terça-feira, 17 de dezembro de 2019

696.- Sofrimentos úteis e sofrimentos inúteis



Sim, podem existir sofrimentos úteis.

Digamos que todos os acontecimentos,
fatos ou situações da vida,
carregam mensagens,
ensinamentos
e lições.

Aqueles sofrimentos-professores
ensinaram a não repetirmos
aqueles erros.

Aqueles sofrimentos necessários,
mudanças de hábitos,
dormir cedo,
levantar-se de madrugada,
estudar,
renunciar algo menor por um bem maior,
esforçar-se para superar limites,  
nos ensinaram as regras da perseverança
e a curtição do sucesso.

E sofrimentos inúteis,
ajudam ou atrapalham?

Avalie-se
percebendo
como você carrega nas suas costas,
sofrimentos inúteis,
estresses,
preocupações virtuais,
imaginadas
e que dificilmente acontecem.

Só existe dois sofrimentos reais,
primeiro, aquele que provoca dor
no corpo, e, segundo, aquele
que exige perseverança
para conseguir objetivos
.

Todos os demais sofrimentos,
são inúteis,
criados pela mente,
ou em decorrência
de desconhecermos
quem somos.

Quase todos os sofrimentos
nascem da imaginação.
Não são reais.

Não aprendemos ainda
a domar nossa mente,
refrear os instintos,
morder a língua,
exercer o discernimento
em nossas decisões.

A falta de conhecimento
de si mesmo
nos condiciona a escolher
o que a mídia oferece
nas propagandas.

A falta de conhecimento de si
nos mantém alienados
das nossas capacidades,
das nossas forças,
das energias de superação
e crescimento.

E desconhecemos a fonte própria,
onde estão todas as ferramentas
de crescimento e superação.
nosso íntimo,
a usina criativa,
fabricante exclusiva,
de soluções,
para todas as dificuldades.


As decisões de mudanças
nascem dentro,
como semente,
que explode a casca
para recomeçar a viver.

É claro que existem
preocupações reais,
por exemplo,
dívidas,
contas a pagar,
responsabilidades
na educação dos filhos,
investimento no relacionamento conjugal,
cuidado dos pais idosos,
atenção aos parentes ou amigos
com problemas,
compromissos sociais
assumidos ou a assumir.

A reflexão aqui proposta
é sobre os sofrimentos,
como cargas inúteis,
que podem e devem ser descartados,
desapegados, excluídos e expulsos,
da nossa horta
do fundo do nosso quintal.

Cuidar do bem-estar pessoal,
ter e levar uma vida saudável
supõe desprender-se
de sofrimentos inúteis
ou cargas desnecessárias.

É condição de qualidade de vida,
e de sabedoria,
conduzir a vida
na leveza do bom humor
da gentileza
e do cavalheirismo. 

Buscar a visão da vida
pelo olhar humilde,
perceber os sofrimentos inúteis,
que possam estar atrapalhando
e retardando,
tornando pesados os nossos passos.

Quem sofre,
inutilmente,
faz sofrer os outros
com quem convive.

- Ressentimentos, críticas,
raivas, lamentações, desânimo,
são percebidos pelos outros,
que se sentem contaminados;

- Conflitos não resolvidos,
semeiam conflitividade.

- Descontentes,
semeiam descontentamento,
e mal-estar ambiental.

- Não se aceitar do jeito que se é,
dificulta a aceitação dos outros.

- Desconhecer-se a si mesmo,
ignorar a existência da alma, do espírito
é a maior de todas as fontes de sofrimento.

Alimentamos nosso corpo
e deixamos o espírito morrer de fome,
sem os alimentos que contém
nutrientes capazes de melhorar
nossa vida
e a vida
de quem convive conosco.

Do desconhecimento
de si mesmo nascem
a insegurança
e a ansiedade,
a confusão,
a falta de sentido na vida,
a falta de energia
e de entusiasmo.

A Origem
dos sofrimentos inúteis
está sempre no próprio indivíduo,
e a tendência
é colocar a culpa
sempre nos outros.

Se você não se sente bem,
é em você que reside
este sentimento
indesejável.

Se você continua assim,
é você que se permite
o apego a este sentimento.

A origem
de tantos sofrimentos inúteis
está na pessoa mesma,
nas atitudes egoístas,
nos apegos a coisas
que não devolvem amor e carinho,
está nos pensamentos de inveja,
nas ilusões,
na sede de poder,
nos desejos de fama,
de glória,
de elogios,
está nos ressentimentos,
na falta da necessária paz
consigo mesmo,
na falta de sentido,
na falta de alegria,
no vazio interior.

Desconhecer-se a si mesmo
como fonte de onde se extrai
as motivações e razões de viver,
pode ser um sintoma,
bem legível,
da falta daquilo
que nos é mais essencial,
um Ídolo Perfeito,
no qual espelhar-se
como modelo de perfeição
para consertar a própria vida
a partir de dentro. 



Eneas Paulo Budel Bogucheski
Atualizado em 17/12/2019

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