Dia 24 de dezembro.
Dez horas recebi uma ligação da minha filha.
- Pai, o senhor pode ficar com as crianças
para que possamos arrumar a casa
e preparar os pratos para nossa Ceia de Natal?
Imediatamente respondi sim.
E comecei a pensar como entreter
um neto de 8 anos,
o Gael, e uma netinha de 6 anos,
Ana Clara, sem ficar dentro de casa
e achar atividades para eles.
No caminho da casa da minha filha
encontrei alguns catadores de papel reciclado.
E pensei comigo.
Como esses catadores de lixo vão passar o Natal?
Hoje já é véspera do Natal.
Como eles estão se preparando?
Será que eles não têm nada para preparar?
Será que já foram no Supermercado,
comprar nozes, uva passas,
uma carninha, um presentinho
para seus filhos?
Aí lembrei de uma passagem do Evangelho
que diz assim: “Ele, sendo rico se fez pobre
e veio morar entre nós”.
Aí, lembrei também que o próprio Jesus falou
“Tudo o que fizerdes
ao menor destes pequeninos
é a mim que o fazeis”.
Então, logo conclui, eis aqui uma maneira
de viver o Natal
um pouco mais perto
do Jesus rico, que se fez pobre.
O pobre hoje
foi o rico de ontem
que tinha família,
que tinha casa,
que tinha roupas e comida,
tinha emprego e tinha dignidade.
Hoje, muitos, só possuem um carrinho
para recolher lixo reciclável.
O Jesus Cristo estava ali,
andando pelas ruas da cidade.
Não era, não se sentia excluído,
mas não se sentia acolhido.
O Jesus Cristo
que comemoramos a sua festa
no dia 25 de dezembro,
não estava nas Igrejas,
em casa, nem no seu paiol,
nem na manjedoura da estrebaria.
Estava andando no meio do povo, disfarçado
naquelas pessoas, procurando lixo reciclável.
Peguei meus netos e pensei
em como tornar significativo
esta tarde que antecede o dia de Natal.
Fomos até um supermercado
e compramos alguns Panetones.
E saímos por aí,
pelas ruas do Bairro “Novo Mundo”,
procurando o Jesus necessitado.
E motivei meus netos, dizendo-lhe
que hoje é véspera de Natal,
e que o Jesus ia nascer
daqui algumas horas.
Vamos procurar
algum sinal, alguma luzinha
que indicasse
onde Ele iria nascer.
E completei:
Ele vai nascer ou aparecer
a qualquer momento.
Vamos ficar atentos.
Em cada esquina,
um olha para um lado da rua,
o outro olha para o outro lado.
Qual o sinal, como saberemos
quem é o Jesus, perguntei.
O Gael responde:
olha lá, um senhor carregando
um carrinho quase cheio de lixo.
Dentro do carrinho,
uma menininha
de uns três anos misturada,
com os papelões.
Então, paramos o carro,
pedi para o Gael e para a Ana
irem até ele, e entregassem o Panetone
e dissessem, “Feliz Natal Jesus”.
E perguntei o que ele respondeu?
Ele disse:
“Deus que te ajude,
feliz natal para vocês e toda sua família”.
A Ana Clara, feminina, observadora
completou: ele sorriu e percebi
que os olhos dele brilharam.
E aí falei para eles:
Vocês conseguiram
ver a luzinha,
indicando onde estava o Jesus.
E assim foi durante umas duas horas,
circulando pelo bairro até que o último Panetone
fosse distribuído para muitos Jesus concretos.
À noite, durante a Ceia
pedi para o Gael e para a Aninha
contarem o que mais marcou o dia de hoje.
O Gael falou que se sentiu muito feliz
em ter entregado os Panetones
para aquelas pessoas
que se sentiram muito felizes.
E a Aninha disse que se sentiu tocada
pela luz que brilhava nos olhos
daquelas pessoas
que recebiam um presentinho
e se sentiam valorizadas.
A partir deste Natal,
o condutor do carrinho de lixo reciclável
trará na minha memória,
a presença real do Jesus,
carregando um carrinho
a procura de lixo reciclável.
E eu me sentirei uma parte importante
desse ‘lixo’ que Ele está recolhendo.
