Quem sou eu?
Não posso ser um
estranho
a mim mesmo.
Conhecer-me
é condição de sucesso
ou fracasso
existencial.
Conhecer-me
trará como
consequência
o real conceito da
minha autoestima.
Não sou qualquer
coisinha.
Se não conheço
suficientemente
minhas qualidades
e minhas
potencialidades,
se não sei quem sou,
terei que
enfeitar-me,
criar máscaras
e ir me adaptando
a todas as
circunstâncias.
Isso é cansativo
e provoca muitos
desequilíbrios.
Não sou totalmente
desconhecido
de mim mesmo.
Mas existe algo em
mim
ainda desconhecido.
Espanto-me
comigo mesmo.
Às vezes sou
transparente
a mim mesmo.
Enxergo-me como sou.
Sei do que sou capaz.
Conheço, também minhas fragilidades
e os limites até onde
consigo chegar.
Fazemos a experiência
dentro da nossa
natureza humana
e experimentamos
limites.
A experiência que
fazemos,
como humanos,
da finitude e dos
limites que temos
não deve concentrar
demasiadamente
nossa atenção,
caso contrário
cairemos nas garras
da depressão.
Se nos concentramos
no que temos de menos
bom,
o que é bom em nós
ficará contaminado
e enfraquecido.
Por outro lado, para
escapar da depressão,
ao fazermos a
experiência
do que de divino
existe em nós,
os limites serão
compreendidos
e se possível,
superados.
Sugerimos mais
a experiência da
imensidão
que existe em nós
do que a experiência
das nossas deficiências.
Para isso
é que continuo pesquisando-me,
conhecendo-me,
percebendo a fome do
infinito
e a sede da
imortalidade.
Já sei que não fui eu
que dei a vida a mim
mesmo.
Alguém possibilitou
que eu nascesse
perfeito:
meus pais e meu
Criador,
aquele que me criou
à sua Imagem e
Semelhança.
O humano que existe
em mim
me é familiar,
alcançou o máximo
que podia em termos
de evolução,
e, o divino que
existe em mim
está a evoluir e jamais deixará
de ser aperfeiçoado.
Nessa dimensão
é que se encontra o
dinamismo
que me impede de
acomodar-me,
impulsionando-me a
novas pesquisas.
Se me conheço
profundamente,
extasio-me,
percebo-me ainda
incompleto
e imperfeito
dentro de um
referencial permanente,
imagem e semelhança com o Deus Criador’.
Poetas e profetas
abriram o pano do
palco
e recitaram poesias
e profecias
alertando para algo
mais.
Artistas interpretam
personagens
que ainda não somos
e que poderemos ser.
Personalidades
santas,
entregaram-se à
atividades
que lhes desgastaram
a vida,
morreram, martirizam-se
em vista de uma
recompensa eterna.
Não foram
irracionais:
foram sim,
visionários.
Fizeram a experiência
da imensidão.
Muitos irmãos iguais
a nós,
mostraram-se como
eram
e revelaram
a personalidade
fortalecida pela
esperança.
Outros mostraram-se
como foram,
enfraquecidos pelo apego
à aparência
e aos afazeres do
mundo horizontal,
escolhendo essa
filosofia de vida.
Esqueceram
de cultivar a
profundidade
e a verticalidade.
Cultivaram apenas
arvoredos sem raízes.
Virá a chuva e os
ventos
e desestabilizará a
frágil estrutura.
Se te consideram
apenas
pelo que aparentas,
será usado e mentirão
para você.
Se te consideram
personalidade forte,
farás bem e
completarás
quem de ti se
aproximar.
Tens uma profundidade
que ninguém,
nem mesmo você
alcançará o fundo.
Tens um alcance para
cima
que nenhum limite
te impedirás de
percorrê-lo.
Nenhum conceito
esgotará
ou dissecará teus
recursos.
Nenhum limite
te fará desistir
de ser o que você foi
planejado
para ser.
Quem te olha
acha que te conhece.
Quem vê por fora,
vê apenas uma parte,
vê a periferia, vê o
que se enfeita,
vê o vestuário que
você veste,
vê a maquiagem.
Você que convive com
você o tempo todo,
sabe que ainda não se
conhece
o tanto quanto
precisarias conhecer-te.
O que somos por dentro
não há como esconder.
