quarta-feira, 9 de novembro de 2016

361.- Fé. A dinâmica da fé é um projeto de encurtamento de distâncias.





       Encurta-se distâncias 
com aproximação, 
depois com intimidade 
e finalmente com a comunhão, 
o contato físico.


       Vamos ver como aconteceu o milagre da cura da mulher que estava enferma havia doze anos:


       “Certa mulher que sofria de hemorragia fazia doze anos, e que ninguém pudera curar, aproximou-se por detrás do Jesus, na multidão e tocou a extremidade da sua veste. No mesmo instante a hemorragia parou. E o Jesus Cristo perguntou: “ Quem me tocou? ” Como todos negassem, o Pedro disse: “Mestre, a multidão te comprime e te esmaga”.  O Jesus insistiu: “Alguém me tocou; eu senti que uma força saia de mim”. A mulher, vendo que não podia se ocultar, veio tremendo, caiu-lhe aos pés e declarou diante de todos por que razão o tocara, e como ficara instantaneamente curada. O Jesus disse: “Minha filha, tua fé te salvou, vai em paz”. Lucas 8,43-48.



Quando toda distância

se vence,

o toque do Jesus

reconstrói

a nossa humanidade.

José Tolentino Mendonça,

no livro “A Mística do Instante”.





E nós também

esperamos respostas.





E nós também precisamos

de milagres.





Nossa fé

é pequena demais.





Não conseguimos voltar

até o passado,

dois mil anos atrás,

no meio da multidão,

e tocar a veste do Jesus.





Hoje, a fé para cada um de nós,

é um problema a resolver.





Hoje,

sentimos a dificuldade

da distância.





O processo da fé

terá que se adaptar

a um projeto

de encurtamento

de distância.





O que nos mantém longe,

distante,

é a falta de fé.




No espaço da distância

perdemos a visão;

na proximidade,

nem precisamos ver,

basta-nos crer.




Mas eu estou aqui, sem fé.

Preciso ter o corpo do Jesus

para tocá-lo.




Se Ele estivesse aqui,

minha hemorragia

estaria estancada.





Preciso tocar

para ver

se minha fé funciona.





Proximidade

encurta distâncias.





Confiança, fé, intimidade,

tem que levar ao contato físico.





Se não vejo nada,

sinto que estais próximo,

suficientemente próximo

para não me deixar

no vazio do nada,

na total desesperança.





Mas como encurtar distâncias?





Sou matéria, densa, pesada,

oponho resistências,

duvido o tempo todo.





Como é que a minha fé

pode curar-me?

Se foi de ti

que saiu a força?



Como posso encurtar

a distância entre nós?



Como posso aproximar-me,

chegar mais próximo,

tornar-me íntimo,

tocar-te?



Ah, lembro de uma outra vez
em que disseste:



“Eis que estou à porta e bato:

se alguém ouvir a minha voz

e abrir a porta,

entrarei em sua casa

e cearei com ele,

e ele comigo”.

Apocalipse do João 3,20



É o Jesus que procura a intimidade.

É a sua porta que precisa ser aberta.



Achei ... achei a porta 
que abre para a intimidade... 
foi ali, quando a mulher enferma 
ouviu a sua voz e deixou entrar 
a sua força curadora, 
sua palavra e a sua presença.



Mas e o tato, o contato físico,

como acontece entre nós?



O contato físico

acontece na Ceia, na Missa.



“Quem come a minha carne 
e bebe o meu sangue 
permanece em mim e eu nele”. 
João 6,56.



Esta é a fase final do projeto

a fórmula especial

através da qual

acontece a proximidade,

a intimidade, o com-tato íntimo.




Não há distância.

É você quem está distante.



Não há distância.

É você que não está antenado

e não está ouvindo a voz.



Não há distância.

É você que deve abrir a sua porta.



Em que fase está o seu projeto?



Você está no meio da multidão,

mas não é a multidão que toca.

É você que deve tocar no Jesus.



É você que está precisando

de um milagre.



Eneas Paulo Budel Bogucheski

Atualizado em 10/11/2016




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