quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

373.- Alma. Eis aí sua alma.




O dia vai adiantado.





A noite vem chegando.





Eu aí,

entre o dia e a noite

vivendo cada momento

na eternidade que permanece.





Te encontro.





E encontro

a outra metade

da minha alma.





Olho para ti.





Miro meu olhar

nos teus olhos

brilhantes.





Não é você que encontro:

é a tua alma que vejo,

que me acolhe.





Você não diz nada:

Seu olhar canta alegre

a canção do encontro

de duas almas,

duas profundidades,

infinitas,

entrelaçadas

como se fosse,

uma só.





Assim é, sem palavras:

brilho no olhar,

sorriso nos lábios,

entrelaçamento do espírito

dançando sob o céu infinito,

a harmonia criada

pelos acordes

da harpa instalada

no alto das montanhas.





E nós,

nos vales aplainados

deslizamos nossos passos,

escorregando, sem esforços.





Há um fundo musical,

um aleluia, sussurrado,

impronunciável,

assistindo-nos

enquanto dançamos.





Sem palavras,

nos entendemos.





Sem qualquer comunicação,

nos comunicamos,

plenamente.





O que é isso?





Sintonia fina?





Amor quântico?





Alma gêmea?





A alma vê,

além das aparências.





Aparências

nada significam.





A beleza

está lá dentro.





Dentro da beleza,

está o mistério.





Dentro do mistério,

está a perfeição.





Perfeição que atrai,

mas se esconde.





Perfeição

que exerce atração,

mostrando o nu vestido,

com a veste transparente,

deixando espaço

para a imaginação

ir mais adiante.





O que é que nos leva além,

para lá de qualquer limite?



O que é que nos faz experimentar

o que não conseguimos definir?





O que é isso?





Saudades?

– Não, é mais do que isso.





O que é, então?





Vontade de preencher

um momento vazio,

de sentimentos duradouros.





O que de bom existe

e que mesmo encontrando

e que não nos contenta

por inteiro,

é parte da alma

a procura

do criador

de todas as coisas boas.





Eneas Paulo Budel Bogucheski
Atualizado em 28/12/2016


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