segunda-feira, 11 de agosto de 2014

138.- Divina natureza. A natureza divina se hospeda na natureza humana e a enriquece.





Quem sou eu?
Não posso ser um estranho
a mim mesmo.

 
     Conhecer-me
     é condição de sucesso
     ou fracasso existencial.

 
Conhecer-me
trará como consequência
o real conceito da minha autoestima.

 
Não sou qualquer coisinha.

Sou alguém extraordinário.

 
Se não conheço suficientemente
minhas qualidades
e minhas potencialidades,
se não sei quem sou,
terei que enfeitar-me,
criar máscaras
e ir me adaptando
a todas as circunstâncias.

 
Isso é cansativo
e provoca muitos desequilíbrios.

 
Não sou totalmente desconhecido
de mim mesmo.

 
Mas existe algo em mim
ainda desconhecido.

 
Espanto-me
comigo mesmo.

 
Às vezes sou transparente
a mim mesmo.

Enxergo-me como sou.

Sei do que sou capaz.


Conheço, também minhas fragilidades
e os limites até onde consigo chegar.

 
Fazemos a experiência
dentro da nossa natureza humana
e experimentamos limites.

 
A experiência que fazemos,
como humanos,
da finitude e dos limites que temos
não deve concentrar demasiadamente
nossa atenção,
caso contrário
cairemos nas garras da depressão.

 
Se nos concentramos
no que temos de menos bom,
o que é bom em nós ficará contaminado
e enfraquecido.

 
Por outro lado, para escapar da depressão,
ao fazermos a experiência
do que de divino existe em nós,
os limites serão compreendidos
e se possível, superados.

 
Sugerimos mais
a experiência da imensidão
que existe em nós
do que a experiência
das nossas deficiências.

 

Para isso
é que continuo pesquisando-me, 
conhecendo-me,
percebendo a fome do infinito
e a sede da imortalidade.

 

Já sei que não fui eu
que dei a vida a mim mesmo.

Alguém possibilitou
que eu nascesse perfeito:
meus pais e meu Criador,
aquele que me criou
à sua Imagem e Semelhança.

 

O humano que existe em mim
me é familiar,
alcançou o máximo
que podia em termos de evolução,
e, o divino que existe em mim
está a evoluir e jamais deixará
de ser aperfeiçoado.

 
Nessa dimensão
é que se encontra o dinamismo
que me impede de acomodar-me,
impulsionando-me a novas pesquisas.

 
Se me conheço profundamente,
extasio-me,
percebo-me ainda incompleto
e imperfeito
dentro de um referencial permanente,
imagem e semelhança com o Deus Criador’.

 
Poetas e profetas
abriram o pano do palco
e recitaram poesias
e profecias
alertando para algo mais.


Artistas interpretam personagens
que ainda não somos
e que poderemos ser.

 
Personalidades santas,
entregaram-se à atividades
que lhes desgastaram a vida,
morreram, martirizam-se
em vista de uma recompensa eterna.

Não foram irracionais:
foram sim, visionários.

Fizeram a experiência da imensidão.

 
Muitos irmãos iguais a nós,
mostraram-se como eram
e revelaram
a  personalidade
fortalecida pela esperança.


Outros mostraram-se como foram,
enfraquecidos pelo apego à aparência
e aos afazeres do mundo horizontal,
escolhendo essa filosofia de vida.

 
Esqueceram
de cultivar a profundidade 
e a verticalidade.

 
Cultivaram apenas 
arvoredos sem raízes.

 
Virá a chuva e os ventos
e desestabilizará a frágil estrutura.

 
Se te consideram apenas 
pelo que aparentas,
será usado e mentirão para você.

 
Se te consideram personalidade forte,
farás bem e completarás
quem de ti se aproximar.

 
Tens uma profundidade
que ninguém,
nem mesmo você
alcançará o fundo.

 
Tens um alcance para cima
que nenhum limite
te impedirás de percorrê-lo.
 

Nenhum conceito esgotará
ou dissecará teus recursos.


Nenhum limite
te fará desistir
de ser o que você foi planejado
para ser.


Quem te olha
acha que te conhece.

 
Quem vê por fora,
vê apenas uma parte,
vê a periferia, vê o que se enfeita,
vê o vestuário que você veste,
vê a maquiagem.


Você que convive com você o tempo todo,
sabe que ainda não se conhece
o tanto quanto precisarias conhecer-te.

