quinta-feira, 22 de fevereiro de 2024

891.- Poesia. A poesia é a arte que te leva a curtir melhor a vida.

 

Este texto é fruto de uma pesquisa

sobre Poesia, feita no Dicionário de Filosofia

Nicola Abbagnano,

Editora Martins Fontes,

SP. 2007, páginas 894 a 899.


Cito no final a relação dos filósofos,

pensadores, poetas e escritores

que foram pesquisados, inspirados

no que foi escrito logo após a expressão


“bem que quer”.

 

O conteúdo principal da poesia

é o sentimento, as emoções.

 

São as emoções que demonstram

que estamos agindo, ativos, bem vivos.

 

Este longo texto quer mostrar que o sensível

é a qualificação central da poesia.

 

É sobre a sensibilidade

que investimos um bom tempo

para que tenhamos sabor

em nossos relacionamentos.

 

Convém a cada um conhecer-se

e valorizar-se como possuidor de sentimentos,

de emoções, de dinamismo, de vida.

 

Este é o ponto de partida

para que sinta o prazer de viver.

 

A poesia é a arte,

no seu lado emocional.

 

E a poesia pode ser

uma excelente professora.

 

Então, o que bem quer ensinar, a poesia?

 

Bem que quer:

Transformar o dia comum

num dia espetacular

descobrindo os interesses das pessoas,

ou despertando-as para o que interessa

e responde plenamente aos desejos mais profundos,

aquela sede insaciável, aquela expectativa

ainda não satisfeita.

 

Se tens sensibilidade,

não se contente com o não sabor,

com o sem sentido,

com o vazio e a tristeza.

 

- Bem que quer

manter fidelidade à função emotiva,

fidelidade à significação,

fidelidade à verdade,

fidelidade ao dever,

fidelidade aos valores permanentes,

fidelidade à liberdade.

 

- Bem que quer

mostrar o peso e a importância

do valor e do significado moral,

como professora atenta ao ensino,

despertando faculdades

de raciocínio reflexivo,

amadurecendo responsabilidades,

o respeito e o encantamento

diante dos outros.

 

- Bem que quer

fazer durar muito tempo

o que é gostoso.

 

É da dimensão

mais profunda, mais real

e mais verdadeira do ser humano,

a via dos sentimentos.

 

É própria da sabedoria,

do bom senso

e da maturidade,

escolher o que é bom,

a beleza, a bondade,

escolher o que agrada

e realiza-nos como pessoas humanas.

- Bem que quer

ensinar as pessoas comuns

a se tornarem extraordinárias.


É a paixão que brota

dos sentimentos que oferece

a resposta ao sentido da vida.

 

- Bem que quer,

transmitir e transferir

a linguagem emotiva, estimulando

o despertar das emoções

e mudanças de atitudes.


É o apaixonado, a apaixonada

que curte a vida, contagia os outros,

a ser mais. 

 

- Bem que quer,

despertar a função emotiva,

escondida, velada ou revelada,

escrita ou subentendida

em cada texto.

 

Emoções sadias

necessitam vir à pele,

expressar-se, comunicar

suas riquezas.


Se o rosto arde, queima,

a poesia, a arte ou o amor

anda por aí.

 

Permita que as emoções

te digam que está vivo ou viva.

 

A poesia produz, desperta e cria as emoções.

A emoção absorve-nos por inteiro.

O motivo está fora,

o processamento emocional é interno.

 

Despertando as emoções, a alegria explode,

a contemplação admira, o mundo todo se acende, 
monta arco íris, e as pinturas nas nuvens,

no céu, fazem o resto, o espetáculo.

 

- Bem que quer

despertar para que as pessoas degustem

e tenham os mesmos pensamentos

e sentimentos que os fazem curtir

cada coisa simples em exposição

no palco da vida.


Abrir os olhos,

ver as flores.


Olhar para cima,

admirar as estrelas.


Abrir os ouvidos,

escutar canções dos pássaros, 

distinguir vozes afetuosas.


Sentir o frio, o calor,

suar as mãos, pisar descalço

o chão acolhedor.

 

- Bem que quer

dar vida a todo e qualquer elemento

disponibilizado a cada um de nós,

mostrando a bondade e a familiaridade

de cada elemento, facilitando

e suavizando a vida a todos nós.


Tudo que há no universo

é irmão ou irmã, fraterna,

faz bem, é benéfica, ajuda,

equilibra, unifica e fortalece-nos.

- Bem que quer

despertar o raciocínio

para a decodificação

do simbólico escondido

ou revelado em cada palavra,

cada frase, cada texto,

cada expressão, cada pessoa.

 

Cada elemento,

cada pessoa é uma senha

que quer ser decodificada

para te fazer feliz.

- Bem que quer

lembrar e sustentar

valores já conhecidos

ou explorar novos valores.


A experiência vai ensinando

onde estão os valores,

que respondem, que perduram

e que deixam saudades

quando ausentes.

 

- Bem que quer

revelar, cultuar, valorizar

e curtir a beleza

em todas as formas, cores,

gestos e elementos da natureza,

seja ela natural ou humana.

 

A beleza percebida

demonstra a perfeição

da potência sensível

da pessoa humana.

 

A beleza, a arte percebível

é atestado da perfeição

dos órgãos da percepção

do ser humano.

 

Se a beleza já existe,

a poesia procura dar ritmo,

aperfeiçoar a beleza

com os bons afetos,

bons sentimentos,

boas intenções, boas ações.

