sábado, 8 de outubro de 2016

354.- Pescaria. Pescaria malsucedida. Minha mente aqui, e meu corpo lá, na beira do rio.





Outro dia fui pescar.

Meu corpo foi,

eu não fui.



Não sei como cheguei.



Não vi estradas, paisagens,

veículos, pessoas ... nada.



Cheguei, sem ir.

Meu corpo estava lá,

pescando.



Distraído,

a chuva caiu

e me encharquei.



Meus pensamentos,

estavam lá, na cidade,

em meio aos problemas,

que queria, estar resolvendo.



E eu, onde estava?



Pescando?  - Que nada.



Delirando, vagando.



Minha mente aqui,

também ausente.



Desatento,

não via a rolha afundar.



Meu pensamento longe,

procurando paz.



Estando lá,

não percebia.



Dividido, agora sei,

nenhum lugar é bom.



Confuso estava,

em dois lugares diferentes

não aproveitando nenhum.



Cansado,

desanimado,

sem peixes.



Voltei descontente.



Aqui,

lembrando de lá.



Lá, pensando no aqui.



Não aproveitei nada aqui.

Não resolvi nada lá.



Agora

quero de novo

ir para lá.



E não quero estar aqui.




O que é que está acontecendo

 comigo?



Ah, já sei,

Não sou mais pescador.

Eu é que fui pescado.



Fui pescado, comi a isca do mundo.

Fui fisgado, corri atrás do mundo,

Estressado, sou peixe contaminado.



Tenho saudades da água pura.



Talvez deva ir até o mar,

lavar-me, envolver-me

na água salgada.



Talvez ela me cure

e me mantenha saudável,

unificado, como pescador,

concentrado.  





Eneas Paulo Budel Bogucheski

Atualizado em 08/10/2016




Leia outros textos:



Nenhum comentário:

Postar um comentário