domingo, 12 de novembro de 2017

438.- Paizinho querido, me pega no seu colo.


Andei por aí,

procurando meu pai.

 

Pistas encontrava,

sinais Ele deixava.

 

Como órfão,

me deformei,

perdi minha identidade.

 

De noite,

apenas a fraca luz

da lamparina.

 

De dia

cada um para suas buscas,

tudo desorientava.

 

Sonhava de noite.

De dia buscava.

 

Vi poetas,

com sensibilidade aguçada,

pintando, escrevendo, amando.

 

Com afeto,

com carinho,

devagarinho,

fui me aproximando.

 

Paizinho querido,

me pega no colo.

 

Daqui de baixo

não consigo ver longe.

 

- Sim filhinho,

suba aqui nos meus ombros

e veja tudo que pode.

 

Paizinho querido,

só consigo ver até o horizonte.

Me empresta teu olhar.

 

- Sim filhinho,

veja com meus olhos.

Olhe dentro das coisas

e veja minha assinatura

em tudo que criei.

 

Oh! Agora sim,

minha consciência clareou,

purificou meu olhar,

ampliou o espaço,

vejo muitos poetas,

pintando a natureza,

lustrando paisagens sagradas.

 

Tão pouca coisa aconteceu

e tão grande transformação

sucedeu.

 

Apenas pedi ao Paizinho

subir nos seus ombros

e olhar com seus olhos.

 

Não sei

se ultrapassei limites.

 

Apenas sei

que sai

de onde estava

e subi,

e troquei meu olhar,

e a visão melhorou. 

 

Descobri

espaços em minha alma,

que ignorava existir.

 

Com o olhar limpo,

sem névoas ou vultos,

vi claramente muitos poetas

pisando e pintando

o solo sagrado.

 

Não vi o Deus invisível.

Vi a criação Dele, a natureza,

os poetas, imagens visíveis Dele.

 

Eneas Paulo Budel Bogucheski

Atualizado em 12/11/2017

eneaspb@gmail.com

Publicado no blog Heipo’s World

e no FACE em 12/11/2017.

Atualizado em 05/02/2024.

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