Gostaria de estar na sua frente,
procurando
iniciar um diálogo sobre essa pergunta,
que já
deveríamos ter feito há muito tempo atrás.
As
respostas que seriam colocadas à mesa
certamente
abririam um leque de outras perguntas
e nos entreteria
por longas horas de degustação.
Como o
encontro presencial
não é
fácil de acontecer, vamos por aqui mesmo,
neste
texto, conversarmos virtualmente.
Qual a sua idade?
- Você já aprendeu a viver?
·
Pare.
Deixe a pergunta penetrar na sua consciência.
·
Dê
um tempo, depois, prossiga.
Com a
idade que você está,
você
consegue responder com coerência
à essa
pergunta?
Lembre-se,
você vive quase o tempo todo
na
dimensão virtual, no mundo dos pensamentos.
Você vive quase
o tempo todo
de acordo
com a sua cabeça,
de acordo
com o que você pensa.
E você
pensa, geralmente,
com o
pensamento dos outros.
Sim, você
responde a partir do que você leu,
do que estudou,
com quem você aprendeu.
Quase tudo
o que você sabe
aprendeu
dos outros.
E agora vou perguntar de novo:
- Você já aprendeu a viver?
Pare.
Pense e tente responder,
a partir
da sua experiência pessoal.
Então já
podemos dizer que o primeiro professor,
a primeira
aprendizagem é a nossa mente,
nossa
cabeça, nossa inteligência.
E aqui
estão as nossas grandes ilusões,
na cabeça,
no mundo virtual,
o que nos
leva a viver viajando,
na maionese
virtual.
Pare. Pense
e tente responder
a partir
da sua experiência pessoal.
Agora sim,
vamos reconhecer
que a
outra professora, mais exigente,
e a mais
real, é a realidade
ou as
experiências vividas.
Nós já
sabemos viver como filhos.
Muitos de
nós já sabemos
o que é
viver como pai ou mãe.
Muitos de
nós já sabemos
o que é
viver como avo e avó.
Muitos de
nós já sabemos viver
como
profissionais, exercendo alguma profissão.
E alguns,
já sabemos viver
como aposentados.
O
conhecimento que temos,
as
experiências que fizemos
como filhos,
pais, avós e profissionais,
foram experiências
reais, concretas.
A partir
daí podemos responder,
que aprendemos
sim, a viver,
quando
experimentamos
o que é ser
útil para alguém.
Aqui,
assim, o nosso conhecimento é válido
e nos dá
autoridade para responder
coerentemente.
Fora disso
são respostas aprendidas
e usamos
as respostas dadas por outros.
Se alguém,
algum dia, te perguntar,
você já
aprendeu a viver, lembre-se
de
responder a partir daquilo
que você
viveu e o que aprendeu,
com suas
escolhas e renúncias,
com o seu corpo
e a sua alma.
Hoje, se
existe algo difícil de responder
é essa
pergunta, incômoda e exigente
“você já
aprendeu a viver?”
É necessário
confrontar-se com ela,
para nos
puxar para o chão da vida,
e nos fazer
retomar a consciência,
o comando
sobre nossa vida real.
Viver é
algo pessoal,
e a
resposta a essa pergunta,
só pode ser
uma resposta existencial
para que seja
coerente.
Como uma
semente,
que fique
plantada essa pergunta,
e que você
fique pensando nela
até que floresça
e frutifique
numa nova
primavera.
Eneas
Paulo Budel Bogucheski
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Criado
e publicado no Blog e no FACE em 07/10/2025

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