,
gestos e elementos da natureza,
seja ela natural ou humana.
A beleza
percebida
demonstra a
perfeição
da potência
sensível
da pessoa
humana.
A beleza, a
arte percebível
é atestado
da perfeição
dos órgãos
da percepção
do ser
humano.
Se a beleza
já existe,
a poesia procura
dar ritmo,
aperfeiçoar
a beleza
com os bons
afetos,
bons
sentimentos,
boas
intenções, boas ações.
- Bem que quer
ensinar a acolher
tanto o prazer como a dor,
tanto o bem como o mal,
como um casal que se ajusta,
superando-os, alcançando
a harmonia na sábia convivência.
A vida é um
pacote
que veio
com tudo dentro.
Não dá para dispensar
o que não
gostamos
pois o que
nos incomoda,
desacomoda-nos
e empurra-nos
para a
maturidade e para a evolução.
- Bem que quer
insistir e mostrar
a extensão do infinito,
que originam forças para vencer
as angústias do mundo finito.
É o mistério transcendental
que abre o
ser humano,
que o tira do
mundo do absurdo.
- Bem que quer
esforçar-se para revelar
um ideal de perfeição,
mesmo que esteja lá longe,
distante dos nossos pés,
mas próximo o suficiente
dos nossos ideais.
Onde estamos
é o ponto
de partida,
o aeroporto
da decolagem.
- Bem que quer
mostrar que aquilo
que a gente pensa que é,
de repente descobre
que realmente já é.
E se alegra.
E se
conhece capaz.
E quer
continuar neste caminho
que traz compensações,
abrindo as
portas
que estavam
fechadas,
sem chaves,
sem saídas.
- Bem que quer
fazer perceber a essência
de todas as coisas,
perceber-se que é o objeto,
o ser vivo dentro da poesia.
É de mim, de
você,
da minha
pessoa,
da sua
personalidade,
do que podemos
ser, que trata a poesia.
Sou eu.
É você.
Somos nós
o sujeito
passivo e ativo
de toda
arte.
- Bem que quer
expressar-se com liberdade,
sem obediências a leis rígidas,
quadradas, fechadas, determinantes,
por isso desperta a própria liberdade
de interpretação do leitor.
- Bem que quer
condensar e abreviar as palavras,
encurtar seu tempo
e seus caminhos,
dar-te o que necessitas
tão logo estejas precisando,
mas há o esforço a ser feito
que não pode ser dispensado
para que o conteúdo seja percebido,
trabalhado, apreendido e aproveitado.
Dar a cada
palavra
a energia e
a força de explosão,
em sua
mente
e em seu
sensível coração
Dar maior força
e maior
significado
às palavras
desgastadas,
purificá-las,
mantê-las eficientes,
renová-las e
aperfeiçoá-las.
Se a
palavra é usada
em qualquer
lugar
sem
qualquer respeito,
na poesia, a
palavra tem valor,
quer ser como
o despertador
exercendo a
função de acordar
para o dia a
ser preenchido
com a
densidade da arte.
- Bem que quer
levar a sentir, com o sentimento,
o que a beleza produz nos pensamentos,
na pele, no sangue e na alma da gente.
Me faz
sentir vivo, vibrante.
- Bem que quer
manter a arte, a poesia,
na sua forma artesanal,
fora das séries repetitivas.
Tanta
variedade, tanta criatividade,
poder
oculto da divina artista, a natureza,
e do divino
Artista, o Deus Criador.
- Bem que quer
revelar que admiramos
porque temos alma;
sentimos, porque temos corpo;
vivemos e existimos
com tantas capacidades
que nos enriquecem.
- bem que quer
derreter resistências,
quebrar almas duras,
ressuscitar almas mortas,
limpar a neblina dos espelhos,
tirar a rotina do caminho,
convidar-nos a descer
do trem automático.
- Bem que quer
sugerir andar descalço
na grama, na lama,
nos riachos rasos
e em cima das folhas secas.
- bem que quer
despir-se do supérfluo,
vestir-se da transparência pura,
inocente, original.
- bem que faz
distinguir as obras perenes, sólidas,
das criações perecíveis
que o tempo gasta e o vento esvoaça.
- Bem que faz
a pessoa perceber
que tem tudo isso dentro de si:
a perenidade,
o senso do eterno, pois que eterna já é,
e por isso percebe a eternidade em si,
que julga, ama e admira
o provisório, o passageiro
e a ele não se submete,
mas faz a ponte das belezas naturais
com a Beleza Permanente.
- Bem que nos faz
experimentar a mais alta sensação
do êxtase.
Talvez seja
essa
a mais alta
experiência de plenitude
que a
pessoa consegue experimentar,
sem
explodir.
- Bem que não quer ter fim utilitário,
ou monetário, nem quer se submeter
a qualquer norma limitativa,
por isso seus efeitos são revolucionários,
como os jovens rebeldes em busca de autonomia
e independência.
Escritores, filósofos,
poetas e pensadores pesquisados:
Giambattista Vico,
Ivor Armstrong Richards,
Charles Kay Ogden,
William Morris,
Friedrich Hegel,
Benedetto Croce,
Friedrich Schiller,
Freidrich Schelling,
Martin Heidegger,
Gustave Flaubert,
Théophile Gautier,
Charles Baudelaire,
Walter Pater,
Oscar Wilde,
Edgard Allan Poe,
Thomas Stearns Eliot,
Paul Valéry,
Pierre Dupont,
Stéphane Mallarmé,
Ezra Pound,
Hans Georg Gadamer,
Gianni Vittimo.
Convido-te a pesquisar este campo.
Talvez você se descubra
um talento escondido,
pronto a deslanchar.
Eneas Paulo Budel Bogucheski
Atualizado em 30/07/2017
O texto original (352, de 30/07/2017)
foi desmembrado em vários textos.
Atualizado em 21/02/2024.
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