 

- Bem que quer

ensinar a acolher

tanto o prazer como a dor,

tanto o bem como o mal,

como um casal que se ajusta,

superando-os, alcançando

a harmonia na sábia convivência.

 

A vida é um pacote

que veio com tudo dentro.


Não dá para dispensar

o que não gostamos

pois o que nos incomoda,

desacomoda-nos e empurra-nos

para a maturidade e para a evolução.

 

- Bem que quer

insistir e mostrar

a extensão do infinito,

que originam forças para vencer

as angústias do mundo finito.


É o mistério transcendental

que abre o ser humano,

que o tira do mundo do absurdo.

 

- Bem que quer

esforçar-se para revelar

um ideal de perfeição,

mesmo que esteja lá longe,

distante dos nossos pés,

mas próximo o suficiente

dos nossos ideais.


Onde estamos

é o ponto de partida,

o aeroporto da decolagem.

 

- Bem que quer

mostrar que aquilo

que a gente pensa que é,

de repente descobre

que realmente já é.

 

E se alegra.

E se conhece capaz.

E quer continuar neste caminho

que traz compensações,

abrindo as portas

que estavam fechadas,

sem chaves, sem saídas.

 

- Bem que quer

fazer perceber a essência

de todas as coisas,

perceber-se que é o objeto,

o ser vivo dentro da poesia.

 

É de mim, de você,

da minha pessoa,

da sua personalidade,

do que podemos ser, que trata a poesia.

 

Sou eu.

É você. Somos nós

o sujeito passivo e ativo

de toda arte.

 

- Bem que quer

expressar-se com liberdade,

sem obediências a leis rígidas,

quadradas, fechadas, determinantes,

por isso desperta a própria liberdade

de interpretação do leitor.

 

- Bem que quer

condensar e abreviar as palavras,

encurtar seu tempo

e seus caminhos,

dar-te o que necessitas

tão logo estejas precisando,

mas há o esforço a ser feito

que não pode ser dispensado

para que o conteúdo seja percebido,

trabalhado, apreendido e aproveitado. 

 

Dar a cada palavra

a energia e a força de explosão,

em sua mente

e em seu sensível coração

 

Dar maior força

e maior significado

às palavras desgastadas,

purificá-las, mantê-las eficientes,

renová-las e aperfeiçoá-las.

 

Se a palavra é usada

em qualquer lugar

sem qualquer respeito,

na poesia, a palavra tem valor,

quer ser como o despertador

exercendo a função de acordar

para o dia a ser preenchido

com a densidade da arte.

- Bem que quer

levar a sentir, com o sentimento,

o que a beleza produz nos pensamentos,

na pele, no sangue e na alma da gente.

 

Me faz sentir vivo, vibrante. 

- Bem que quer

manter a arte, a poesia,

na sua forma artesanal,

fora das séries repetitivas.

Tanta variedade, tanta criatividade,

poder oculto da divina artista, a natureza,

e do divino Artista, o Deus Criador.

 

- Bem que quer

revelar que admiramos

porque temos alma;

sentimos, porque temos corpo;

vivemos e existimos

com tantas capacidades

que nos enriquecem.

- bem que quer

derreter resistências,

quebrar almas duras,

ressuscitar almas mortas,

limpar a neblina dos espelhos,

tirar a rotina do caminho,

convidar-nos a descer

do trem automático.

 

- Bem que quer

sugerir andar descalço

na grama, na lama,

nos riachos rasos

e em cima das folhas secas.

 

- bem que quer

despir-se do supérfluo,

vestir-se da transparência pura,

inocente, original.

- bem que faz

distinguir as obras perenes, sólidas,

das criações perecíveis

que o tempo gasta e o vento esvoaça.

 

- Bem que faz

a pessoa perceber

que tem tudo isso dentro de si:

a perenidade,

o senso do eterno, pois que eterna já é,
e por isso percebe a eternidade em si,

que julga, ama e admira

o provisório, o passageiro

e a ele não se submete,

mas faz a ponte das belezas naturais

com a Beleza Permanente.  

 

- Bem que nos faz

experimentar a mais alta sensação

do êxtase.

 

Talvez seja essa

a mais alta experiência de plenitude

que a pessoa consegue experimentar,

sem explodir.

- Bem que não quer ter fim utilitário,

ou monetário, nem quer se submeter

a qualquer norma limitativa,

por isso seus efeitos são revolucionários,

como os jovens rebeldes em busca de autonomia

e independência. 

  

Escritores, filósofos, 

poetas e pensadores pesquisados:

 

Giambattista Vico,

Ivor Armstrong Richards,

Charles Kay Ogden,

William Morris,

Friedrich Hegel,

Benedetto Croce,

Friedrich Schiller,

Freidrich Schelling,

Martin Heidegger,

Gustave Flaubert,

Théophile Gautier,

Charles Baudelaire,

Walter Pater,

Oscar Wilde,

Edgard Allan Poe,

Thomas Stearns Eliot,

Paul Valéry,

Pierre Dupont,

Stéphane Mallarmé,

Ezra Pound,

Hans Georg Gadamer,

Gianni Vittimo.

 

Convido-te a pesquisar este campo.

Talvez você se descubra

um talento escondido,

pronto a deslanchar.

 

Eneas Paulo Budel Bogucheski

Atualizado em 30/07/2017

O texto original (352, de 30/07/2017)

foi desmembrado em vários textos.

Atualizado em 21/02/2024.

eneaspb@gmail.com

 

Leia outros textos:

http://heiposworld.blogspot.com.br

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