 
O que somos por dentro
não há como esconder.

Nossos gestos e nossas escolhas
revelam o negativo da fotografia humana,
a natureza animal,
os instintos não domesticados
e ainda não totalmente canalizados
para a dimensão da pessoa humana.

 
Se você
ainda não está preocupado
com a prática do direito e da justiça,
do amor e da compreensão,
da tolerância e da solidariedade,
ainda não alcançou 
o nível de pessoa,            
das virtudes humanas.


Depois há mais um nível,
frequentando a escola eternizante,
pesquisando e vivendo
a dimensão do espírito que há em você.


Aquilo que escolhemos
e aquilo com que nos envolvemos
faz discurso sobre nós.

 
Cada um se auto projeta
naquilo que escolhe.


Aquilo que escolhemos
revela o somos.


Somos corpo e espirito.


Somos carne e espírito.

Somos matéria e espírito.
Um morre
e o outro sobreviverá 
para sempre.


A sabedoria se impõe
e convida para investir todas as forças
na sobrevivência.

 
Existem três grandes dificultadores
no processo do amadurecimento
e evolução da pessoa humana.
Impedem o desabrochar
da personalidade divina.

 

- A tendência à resistência*.

 

- Resistimos
automaticamente
ou conscientemente
a tudo aquilo que escapa aos nossos sentidos
e à logica imposta pela cultura do mundo.

A cultura do mundo
explora
quem não tem senso crítico formado
pela filosofia e pela teologia,
pelos valores da moral e da ética,
valores da justiça, do amor e do perdão.


- Resistimos
quando não abrimos espaço
para o espiritual;


- Resistimos
quando não queremos
nos comprometer;


- Resistimos
quando recusamos;

 
- Resistimos, e como! 
(Perceba as tuas resistências e analise-se.
Liberte-se delas. Elas estão se segurando,
impedindo que alcances 
o dom e a liberdade de ser).


*O antídoto é cultivar 
e praticar a aceitação.

 

A tendência ao apego*.

 
Tudo aquilo a que nos apegamos,
nos aprisiona,
limitando nossas potencialidades,
reduzindo nossa visão,
levando-nos ao egoísmo
e ao fechamento
ao pequeno mundo das coisas.

 
Se morrermos apegados aos nossos bens,
nosso espírito ficará grudado nos bens.

 
Ficará preso,
quando foi feito para a liberdade.
O apego leva ao estacionamento,
ao atrofiamento do espírito.


Onde o espírito está ativo, 
há liberdade.


* O antídoto é cultivar 
e praticar o desapego.

 

 A tendência ao julgamento.

 
Em relação às pessoas,
não nos cabe o julgamento 
e sim a compreensão.

 
Somos todos irmãos,
em viagem,
necessitando que cada um ajude ao outro,
dentro dos princípios da fraternidade.


O atributo do julgamento
só cabe a quem é Pai e Criador,
não às criaturas ou aos filhos.

 
Não temos autoridade
nem é nossa competência o julgamento.

 * O antídoto é cultivar 
e praticar a compreensão.

 

A plenitude humana
é alcançada somente numa condição:
na doação sincera de si mesmo
a uma causa 
que tenha motivações eternas.


Veja o exemplo do próprio Jesus Cristo
e de todos os grandes mártires,
santos e personalidades
benfeitoras da humanidade.

 
Na verdade, viveram como filhos,
considerando Deus, como Pai.


Somente quem aceita
esta verdade suprema
consegue crescer equilibrado,
pois tem a segurança
de estar sempre na presença do Pai.

 
Então, quase finalizando,
percebemos que vamos conhecendo
cada vez melhor a nós mesmos,
a partir da descoberta da verdade.

 
A verdade sobre nós mesmos
é que vai dar a cada um,
a segurança, a maturidade,
a postura e o comportamento aceitável
como válido internacionalmente,
como passaporte para o eterno.

 
A verdade é coerente.
A verdade liberta e constrói.

 
Tudo o mais,
desgasta e despersonaliza,
desvia e corrompe,
deprime e sufoca
uma personalidade que foi feita
para a liberdade,
ao receber o espírito
como motor que comanda
para a natureza divina,
próximo e imediato nível da evolução.

 

Eneas Paulo Budel Bogucheski

Atualizado em 12/05/2016.
Atualizado em 18/05/2026

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