quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

384.- Maturidade. Caminhando com as próprias pernas.




      Existe um desejo 

       em cada um de nós

        que anseia

         pela plenitude,

          exigindo chegar

             rapidamente,

               à perfeição.

 

        Ao nascer,

nascemos com pernas pequenas,

depois cresceram.

 

        Ao nascer,

nascemos com a cabeça pequena,

depois cresceu.

 

        Ao nascer,

não sabia ler nem falar,

depois aprendi.

 

Hoje estou equipado

e independente.

 

Mas ainda estou dependendo

de muitas coisas,

acostumado que fiquei

em buscar fora,

esquecendo que quase tudo

já está aqui dentro da cabeça

e do coração.

 

Criatura,

nasci dentro do mundo,

observei, e aprendi

com a natureza,

com as matas,

rios, vales e montanhas,

dias e noites,

estações quentes e frias.

 

Na cidade estudei história,

filosofia, moral, sociologia e psicologia.

 

Num determinado momento

parece que o tanque cultural

já estava cheio, saturado.

 

De repente

parece que vivemos

uma vida que não é a nossa.

 

Esquecemos de nós mesmos,

o que sou, do que gosto, onde prefiro ir,

como gosto de viver. 

 

Estamos a todo momento envolvidos

com livros, revistas, programas de TV,

vídeos, filmes, mensagens.

 

Existe um desejo latente

em cada um

que anseia pela plenitude,

exigindo chegar rápido

à perfeição.

 

E assim passamos os dias

e as noites pelejando, lutando,

buscando sem nunca alcançar

o objetivo.

 

É necessário acontecer algo

que interrompa

essa luta ilusória.

 

A próxima etapa,

necessária,

será abandonar a luta

e desfrutar o caminho,

com suavidade.

 

Parece que é essa

a sabedoria

que procuramos.

 

Na cidade,

a pressão existe

para aquisição de conhecimento

e de coisas, e para quê,

se estamos sempre ansiosos,

insaciáveis?

 

Na natureza,

feliz quem vive nos campos,

se vive, adaptado,

às estações do ano,

tendo tempo para ver, olhar,

contemplar, refletir e viver.

 

Sem pressa,

assistindo o sol nascer lentamente,

iluminando as horas de trabalho.

 

Com a calma e lentidão

que o entardecer te avisa,

na noite, se descansa,

e o silêncio toma a palavra,

ensinando a ir devagar.

 

Se chove, se recolhe

e se fica assistindo o gotejar

da chuva.

 

Parece que é aqui,

na natureza, que encontramos

muito mais, direção e significado.

 

Para viver em harmonia,

sentindo-se inteiro e harmonizado

com tudo e com todos,

não precisamos tanto de muito ler,

demasiado aprender.

 

O que realmente é importante,

é andar com as próprias pernas,

pensar com a própria cabeça,

ser quem somos,

sendo resposta responsável.

 

Eneas Paulo Budel Bogucheski

Atualizado em 09/02/2017

eneaspb@gmail.com

Publicado no blog Heipo World

em 09/02/2017.

Atualizado em 16/03/2024.

 

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