Andei por aí,
procurando
meu pai.
Pistas
encontrava,
sinais Ele deixava.
Como
órfão,
me
deformei,
perdi
minha identidade.
De
noite,
apenas
a fraca luz
da
lamparina.
De
dia
cada
um para suas buscas,
tudo
desorientava.
Sonhava
de noite.
De
dia buscava.
Vi
poetas,
com
sensibilidade aguçada,
pintando,
escrevendo, amando.
Com
afeto,
com
carinho,
devagarinho,
fui
me aproximando.
Paizinho
querido,
me
pega no colo.
Daqui
de baixo
não
consigo ver longe.
-
Sim filhinho,
suba
aqui nos meus ombros
e
veja tudo que pode.
Paizinho
querido,
só
consigo ver até o horizonte.
Me
empresta teu olhar.
-
Sim filhinho,
veja
com meus olhos.
Olhe
dentro das coisas
e
veja minha assinatura
em
tudo que criei.
Oh!
Agora sim,
minha
consciência clareou,
purificou
meu olhar,
ampliou
o espaço,
vejo
muitos poetas,
pintando
a natureza,
lustrando
paisagens sagradas.
Tão
pouca coisa aconteceu
e
tão grande transformação
sucedeu.
Apenas
pedi ao Paizinho
subir
nos seus ombros
e
olhar com seus olhos.
Não
sei
se
ultrapassei limites.
Apenas
sei
que
sai
de
onde estava
e
subi,
e
troquei meu olhar,
e
a visão melhorou.
Descobri
espaços
em minha alma,
que
ignorava existir.
Com
o olhar limpo,
sem
névoas ou vultos,
vi
claramente muitos poetas
pisando
e pintando
o
solo sagrado.
Não
vi o Deus invisível.
Vi
a criação Dele, a natureza,
os
poetas, imagens visíveis Dele.
Eneas
Paulo Budel Bogucheski
Atualizado
em 12/11/2017
Publicado
no blog Heipo’s World
e no FACE
em 12/11/2017.
Atualizado em 05/02/2024.

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