quarta-feira, 22 de novembro de 2017

440.- Eu, na UTI. Sou uma pessoa ocidentalizada.


Nasci aqui,

no lado de cá,

no Ocidente,

no mundo dos negócios,

do trabalho, do estresse.

 

Fui formado para trabalhar,

ganhar, ter dinheiro, ter fama,

comprar, gastar, consumir.  

 

Nasci, cresci e me deformaram

para ter alguma coisa.

 

Sou ferramenta.

Sou objeto manipulável.

Sou mercadoria.

Sou consumidor.

 

Estou constantemente doente,

inquieto, ansioso,

levado pela correnteza,

vivendo como estrangeiro,

fora do meu mundo,

meu eu profundo, verdadeiro.

 

Estou sempre na periferia,

desviado do centro,

das energias boas.

 

Não tenho referências,

onde me agarrar

ou quem me socorrer.

 

Entro nos esquemas

de planejamento

dos detentores do poder.

 

Eles têm poder sobre mim.

 

E eu permito,

sem resistências,

sem argumentos,

porque não me conheço,

não conheço minhas forças

e desprezo minhas fraquezas.

 

Sinto-me com dificuldade

para estar em paz

e viver em harmonia

comigo mesmo.

 

Há muita pressão

em meu inconsciente.

 

Existe pressão coletiva,

germinada do pensamento cultural

do Ocidente.

 

O meu íntimo,

minha profundidade,

meu eu verdadeiro

está muito distante

da minha posição,

do meu status original.

 

“Quem eu sou

saúde com tristeza

aquele que eu deveria ser”,

disse o poeta.

 

Há uma enorme dificuldade

de comunicação dentro de mim,

comigo mesmo.

 

Quem eu sou, meu eu original,

luta desesperadamente

com o falso eu, criado depois,

pela cultura exploradora

dos eus sem raízes,

sem referências,

sem Pai e sem irmãos.

 

Sou fácil

de ser manipulado.

 

Sou um inconsciente

utilizado pelos outros.

 

Quando dou conta de mim,

já estou envolvido

pelas propagandas,

pelos eventos programados

para me explorarem.

 

Percebo a estratégia deles

em me envolverem

em distrações e barulhos.

 

Não me dão chances

para ficar em silêncio

e tomar conta da vida que sou,

e que não parece minha.

 

Sinto-me um estranho

de mim mesmo.

 

Mas sou eficiente.

 

Estou sempre trabalhando.

 

Sou produtivo.

 

Trabalho

mais de oito horas por dia.

 

Sempre com pressa,

como barata tonta,

fugindo de mim mesmo.

 

 Não sou dono

de mim mesmo.

 

Não tenho tempo

para cuidar

da minha vida.

 

 

Sinto-me como coisa, objeto,

como uma ferramenta

destinada a fazer.

 

Estou sempre

fazendo alguma coisa.

 

Esqueci

o que é ser,

quem sou eu.

 

Não me sinto,

sendo.

 

Não consigo dizer

para mim mesmo:

Eu sou.

 

Sou apenas

ferramenta.

 

Sou apenas

mercadoria.

 

Sou apenas

objeto submergido

na cultura deles, não na minha.

 

Não tenho tempo

para pensar.

 

Não sei mais

o que é refletir,

pensar em mim,

dirigir meu próprio ser.

 

Só ajo como reagente.

Reajo.

 

Não tomo

minhas próprias decisões.

 

Estou

anestesiado.

 

Estou

no mundo do feitiço.

 

Vivemos enfeitiçados,

sob o efeito de drogas e anestésicos

contra a consciência.

 

Somos manipulados.

 

Estamos nas mãos

dos poderosos.

 

Desconhecemos nosso próprio poder.

E não nos dão chances

para descobri-los

e aperfeiçoá-los.

 

Porque a cultura materialista

É contrária à cultura do espírito.

 

Porque a cultura materialista, do mundo

não foi planejada para a personalização

das pessoas, mas sim para a massificação.

 

A cultura Ocidental

valoriza a cabeça, a mente,

os pensamentos, ações, realizações.

 

Não valoriza a meditação, o silêncio,

as condições para estar só

para avaliar-se e tomar conta

de si mesmo.

 

Quem está no comando

quer nos manter na ignorância,

principalmente, sobre você mesmo,

sua natureza, sua essência,

sua origem e sua finalidade

não querem que você descubra

o sentido da sua vida.

 

Somos alienados

dos valores existenciais.

 

Estamos vivendo

como se estivéssemos na UTI,

imobilizados, entubados,

semimortos, inconscientes.

 

A cultura Oriental

valoriza o coração, a reflexão,

o silêncio, a paz, a serenidade,

a posse de si mesmo.

 

Quem é livre,

quer libertar.

 

Quem possui sabedoria,

quer ensinar.

 

Se há uma cultura

a ser cultivada,

para que nos mantenhamos

livres e sábios:

é a cultura oriental.

 

Conscientemente,

buscarei a paz,

a serenidade,

viverei agora,

um momento atrás do outro,

sentindo, degustando, vivendo.

 

Conheci a cultura dos orientais,

lendo, pesquisando, estudando,

comparando.

 

Depois de comparar,

escolhi:

 

Deixar o caminho da ignorância

sobre mim mesmo,

e escalar a conquista da sabedoria.

 

Abandonar

as condições

de inquietude

e submeter-me

às exigências da paz.

 

Dar mais importância

aos meus anseios,

de realização.

 

Voltando à vida.

 

 Tenho de volta

minha consciência.

 

Recobrei os sentidos.

 

Agora, com essa tomada de consciência

recupero a vida, o meu destino.

 

Saí da UTI.

 

Estou recebendo ALTA da UTI.

 

*Quando escrevo,

e me coloco na primeira pessoa,

estou me identificando com cada ser humano.

O que eu penso, sinto, faço e escrevo,

sou eu e sou você envolvidos nessas situações.

 

Se você não se encontra neste contexto,

parabéns, você é perfeito, dono da sua vida,

consciente, tomador de sábias decisões.

 

Eneas Paulo Budel Bogucheski

Atualizado em 22/11/2017

eneaspb@gmail.com

Publicado no blog Heipo’s World

e no FACE em 22/11/2017.

Atualizado em 02/02/2024. 



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