quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

389.- Olhar de ternura. Artesanato facial na feirinha da gratuidade.



Vamos para a feirinha.

 

Lá há tanta gente,

tanta arte,

nos olhos, nos olhares,

nos lábios e nos sorrisos.

 

Pisando leve, na calçada,

parando um pouco em cada lojinha.

 

Comentando com a companhia,

a beleza estonteante

de cada expressão de vida,

exposta, disponibilizada,

sem etiquetas de valor.

 

Artesanato

é a arte feita com as mãos,

pequenas peças, pequenas coisas,

com detalhes que atraem,

chamam a atenção,

provocando no coração,

vontade de comprar,

vontade de levar.

 

Existe também a arte

feita do olhar.

 

Olhar de compreensão,

que absorve tudo,

por fora e por dentro,

lá, na intimidade.

 

Olhar de ternura,

que acaricia

sem tocar.

 

Olhar de admiração,

demorado, observador,

penetrante, silencioso,

mas profundo,

compensador.

 

Olhar que escuta

as palavras não ditas,

interpretando-as pela

simplicidade da face lisa

e serena.

 

Olhar que contempla

ao invés de apenas olhar,

visualizando a graça

e a pureza dos gestos

que a natureza humana revela.

 

É, sim, arte,

daquelas difíceis de encontrar,

mas tão boas, benéficas

especiais e gratuitas.

 

De tanta coisa gostamos,

gastamos, temperamos

e comemos,

e vai para a barriga. 

 

Outros alimentos,

saciam a nobreza,

a alma, o espírito nosso.

 

 

Nem só de pão vivemos.

 

Podemos estar saturados,

sem fome, mas vazios

de artesanato facial.

 

Por isso gostamos das feirinhas.

 

Os olhos também gostam.

Os olhos também saboreiam.

Pelos nossos olhos entram em nós,

alimentos afetivos.

 

Alimento humano

transmitido pelos olhos,

pela maneira afetiva de olhar.

 

Não é para comprar.

É para ir buscar,

colecionar, estocar,

depois distribuir.  

 

Guardar lá dentro,

relembrar a todo instante

sustento, nutriente puro

para nossa autoestima equilibrar.

 

Há um exercício libertador,

que nos enche de alegria,

que é a capacidade de ver,

olhar e deixar entrar,

dentro de nós,

belezas, arte,

expressões de alegria,

de bom humor,

de entusiasmo juvenil.

 

Se não estiveres bem,

sentindo melancolia,

vá até uma feirinha,

não compre nada, ande, circule,

mire o seu olhar no rosto do outro,

só observe, olhe na face,

e alimente-se, gratuitamente

de alimentos para sua alma.


Existe um tipo de olhar

que é igual aquele

de quem passeia na feirinha,

procurando olhares de ternura.

 

Eneas Paulo Budel Bogucheski

Atualizado em 16/02/2017

eneaspb@gmail.com

Publicado no Blog Heipo World

e no FACE em 16/02/2017 e 10/07/2017.

Atualizado em 12/03/2024.

 

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http://heiposworld.blogspot.com.br

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