Vamos para a feirinha.
Lá
há tanta gente,
tanta
arte,
nos
olhos, nos olhares,
nos
lábios e nos sorrisos.
Pisando
leve, na calçada,
parando
um pouco em cada lojinha.
Comentando
com a companhia,
a
beleza estonteante
de
cada expressão de vida,
exposta,
disponibilizada,
sem
etiquetas de valor.
Artesanato
é
a arte feita com as mãos,
pequenas
peças, pequenas coisas,
com
detalhes que atraem,
chamam
a atenção,
provocando
no coração,
vontade
de comprar,
vontade
de levar.
Existe
também a arte
feita
do olhar.
Olhar
de compreensão,
que
absorve tudo,
por
fora e por dentro,
lá,
na intimidade.
Olhar
de ternura,
que
acaricia
sem
tocar.
Olhar
de admiração,
demorado,
observador,
penetrante,
silencioso,
mas
profundo,
compensador.
Olhar
que escuta
as
palavras não ditas,
interpretando-as
pela
simplicidade
da face lisa
e
serena.
Olhar
que contempla
ao
invés de apenas olhar,
visualizando
a graça
e
a pureza dos gestos
que
a natureza humana revela.
É,
sim, arte,
daquelas
difíceis de encontrar,
mas
tão boas, benéficas
especiais
e gratuitas.
De
tanta coisa gostamos,
gastamos,
temperamos
e
comemos,
e
vai para a barriga.
Outros
alimentos,
saciam
a nobreza,
a
alma, o espírito nosso.
Nem
só de pão vivemos.
Podemos
estar saturados,
sem
fome, mas vazios
de
artesanato facial.
Por
isso gostamos das feirinhas.
Os
olhos também gostam.
Os
olhos também saboreiam.
Pelos
nossos olhos entram em nós,
alimentos
afetivos.
Alimento
humano
transmitido
pelos olhos,
pela
maneira afetiva de olhar.
Não
é para comprar.
É
para ir buscar,
colecionar,
estocar,
depois
distribuir.
Guardar
lá dentro,
relembrar
a todo instante
sustento,
nutriente puro
para
nossa autoestima equilibrar.
Há
um exercício libertador,
que
nos enche de alegria,
que
é a capacidade de ver,
olhar
e deixar entrar,
dentro
de nós,
belezas,
arte,
expressões
de alegria,
de
bom humor,
de
entusiasmo juvenil.
Se
não estiveres bem,
sentindo
melancolia,
vá
até uma feirinha,
não
compre nada, ande, circule,
mire
o seu olhar no rosto do outro,
só
observe, olhe na face,
e
alimente-se, gratuitamente
de
alimentos para sua alma.
Existe
um tipo de olhar
que
é igual aquele
de
quem passeia na feirinha,
procurando
olhares de ternura.
Eneas
Paulo Budel Bogucheski
Atualizado
em 16/02/2017
Publicado
no Blog Heipo World
e no FACE
em 16/02/2017 e 10/07/2017.
Atualizado
em 12/03/2024.
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