terça-feira, 11 de fevereiro de 2025

967.- Vazios ... de tudo, mas, com capacidades para encher.


 

Nascemos assim,

pelados por fora

e vazios por dentro.

 

Crescendo por fora,

vamos nos vestindo,

e trocando de roupas,

comprando sapatos,

cada vez maiores.

 

Por dentro,

aprendendo,

assimilando,

cargas afetivas,

depois, conhecimentos,

educação, valores ...

 

Nos tempos de infância,

nos sentimos cheios,

plenos de alegria,

bom humor, diversão,

brincadeiras.

Equilíbrio.

 

Na adolescência,

meio-cheios, meio-vazios,

desequilíbrios

entre egoísmo e altruísmo,

questionamentos,

resistências,

desobediências,

afrontas, conflitos, ...

enfim, justificamos a busca da afirmação de si.

 

Na idade adulta,

não só divisões, discussões,

mas, ajustes, escolhas,

decisões, renúncias.

 

O preço da maturidade

é pago com a moeda

chamada esforços.

 

A consciência

em constante processo evolutivo

percebe-se sempre no meio de escolhas.

 

Escolhendo algo,

sabemos que estamos escolhendo junto,

as consequências de tais escolhas.

 

Na idade madura, adulta, da velhice,

percebemos que fomos enchendo

o vazio que havia dentro,

com as escolhas que fizemos

das coisas boas,

que continham valores.

 

Ninguém é vazio. Ninguém está vazio.

 

Todo vazio

é capaz de transbordar, de vazar.

 

Todo ser humano nasce vazio.

 

Todo ser humano

tem a capacidade de preencher o vazio

que há no outro e de preencher o nosso próprio vazio

com as palavras, os exemplos, os testemunhos

e o comportamentos dos outros.

 

Se eu não me ocupar em preencher

o vazio que há no outro,

ele não transbordará,

e não devolverá para mim

os valores, os ingredientes

com os quais estou tentando preenchê-lo.

 

Se o outro está vazio, eu, você,

nós é que teremos de preenchê-lo.

 

É assim que funciona:

Eu olho para ele, amo-o com meu olhar,

com minhas intenções, com meus sentimentos,

com minhas cargas afetivas, com meus elogios,

com minha presença, meu ser fraterno.

 

É um ato de dar caridade,

bondade, capacidades divinas.

 

E ele ou ela, recebendo,

vai se enchendo,

vai se sentindo valorizada,

amada, dignificada

e com isso se plenificará

e, logo, logo, devolverá

o que começa a vazar,

a transbordar.

 

Porque ninguém dá o que não tem.

 

E ninguém dará o que não recebe.

 

Então contribua, enchendo vazios.

 

Dê amor, atenção, carinho,

ouvidos, olhares, ... dê de si,

para que o outro se sinta transbordante

e te devolva o que mereces receber.  

 

Eneas Paulo Budel Bogucheski

eneaspb@gmail.com

Criado publicado no BLOG e no FACE

em 11/02/2025.

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