Copiei o texto abaixo há muito tempo atrás, quando eu ainda
dançava sem parar.
Não me lembro o nome do autor. Sei que é de um irmão meu que
não vai dançar de bravo se o copio.
Transcrevo, com alguns enxertos meus.
Não transcrevo só para mim, mas principalmente para você.
Por isso, gostaria que você o lesse,
e viesse para o salão, dançar.
És convidado a dançar.
Aceitas meu convite?
Então, dance.
Dance de alegria.
Dance como alguém
que atende um pedido.
I
Há dança.
Sempre e em toda parte.
Só alguns homens sérios
não gostam de dançar.
Muitos santos
não souberam resistir
tão grande foi o impulso
para dançar.
O Rei Davi dançou
na frente da Arca;
Teresa com suas castanholas
também dançou.
São João da Cruz
com o menino Jesus no colo
dançou tudo que pode.
Francisco de Assis
na frente do Papa
exibiu com muita humildade
a harmonia existente
entre seu interior
e os passos cheios de leveza
e elegância.
A alegria destes amigos do Deus Pai
era grande demais.
O ritmo dos seus corações palpitantes,
impetuosos demais.
Tinham de dançar
para balançar
e deixar escapar de dentro de si,
energias de contentamento,
esparramar
de dentro para fora
a energia concentrada
dentro do coração.
Se não dançassem, explodiriam.
Dançar era uma necessidade.
II.
E nós.
Ah! Senhor,
Se fôssemos perdidos de amor por Ti,
não haveria mais resistências em nós.
Atraídos e fascinados,
arrebatados por teu amor,
seríamos forçados a levantar-nos
para colocar nossos passos,
hesitantes e ansiosos,
no ritmo dos teus.
III
Creio que muitas vezes
ficas como aquelas mulheres
no salão, sentadas,
esperando ansiosamente,
serem convidadas para dançar.
Os homens sérios,
sérios demais,
nem prestam atenção
à música.
Sérios querendo te encontrar
ou te conhecer por estudos,
por exercícios espirituais.
Querem te encontrar
como pessoas sensatas
e seguras.
Não foi por isso, Senhor,
que suscitastes esses outros bailarinos
que, cheios de alegria,
dançavam contigo sua vida?
IV
Um bom parceiro
não sabe para onde a dança o leva.
mas segue de maneira ágil
e não de pernas duras e rijas.
Não pergunta como é o passo,
mas cada passo ele faz
em prolongamento do vosso.
V
Por quê de todo jeito
querer avançar?
Quem dança bem,
roda até no mesmo lugar.
Vai para a esquerda.
Vai para a direita.
Faz parada
e desliza às vezes
em lugar de dar passos.
Errada seria se a música
não levasse tudo à harmonia.
VI
Mas nós esquecemos tantas vezes
a música do Espírito,
que marca a festa do amor.
Fazemos da nossa vida
um exercício.
Não enxergamos
que em teus braços
a vida se dança,
na confiança
do ritmo ditado por TI.
VII
A vida é cinzenta e monótona
para aqueles
que ficam esperando
o convite para dançar.
Mas não aparece ninguém
para convidar.
Somos tímidos e sem jeito.
Convida-nos de novo, Senhor.
Manda mais alguns mensageiros
convidar-nos.
Talvez não estejamos
com vestes apropriadas
ou não tenhamos a fé
no ritmo da dança
ou não tenhamos percebido
a festa que a vida é.
Mas como percebemos
a harmonia e o ritmo?
Como entramos nesta dança?
Preparai mensageiros músicos
e artistas para nos convencerem.
VIII
Vem Senhor
e nos convida de novo.
Estamos dispostos
a dançar contigo,
no calor e no frio,
a dança do trabalho
e a dança da rotina.
Não ficamos ranzinzas
quando a música está em bemol;
não desistimos
quando o ritmo é cansativo.
Nem deixamos saber aos outros
quando nos pisam nos calos.
Não acontece isso
em todas as danças?
IX
Senhor,
ensina-nos o lugar
nessa dança
neste namoro sem jeito
e imperfeito entre nós e vós.
Faça-nos sentir
as dissonâncias que produzimos.
Aceita nossos passos errados.
Afina-nos o ouvido
para não destoarmos
a orquestra da esperança.
Aceita-nos a fazer parte
da orquestra
para tocarmos
a sinfonia serena
da eternidade que surge.
Queremos fazer parte
da tua equipe de artistas,
de dançarinos na terra,
dando shows,
provocando aplausos.
X
Ajuda-nos Senhor,
cada novo dia
a vestir nossa humanidade
qual vestido de baile
tal como gostas ver em nós.
Faz que vivamos a vida
não como um jogo de xadrez,
onde tudo é calculado,
não como um racha extenuante,
nem como um problema intrigante,
ou um quebra-cabeça complicado,
mas como uma festa infindável
onde o encontro contigo
se renova cada vez
como uma dança
nos braços das tuas graças
na onda musical do teu amor.
Senhor,
vem e convida-me
para a dança.
Mesmo que não demonstremos
querer dançar.
Cativa-nos com vosso charme,
com vosso mistério.
Envolve-nos
com vosso olhar amoroso.
Transporta-nos
para as nuvens,
como acontece na dança
com o par amado.
Leva-nos para o grande salão
da tua morada eterna.
Nem que não queiramos.
Queremos contigo dançar
uma música eterna.
Amém. Aleluia.
Eneas Paulo Budel Bogucheski
Atualizado em 25/10/2016
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