Ouviu-se
um grito:
“Façam o trem parar”.
Alguém escutou
e o trem parou.
Em algum momento,
em alguma estação,
no meio da viagem,
esquecemos da Alma.
Se perdemos a Alma
perdemos o contato com o Céu,
o objetivo da nossa viagem.
Se perdemos a Alma
ou se não soubermos manusear
a tecnologia da Alma,
nosso futuro
estará comprometido.
Não saberemos
como chegar ao destino.
Alguém escutou
a oração de alguém.
E o trem da vida parou.
E qual é a mensagem
que esse momento,
que essa crise quer transmitir?
Primeiro passo. Convém parar.
Segundo passo: Repensar, rever.
Terceiro passo: Perguntar-se.
Quarto passo. Ativar a consciência.
Quinto passo. Decidir-se pela Alma.
Sexto passo. Passar a viver com Alma.
Quantas perguntas
viajam em nossa mente,
sem respostas, sem destinos.
Viajamos
pelos quatro cantos da terra,
como turistas insaciáveis,
e nunca chegamos ao destino,
ao centro de nós mesmos, à nossa Alma.
E é por isso
que convém parar o trem
e perceber
que uma fome e uma sede,
de uma realidade celestial,
se faz necessária
para não vivermos
carentes, como órfãos,
perdidos, desorientados,
longe dos Pais e da Pátria Celestial.
Não sufoquemos nossos altos ideais.
Ajudemo-nos a encontrar as chaves.
Ajudemo-nos a encontrar a porta de saída deste mundo.
Permitam projetar-nos para fora deste mundinho.
Ajudemo-nos a abrir as portas para o infinito.
Quem criou o conceito de infinito e de eterno,
criou o ser humano, plantou nele a possibilidade
de esticar os neurônios e alargar as forças da Alma.
O que permanece quando o tempo acaba,
quando tudo vai embora, e só fica o infinito,
a morada da Alma?
Existem apenas dois infinitos:
um no céu, no espaço do universo estrelado,
e o outro, dentro de cada um de nós,
nos espaços desconhecidos
e inexplorados da nossa Alma.
Quando olhamos para uma paisagem,
as cores, o perto e o distante, emoções e sentimentos
invadem e preenchem nosso íntimo.
É um contexto, uma mistura mística
das coisas da Terra e muita arte no Céu.
Entre as linhas, abrem-se espaços,
e nas entrelinhas deciframos mensagens
sentidas em nosso íntimo.
Nas entrelinhas existe um escritor
e em nossa Alma, um tradutor.
Abrir-se, acolher, aceitar.
Perceber a arte.
Ler a mensagem divina externa,
com possibilidade de trazê-la
para dentro da nossa Alma, divinizando-nos.
O que permanece e resiste,
durante ou depois dos temporais,
se não for a Alma, o que será?
O que permanece quando o tempo acaba,
quando tudo vai embora,
e só fica o infinito,
a morada da Alma?
Quando lemos,
nossos olhares internos criam cenários
e visualizamos personagens.
Quando escutamos,
nossos olhares íntimos
criam o clima de acolhimento
e nos enxergamos no ambiente
que mais gostamos.
Quando olhamos para as lindas paisagens,
nos vemos lá, acompanhados das pessoas queridas.
Quando meditamos, olhamos para dentro,
e encontramos o espírito,
que nos leva a ver
com o olhar da Alma.
Humanos,
nos distinguimos e nos conhecemos
como caminhantes, passageiros, viajantes.
Estamos indo, sempre para a frente,
para o que está aberto, desconhecido.
Mas nos ensinaram que temos espírito e Alma, imortal.
E que aqui não é nossa morada permanente.
E que lá no infinito está o céu,
nossa definitiva morada.
Enquanto o pesado avião (nosso corpo),
fica estacionado no aeroporto,
sob cuidados e manutenção,
a Alma leve, deixa-se atrair pela beleza da imensidão,
e se larga, desprende-se e alcança as alturas,
na leveza de ser, o que é, espírito universal,
infinitamente livre.
Estamos navegando no mar da vida,
cada um com seu barquinho,
querendo o que o egoísmo quer,
indo, separados, para os mesmos lugares.
Não seria mais fácil mais completo,
todos juntos, num mesmo barco?
A alegria não seria maior e a dança mais diversa?
A Alma é fraterna,
quer unir-se, cada vez mais num único barco,
um mesmo abraço, em volta da mãe Terra.
Há uma potência,
uma seiva que percorre nossas veias espirituais,
que vem lá da eternidade,
que nasce lá das profundezas,
da zona silenciosa,
imperturbável, da nossa Alma.
Eneas Paulo Budel Bogucheski
eneaspb@gmail.com
segunda-feira, 3 de fevereiro de 2025
964.- Parem o trem. Esquecemos da alma em alguma estação.
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