O dia vai adiantado.
A noite vem chegando.
Eu aí,
entre o dia e a noite
vivendo cada momento
na eternidade que
permanece.
Te encontro.
E encontro
a outra metade
da minha alma.
Olho para ti.
Miro meu olhar
nos teus olhos
brilhantes.
Não é você que
encontro:
é a tua alma que
vejo,
que me acolhe.
Você não diz nada:
Seu olhar canta
alegre
a canção do encontro
de duas almas,
duas profundidades,
infinitas,
entrelaçadas
como se fosse,
uma só.
Assim é, sem
palavras:
brilho no olhar,
sorriso nos lábios,
entrelaçamento do
espírito
dançando sob o céu
infinito,
a harmonia criada
pelos acordes
da harpa instalada
no alto das
montanhas.
E nós,
nos vales aplainados
deslizamos nossos
passos,
escorregando, sem
esforços.
Há um fundo musical,
um aleluia,
sussurrado,
impronunciável,
assistindo-nos
enquanto dançamos.
Sem palavras,
nos entendemos.
Sem qualquer
comunicação,
nos comunicamos,
plenamente.
O que é isso?
Sintonia fina?
Amor quântico?
Alma gêmea?
A alma vê,
além das aparências.
Aparências
nada significam.
A beleza
está lá dentro.
Dentro da beleza,
está o mistério.
Dentro do mistério,
está a perfeição.
Perfeição que atrai,
mas se esconde.
Perfeição
que exerce atração,
mostrando o nu
vestido,
com a veste
transparente,
deixando espaço
para a imaginação
ir mais adiante.
O que é que nos leva
além,
para lá de qualquer
limite?
O que é que nos faz
experimentar
o que não conseguimos
definir?
O que é isso?
Saudades?
– Não, é mais do que
isso.
O que é, então?
Vontade de preencher
um momento vazio,
de sentimentos
duradouros.
O que de bom existe
e que mesmo encontrando
e que não nos
contenta
por inteiro,
é parte da alma
a procura
do criador
de todas as coisas
boas.
Eneas Paulo Budel Bogucheski
Atualizado em 28/12/2016
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