Nosso
mundo não é fechado.
Existe uma
abertura para a eternidade.
A
religião, qualquer religião
é uma
tentativa de conhecer o Deus dos Céus,
o Deus
Eterno, o Deus da Eternidade,
que sempre
existiu, antes do tempo ainda,
e que se
aproxima e tenta entrar
em nosso
mundo mental, espiritual,
em nossa
vida pessoal.
Convém dar
condições de abertura,
de entrada
do Deus Pai Criador em nossa vida,
afinal,
somos suas criaturas, obras de arte divinas,
em suas
mãos.
Nós,
criaturas humanas fomos projetadas
para ser
obra de arte, eterna,
maravilhosas,
perfeitas.
É por
aqui, com estes pensamentos,
que
criamos a porta de entrada
da
Eternidade no Tempo, na Terra,
em nossa
alma, consciência ou espírito.
Existe um forte
dinamismo escondido,
que exulta
de alegria em nosso íntimo,
quando
tentamos nos enxergar
como obras
de arte em construção.
É uma
verdade inquestionável,
que não
aceita outras interpretações,
e onde não
cabem discussões.
É a visão
positiva, otimista, sobre nós mesmos.
É uma
visão realista também
porque
estamos sempre caminhando, evoluindo.
E, a
cultura do mundo quer-nos acomodados,
consumistas,
e alienados
das nossas
capacidades espirituais.
Olhamo-nos
como obras de arte incompletas,
não
finalizadas, necessitando sempre de renovação,
ajustes, de
conversões, de melhorias.
Sempre há
algum retoque, ajuste,
embelezamento
para fazer,
pois que
ainda somos desconhecidos de nós mesmos,
tanto na
matéria prima das nossas fragilidades
como dos
talentos, das forças espirituais
que nos
habitam.
Desde o
nosso nascimento,
já
passamos por tantos ateliers de aperfeiçoamento,
mas não
conseguimos preencher
todas as
lacunas ou falhas que existem
em nossa
natureza humana.
Talvez
estejamos ignorando
o Modelo
proposto para nossa identificação.
Pois está
escrito que Nele, no Jesus Cristo,
no Homem,
filho do Deus Eterno,
e por Ele,
tudo foi feito.
E que Nele
estão escondidos
todos os
segredos das filosofias e das ciências.
Que Ele é
o princípio, o meio e o Fim.
Havendo um
modelo perfeito, a continuidade,
o
aperfeiçoamento e acabamento
das obras
de arte certamente alcançarão
os
resultados esperados.
Com a
aceitação desse modelo eterno,
abre-se
uma nova dimensão
para que a
obra de arte, inacabada,
continue
seu processo evolutivo,
ainda que,
com resistências.
Mesmo
percebendo suas capacidades,
experimenta
limitações, insatisfações não atendidas,
fome e
sede não saciadas ainda.
Aquela
obra de arte precária, criada lá na família,
ainda
espera ser uma obra de arte perfeita,
por
carregar uma natureza divina
acoplada à
sua natureza humana,
a desabrochar a qualquer momento.
Toda obra
de arte se sente incompleta, imperfeita,
esperando
adquirir conhecimentos e oportunidades
para
saciar essa sede infinita, de eternidade.
Quando
aceitamos e nos abrimos
para a
dimensão da eternidade,
até o
problema do sofrimento ganha sentido.
Quando
aceitamos e nos abrimos
para a
dimensão da eternidade,
até o
problema da morte é resolvido,
com a
promessa da vida eterna.
Aquele que
é Artista e Eterno
só faz
obras eternas, que duram para sempre.
Para
pensar a partir de um quadro de referência,
que seja a
eternidade, entram em campo,
a
consciência, a alma, o espírito.
Com essas
faculdades
ou
capacidades espirituais e eternas,
fazemos o
discernimento valorativo,
impondo-se
como um valor real Absoluto,
referencial,
para avaliar todo o mundo relativo.
Tudo o que
se passa na Terra e no Tempo
estão
subordinados ou são decorrentes da eternidade,
do
absoluto.
A obra de
arte inacabada, relativa,
entra em
contato com o seu Criador, Absoluto.
Abre-se a
um mundo,
uma
dimensão diferente,
misteriosa,
que nos vem salvar
das nossas
precariedades e limitações.
Há
intercâmbio e uma interdependência
da
natureza humana com a natureza divina.
É que
somos filhos do Eterno.
Com estas
reflexões, a própria obra de arte
se atreve
a entrar em contato com o Artista que o criou.
Essa
tentativa de contato acontece
não sem
muita dificuldades,
pois tem
de aceitar, assumir e vivenciar
um tipo de
conhecimento
que abarca
agora a dimensão invisível da fé,
ainda
misteriosa na sua forma de entendimento
e
expressão.
Mas não é
algo irreal.
Não é
fruto da imaginação.
E não é
algo irracional, fantasia ou literatura vazia.
Com o
apoio da razão, do conhecimento teológico,
dos
Evangelhos e dos documentos da Igreja,
mais o
testemunho dos mártires e santos,
registrados
nos livros de História,
queremos
acreditar nas revelações
e
promessas feitas pelo Jesus Cristo,
aceitando-o
e incorporando-o como modelo,
como Caminho,
Verdade e Vida.
O Artista Papai
do Céu, o Criador,
propõe um
modelo eterno, o Jesus Cristo,
para nos
identificarmos com as belezas dele
e para
finalizarmos a nossa própria obra de arte,
agora, com
todas as perfeições de uma obra digna.
A dimensão
da Eternidade ou realidade religiosa,
religa-nos
com as dimensões do Atelier do Artista Eterno.
Aceitando
e abrindo-se para a primazia da Eternidade
como foco
ou binóculo para olhar para o mundo,
abre-se a
última dimensão
onde se
encontram os nutrientes
para
saciar essa fome e essa sede de completude,
a tão
desejada obra de arte, finalizada, eterna,
carregada
de incorruptibilidade.
A massa, a
matéria que plasmou
a
finalização dessa obra de arte,
é mística,
isso é, uma mistura
de
natureza material humana
com a
natureza espiritual divina,
a própria
natureza do Artista Criador.
Essa visão
de mundo
a partir
do óculos da eternidade,
da
dimensão eterna, da atuação do Artista Supremo,
já é forte
e real em muitas pessoas
que
alcançaram um elevado nível
de
desenvolvimento humano,
espiritual,
e de idade.
A graça
divina, a realidade do Deus Pai,
sublima,
eleva a condição humana
até as
alturas e perfeições da natureza divina.
Se houver
abertura
e
disponibilidade dos homens,
todos
serão divinizados,
e a
história se chamará História da Salvação.
E haverá
um só Pastor e um só povo.
Eneas
Paulo Budel Bogucheski
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