Quem vai para o céu depois?
Depois dos primeiros,
vamos nós,
os segundos,
até os últimos,
mas todos iremos,
pois que acreditamos
que ele existe.
Todos nós já vimos
e experimentamos
um pouco do céu
que herdaremos.
Quem vai para o céu depois,
depois dos primeiros,
talvez seja
a vaca,
o leite e o
leiteiro,
o lavrador,
o trigo e o padeiro,
a mãe, o pai
e o herdeiro.
O
pobre, sua cama
e o travesseiro,
o
trovador, o violão
e seus companheiros.
Vai
sim, vai para o céu,
nem que seja depois dos primeiros,
o homem e a mulher
que sempre teve sede;
que sempre teve fome;
que foi humilhado;
que foi injustiçado;
que teve falta de bens
que teve falta de carinho;
que sempre sentiu falta
de alguém.
Vai
para céu depois,
ou antes de todos,
o homem fraco;
a mulher ignorante,
curtos de capacidades.
Não por isso, descartáveis.
No
céu tem lugar para todos,
preparado
pelo melhor e maior homem
que
o mundo já conheceu.
Vai
para o céu depois,
ou antes de todos,
o homem incompreendido
em suas boas intenções.
Vai
para o céu depois
aqueles que procuraram o céu,
nas drogas, nos desvios, nas mentiras,
e não encontraram aqui,
mas vão encontrar o céu depois,
prometido pelo Pai Misericordioso.
Vai
para o céu depois,
aquele ou aquela que,
pelas carências que sempre teve,
cultivou a esperança,
não conheceu a saturação
ou a fortuna, e ficou pobre.
Vai
para o céu depois,
os cientistas e os ateus
que procuraram e procuram
a verdade escondida.
Vai
para o céu depois,
o homem que sonda o futuro
tentando trazê-lo
e adaptá-lo ao presente.
Vai para o céu todo mundo, sim.
Vai
o homem e a mulher
que com dignidade de filho e filha
são herdeiros dos bens dos céus.
Vai
para o céu depois,
ou antes ainda dos primeiros,
quem foi desprezado ali pelo meio,
caluniado, rejeitado
e ignorado como irmão,
mas procurou, encontrou e guardou
a esperança de viver
como filho do Deus Pai lá no céu.
Depois
vão aqueles
que não tiveram o céu
aqui na terra,
mas acreditaram
Naquele que falou:
“vou preparar-vos um lugar*.
João 14,2-3.
Então,
não sejamos críticos nem intoleráveis
já
que todos somos miseráveis e admiráveis,
e
todo nós, por algum mérito,
merecemos
o céu prometido,
nem
que seja bem depois.
Eneas
Paulo Budel Bogucheski
Texto
desmembrado do n. 22,
Publicado
no Blog e no FACE em 06/08/2024.

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