Nasci aqui,
no lado de cá,
no Ocidente,
no mundo dos negócios,
do trabalho, do estresse.
Fui formado para trabalhar,
ganhar, ter dinheiro, ter fama,
comprar, gastar, consumir.
Nasci, cresci e me deformaram
para ter alguma coisa.
Sou ferramenta.
Sou objeto manipulável.
Sou mercadoria.
Sou consumidor.
Estou constantemente doente,
inquieto, ansioso,
levado pela correnteza,
vivendo como estrangeiro,
fora do meu mundo,
meu eu profundo, verdadeiro.
Estou sempre na periferia,
desviado do centro,
das energias boas.
Não tenho referências,
onde me agarrar
ou quem me socorrer.
Entro nos esquemas
de planejamento
dos detentores do poder.
Eles têm poder sobre mim.
E eu permito,
sem resistências,
sem argumentos,
porque não me conheço,
não conheço minhas forças
e desprezo minhas fraquezas.
Sinto-me com dificuldade
para estar em paz
e viver em harmonia
comigo mesmo.
Há muita pressão
em meu inconsciente.
Existe pressão coletiva,
germinada do pensamento cultural
do Ocidente.
O meu íntimo,
minha profundidade,
meu eu verdadeiro
está muito distante
da minha posição,
do meu status original.
“Quem eu sou
saúde com tristeza
aquele que eu deveria ser”,
disse o poeta.
Há uma enorme dificuldade
de comunicação dentro de mim,
comigo mesmo.
Quem eu sou, meu eu original,
luta desesperadamente
com o falso eu, criado depois,
pela cultura exploradora
dos eus sem raízes,
sem referências,
sem Pai e sem irmãos.
Sou fácil
de ser manipulado.
Sou um inconsciente
utilizado pelos outros.
Quando dou conta de mim,
já estou envolvido
pelas propagandas,
pelos eventos programados
para me explorarem.
Percebo a estratégia deles
em me envolverem
em distrações e barulhos.
Não me dão chances
para ficar em silêncio
e
tomar conta da vida que sou,
e
que não parece minha.
Sinto-me
um estranho
de
mim mesmo.
Mas
sou eficiente.
Estou
sempre trabalhando.
Sou
produtivo.
Trabalho
mais
de oito horas por dia.
Sempre
com pressa,
como
barata tonta,
fugindo
de mim mesmo.
Não sou dono
de
mim mesmo.
Não
tenho tempo
para
cuidar
da
minha vida.
Sinto-me
como coisa, objeto,
como
uma ferramenta
destinada
a fazer.
Estou
sempre
fazendo
alguma coisa.
Esqueci
o
que é ser,
quem
sou eu.
Não
me sinto,
sendo.
Não
consigo dizer
para
mim mesmo:
Eu
sou.
Sou
apenas
ferramenta.
Sou
apenas
mercadoria.
Sou
apenas
objeto
submergido
na
cultura deles, não na minha.
Não
tenho tempo
para
pensar.
Não
sei mais
o
que é refletir,
pensar
em mim,
dirigir
meu próprio ser.
Só
ajo como reagente.
Reajo.
Não
tomo
minhas
próprias decisões.
Estou
anestesiado.
Estou
no
mundo do feitiço.
Vivemos
enfeitiçados,
sob
o efeito de drogas e anestésicos
contra
a consciência.
Somos
manipulados.
Estamos
nas mãos
dos
poderosos.
Desconhecemos
nosso próprio poder.
E
não nos dão chances
para
descobri-los
e
aperfeiçoá-los.
Porque
a cultura materialista
É
contrária à cultura do espírito.
Porque
a cultura materialista, do mundo
não
foi planejada para a personalização
das
pessoas, mas sim para a massificação.
A
cultura Ocidental
valoriza
a cabeça, a mente,
os
pensamentos, ações, realizações.
Não
valoriza a meditação, o silêncio,
as
condições para estar só
para
avaliar-se e tomar conta
de
si mesmo.
Quem
está no comando
quer
nos manter na ignorância,
principalmente,
sobre você mesmo,
sua
natureza, sua essência,
sua
origem e sua finalidade
não
querem que você descubra
o
sentido da sua vida.
Somos
alienados
dos
valores existenciais.
Estamos
vivendo
como
se estivéssemos na UTI,
imobilizados,
entubados,
semimortos,
inconscientes.
A
cultura Oriental
valoriza
o coração, a reflexão,
o
silêncio, a paz, a serenidade,
a
posse de si mesmo.
Quem
é livre,
quer
libertar.
Quem
possui sabedoria,
quer
ensinar.
Se
há uma cultura
a
ser cultivada,
para
que nos mantenhamos
livres
e sábios:
é
a cultura oriental.
Conscientemente,
buscarei
a paz,
a
serenidade,
viverei
agora,
um
momento atrás do outro,
sentindo,
degustando, vivendo.
Conheci
a cultura dos orientais,
lendo,
pesquisando, estudando,
comparando.
Depois
de comparar,
escolhi:
Deixar
o caminho da ignorância
sobre
mim mesmo,
e
escalar a conquista da sabedoria.
Abandonar
as
condições
de
inquietude
e
submeter-me
às
exigências da paz.
Dar
mais importância
aos
meus anseios,
de
realização.
Voltando
à vida.
Tenho de volta
minha
consciência.
Recobrei
os sentidos.
Agora,
com essa tomada de consciência
recupero
a vida, o meu destino.
Saí
da UTI.
Estou
recebendo ALTA da UTI.
*Quando
escrevo,
e
me coloco na primeira pessoa,
estou
me identificando com cada ser humano.
O
que eu penso, sinto, faço e escrevo,
sou
eu e sou você envolvidos nessas situações.
Se
você não se encontra neste contexto,
parabéns,
você é perfeito, dono da sua vida,
consciente,
tomador de sábias decisões.
Eneas
Paulo Budel Bogucheski
Atualizado
em 22/11/2017
Publicado
no blog Heipo’s World
e no FACE
em 22/11/2017.
Atualizado
em 02/02/2024.

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