Nossos gestos e
nossas escolhas
revelam o negativo da
fotografia humana,
a natureza animal,
os instintos não
domesticados
e ainda não
totalmente canalizados
para a dimensão da
pessoa humana.
Se você
ainda não está
preocupado
com a prática do
direito e da justiça,
do amor e da
compreensão,
da tolerância e da
solidariedade,
ainda não alcançou
o
nível de pessoa,
das virtudes humanas.
Depois há mais um
nível,
frequentando a escola
eternizante,
pesquisando e vivendo
a dimensão do
espírito que há em você.
Aquilo que escolhemos
e aquilo com que nos
envolvemos
faz discurso sobre
nós.
Cada um se auto
projeta
naquilo que escolhe.
Aquilo que escolhemos
revela o somos.
Somos corpo e
espirito.
Somos carne e
espírito.
Somos matéria e
espírito.
Um morre
e o outro sobreviverá
para sempre.
A sabedoria se impõe
e convida para
investir todas as forças
na sobrevivência.
Existem três grandes
dificultadores
no processo do
amadurecimento
e evolução da pessoa
humana.
Impedem o desabrochar
da personalidade
divina.
- A tendência
à resistência*.
- Resistimos
automaticamente
ou conscientemente
a tudo aquilo que
escapa aos nossos sentidos
e à logica imposta
pela cultura do mundo.
A cultura do mundo
explora
quem não tem senso
crítico formado
pela filosofia e pela
teologia,
pelos valores da
moral e da ética,
valores da justiça,
do amor e do perdão.
- Resistimos
quando não abrimos
espaço
para o espiritual;
- Resistimos
quando não queremos
nos comprometer;
- Resistimos
quando recusamos;
- Resistimos, e como!
(Perceba as tuas resistências e analise-se.
Liberte-se delas. Elas estão se segurando,
impedindo que alcances
o dom e a liberdade de ser).
*O antídoto é
cultivar
e praticar a aceitação.
A tendência ao
apego*.
Tudo aquilo a que nos
apegamos,
nos aprisiona,
limitando nossas
potencialidades,
reduzindo nossa visão,
levando-nos ao
egoísmo
e ao fechamento
ao pequeno mundo das
coisas.
Se morrermos apegados
aos nossos bens,
nosso espírito ficará
grudado nos bens.
Ficará preso,
quando foi feito para
a liberdade.
O apego leva ao
estacionamento,
ao atrofiamento do
espírito.
Onde o espírito está
ativo,
há liberdade.
* O antídoto é
cultivar
e praticar o desapego.
A tendência ao julgamento.
Em relação às
pessoas,
não nos cabe o
julgamento
e sim a compreensão.
Somos todos irmãos,
em viagem,
necessitando que cada
um ajude ao outro,
dentro dos princípios
da fraternidade.
O atributo do
julgamento
só cabe a quem é Pai
e Criador,
não às criaturas ou
aos filhos.
Não temos autoridade
nem é nossa
competência o julgamento.
e praticar a compreensão.
A plenitude humana
é alcançada somente
numa condição:
na doação sincera de
si mesmo
a uma causa
que tenha
motivações eternas.
Veja o exemplo do
próprio Jesus Cristo
e de todos os grandes
mártires,
santos e
personalidades
benfeitoras da
humanidade.
Na verdade, viveram
como filhos,
considerando Deus,
como Pai.
Somente quem aceita
esta verdade suprema
consegue crescer
equilibrado,
pois tem a segurança
de estar sempre na
presença do Pai.
Então, quase
finalizando,
percebemos que vamos
conhecendo
cada vez melhor a nós mesmos,
a partir da
descoberta da verdade.
A verdade sobre nós
mesmos
é que vai dar a cada
um,
a segurança, a
maturidade,
a postura e o
comportamento aceitável
como válido
internacionalmente,
como passaporte para
o eterno.
A verdade é coerente.
A verdade liberta e
constrói.
Tudo o mais,
desgasta e
despersonaliza,
desvia e corrompe,
deprime e sufoca
uma personalidade que
foi feita
para a liberdade,
ao receber o espírito
como motor que
comanda
para a natureza
divina,
próximo e imediato nível
da evolução.
Eneas
Paulo Budel Bogucheski
Atualizado
em 12/05/2016.
Atualizado em 18/05/2026
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