domingo, 17 de agosto de 2014

140.- Terra. Espaço celeste. Dialogo do espaço com a terra.


       
Que poder tem a frase de um poeta

que, estando na Terra,

olha para cima

e pergunta para o Espaço celeste

se ele escuta as palavras

que a terra lhe sussurra?

 

Há um constante diálogo

do espaço infinito, sob nossas cabeças

com a Terra, sob nossos pés.

 

A Terra tem dificuldades

para escutar

o que o espaço silencioso fala.

 

E a Terra, inquieta, pergunta ao Espaço:

“Você me escuta?”

 

        O espaço responde: "Sim, aqui em cima, escuto.

Talvez seja impossível ouvir a canção da Terra

no rumor das ruas aí em baixo”.

 

(O espaço aproveita para dar continuidade ao diálogo). 

 

Olho-te daqui e tento entender-te. 

Vejo-te muito agitada, 

procurando incansavelmente a paz.

 

        Aqui também há muito agito, 

        mas há um silêncio fecundo.

              Todo movimento aqui é silencioso. 

               Acontece de tudo aqui também.

 

Não, não existem pessoas, 

apenas astros obedientes, em órbita.

 

Tudo, porém, é muito organizado.

 

Raramente há colisões.

 

Tudo o que acontece aqui  

já vem acontecendo há milhões de anos, 

talvez bilhões.

      

 Tenho inveja das pessoas boas 

        que vivem aí no teu chão.

 

        Você, terrinha, é muito pequena 

olhada cá de cima. 

 

Mas há tanta beleza por aí. 

 

Aqui é uma imensidão sem fim. Aqui onde moro é infinito.

Vocês me conhecem como Espaço. Mas sou infinito.

Cabe muito dentro de mim. Cabem universos. Cabem Galáxias.

 

Mas, digo-te que nas pequenas coisas aí da terra

estão escondidas grandezas ainda desconhecidas,

mesmo em ti, Bolinha de gude.  

 

           Não, não se ofenda. Gosto do bom humor.

 

 Veja-me assim, 

como um espaço bem-humorado, 

grande e acolhedor.

 

Veja como você está dentro dos meus limites,

ou melhor, acolhida, em meu ventre.

 

Você está dentro de mim,

dentro do meu espaço,

e não me sinto invadido e sim,

companheiro, amigo

e acompanhante. 

 

           Não te sinta sozinha neste ambiente sem fim.

 

Você está bem acolhida em meu aconchego.  

 

          Assim como você tem a lua que te acompanha,

circulando em volta de ti, eu tenho milhões de estrelas,

sóis, planetas e galáxias dentro de mim.

 

Mas há paz e harmonia entre todos nós.

 

        Dentro daquilo que é grande

não há colisões

e sim alianças de unidade. 

 

Você terrinha também é assim:

vejo dentro de ti milhões de pessoas,

animais, insetos, passarinhos,

todos usufruindo dos teus dons,

águas, mares, florestas, frutos e ares.

 

Vejo também muitas pessoas boas

aí no teu regaço.

 

Elas é que te deixam orgulhosa.

E é por isso é que te admiro. 

 

Mas vou confidenciar-te uma verdade:

também tenho pena de ti.

Vejo-te explorada

por algumas pessoas.

 

Sim, sei que você ainda está

em processo de libertação.

 

Ainda estás sujeita a algumas pessoas imaturas,

contaminadas pela ganância

e pelo egoísmo doentio.

 

       Aqui em cima estas pessoas ainda não chegaram.

 

Nem há lugar para elas aqui.

 

Se vierem com este tipo de doença,

ou se curarão imediatamente

ou explodirão, ao perceberem,

a harmonia e a convivência pacífica

que há por aqui

como modelo do equilíbrio

e contínuo desenvolvimento. 

 

Sim, aqui não há espaço

suficientemente grande,

capaz de suportar a insensibilidade

e a mentira, a incoerência

e a cegueira. 

 

       Não, não aceitamos aqui pessoas insensíveis,

míopes, desligadas da frequência com a imortalidade

e fora da órbita do infinito. 

 

Quem quiser vir para cá,

ainda com vida,

tem que ter uma sintonia fina,

tem que estar sintonizado

com as energias pacíficas e unitivas

que governam o universo.

 

Quem olha cá para cima

(poucos olham para o céu)

e arrisca-se a pensar

em morar por aqui,

que venha pronto

para abrir-se ao horizonte

ilimitado de possibilidades. 

 

      Não, aqui não há nada relacionado

a interesses pessoais fechados.

 

Aqui tudo é grande, aberto,

sem nada para segurar nas mãos

ou apropriar-se com o coração. 

 

        A única aventura disponível para os terráqueos,

aqui em cima

é cavalgar nas nuvens

porque o tempo não existe mais

e o espaço se perdem de vista.

 

Aqui mora a eternidade

que cada terráqueo deseja

em seus sonhos e ideais.

 

Aí, a Terra,

depois de ouvir todas estas mensagens,

Abriu a voz e falou:

 

Obrigado sr. Espaço.

 

Valeu pelo monólogo.

 

                     Sua amiga, Terra.

 

                            Voltaremos a conversar.

 

É gostoso falar

com que está aberto

e percebe,

e acolhe

nossas aspirações, 

nossos sonhos de imortalidade.

 

Eneas Paulo Budel Bogucheski

Atualizado em 19 03 2026 

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