Eneas Paulo Budel Bogucheski
eneaspb@gmail.com
Dez horas recebi uma ligação da minha filha.
- Pai, o senhor pode ficar com as crianças
para que possamos arrumar a casa
e preparar os pratos para nossa Ceia de Natal?
Imediatamente respondi sim.
E comecei a pensar como entreter
um neto de 8 anos,
o Gael, e uma netinha de 6 anos,
Ana Clara, sem ficar dentro de casa
e achar atividades para eles.
No caminho da casa da minha filha
encontrei alguns catadores de papel reciclado.
E pensei comigo.
Como esses catadores de lixo vão passar o Natal?
Hoje já é véspera do Natal.
Como eles estão se preparando?
Será que eles não têm nada para preparar?
Será que já foram no Supermercado,
comprar nozes, uva passas,
uma carninha, um presentinho
para seus filhos?
Aí lembrei de uma passagem do Evangelho
que diz assim: “Ele, sendo rico se fez pobre
e veio morar entre nós”.
Aí, lembrei também que o próprio Jesus falou
“Tudo o que fizerdes
ao menor destes pequeninos
é a mim que o fazeis”.
Então, logo conclui, eis aqui uma maneira
de viver o Natal
um pouco mais perto
do Jesus rico, que se fez pobre.
O pobre hoje
foi o rico de ontem
que tinha família,
que tinha casa,
que tinha roupas e comida,
tinha emprego e tinha dignidade.
Hoje, muitos, só possuem um carrinho
para recolher lixo reciclável.
O Jesus Cristo estava ali,
andando pelas ruas da cidade.
Não era, não se sentia excluído,
mas não se sentia acolhido.
O Jesus Cristo
que comemoramos a sua festa
no dia 25 de dezembro,
não estava nas Igrejas,
em casa, nem no seu paiol,
nem na manjedoura da estrebaria.
Estava andando no meio do povo, disfarçado
naquelas pessoas, procurando lixo reciclável.
Peguei meus netos e pensei
em como tornar significativo
esta tarde que antecede o dia de Natal.
Fomos até um supermercado
e compramos alguns Panetones.
E saímos por aí,
pelas ruas do Bairro “Novo Mundo”,
procurando o Jesus necessitado.
E motivei meus netos, dizendo-lhe
que hoje é véspera de Natal,
e que o Jesus ia nascer
daqui algumas horas.
Vamos procurar
algum sinal, alguma luzinha
que indicasse
onde Ele iria nascer.
E completei:
Ele vai nascer ou aparecer
a qualquer momento.
Vamos ficar atentos.
Em cada esquina,
um olha para um lado da rua,
o outro olha para o outro lado.
Qual o sinal, como saberemos
quem é o Jesus, perguntei.
O Gael responde:
olha lá, um senhor carregando
um carrinho quase cheio de lixo.
Dentro do carrinho,
uma menininha
de uns três anos misturada,
com os papelões.
Então, paramos o carro,
pedi para o Gael e para a Ana
irem até ele, e entregassem o Panetone
e dissessem, “Feliz Natal Jesus”.
E perguntei o que ele respondeu?
Ele disse:
“Deus que te ajude,
feliz natal para vocês e toda sua família”.
A Ana Clara, feminina, observadora
completou: ele sorriu e percebi
que os olhos dele brilharam.
E aí falei para eles:
Vocês conseguiram
ver a luzinha,
indicando onde estava o Jesus.
E assim foi durante umas duas horas,
circulando pelo bairro até que o último Panetone
fosse distribuído para muitos Jesus concretos.
À noite, durante a Ceia
pedi para o Gael e para a Aninha
contarem o que mais marcou o dia de hoje.
O Gael falou que se sentiu muito feliz
em ter entregado os Panetones
para aquelas pessoas
que se sentiram muito felizes.
E a Aninha disse que se sentiu tocada
pela luz que brilhava nos olhos
daquelas pessoas
que recebiam um presentinho
e se sentiam valorizadas.
A partir deste Natal,
o condutor do carrinho de lixo reciclável
trará na minha memória,
a presença real do Jesus,
carregando um carrinho
a procura de lixo reciclável.
E eu me sentirei uma parte importante
desse ‘lixo’ que Ele está recolhendo.
Eneas Paulo Budel Bogucheski
eneaspb@gmail.com

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