domingo, 11 de agosto de 2024

915.- Palavra. A palavra tem referências e consequências.


 


Palavras hoje devem ser escritas

com o objetivo de mostrar saídas,

abrir portas, sugerir criatividade,

fazer parcerias, onde buscar ajuda,

e como solucionar conflitos.

 

À palavra convém direcioná-la 

para a prática, para que produzam 

efeitos imediatos ou projetos de mudanças. 

  

A leitura que fazemos hoje,

não é de um mundo

onde tudo está

nos seus devidos lugares.

 

Antes de escrever, 

de pronunciar alguma palavra,

convém circular

pelas ruas e bairros da periferia.

 

Convém visitar a casa

dos desempregados.

 

Convém andar a pé

pelas ruas sem acostamento,

sem saneamento básico.

 

Convém andar pelas cidades pequenas.

Convém visitar escolas depredadas,

orfanatos, prisões, sala de espera dos hospitais.

 

Pisar no mundo real

é o que nos mantém ainda

no reino dos humanos.

 

Convém a nós, descer do mundo virtual,

descer do conforto, do individualismo

e vestir o sapato do sofredor.

 

Se tens tempo para preencher

os livrinhos das palavras cruzadas,

vives como quem está em período de férias.

 

Os pobres de hoje,

as pessoas de hoje

não têm mais tempo

para se ocupar

com qualquer passatempos.

 

Suas vidas

estão mais para o jogo de xadrez,

em constante situação de cheque mate.

 

Hoje, as próprias palavras faladas

pela maioria dos comunicadores

demonstram que muitos

se encontram fora da realidade,

do chão dos acontecimentos.

 

A palavra perdeu o peso,

a referência e a gravidade.

 

O escritor Leonardo Boff

em algum dos seus livros escreveu:

“Não adianta ler receitas culinárias

para quem está com fome”.

 

Mais do que palavras,

são ações

que devem ser planejadas,

para reduzir a quantidade de problemas

que existem em todos os lados

para os quais dirijamos nosso olhar

e para encurtar distancias

entre o mundo real

e o mundo virtual.

 

Para que a palavra dita

e a palavra escrita

tenha peso e gravidade,

e que seja eficiente ao comunicador

convém primeiro ver, constatar, apalpar,

cheirar, sentir o odor ou o perfume

do objeto da sua fala e depois,

afastar-se, ver de cima,

refletir, meditar, avaliar,

e não ter medo

de falar ou escrever

sobre o que vê e viu.

 

E, só então, relacionar os fatos

com os princípios da justiça,

da coerência, da honestidade,

da verdade e da fidelidade

aos Direitos Humanos,

o bem comum da humanidade.

 

Palavra.

 

A palavra tem referência

tem endereço tem peso

tem gravidade e

carrega consequências.

 

Eneas Paulo Budel Bogucheski

eneaspb@gmail.com  41 98854 5166 


Texto desmembrado do n. 317, Coerências

e incoerências dos comunicadores.

atualizado e publicado no BLOG em 11/08/2024.

 

Publicado na íntegra no blog Heipo World

em 18/07/2016.

Atualizado em 17/05/2026

 


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