segunda-feira, 9 de dezembro de 2019

694.- Eternidade. Vivendo a partir de referências eternas.



Se você se posiciona mentalmente

a partir de um ponto de vista imaterial,

eterno e permanente,

você se observará

como um diretor de teatro,

a ver-te no palco,

interpretando um papel de estressado,

 preocupado,

desorientado,

procurando desesperadamente

a sua verdadeira natureza.



Você está no palco da vida,

interpretando papéis.



Foi isso o que aprendemos,

o que nos foi inculcado

pela cultura da sociedade

na qual estamos envolvidos.



Porém, a busca pela originalidade,

nossa verdadeira natureza

é que deveria nortear

nossas ações.



O ego,

e os vários sofrimentos inúteis

que ele produz,

não te deixam perceber

que o que mais desejas

é a recuperação e o conhecimento

da sua autêntica natureza,

sua essência imortal.



O de que mais necessidade tens,

desde o momento

em que percebes

que algo ainda está te faltando

é encontrares o teu verdadeiro SER,

a sua alma

onde está impresso

um selo invisível,  

a sua origem divina

e a sua finalidade eterna.



Quando acontecer

de você conhecer verdadeiramente

a sua verdadeira natureza,

quem tu és,

a serenidade e a sabedoria

passarão a ser

as suas companheiras permanentes.



Conquistarás a visão ampla, lucidez,

transparência da vida e da morte,

compreenderás as oscilações

das alegrias e tristezas,

suportarás os momentos difíceis,

aceitarás fácil e igualmente,

críticas, derrotas e fracassos,

tanto quanto

os elogios, reconhecimentos

e sucessos.



Desde o momento

em que tomamos consciência

de que algo em nós já é absoluto,

permanente e eterno,

tudo o mais se torna relativo.

Entram em cena a aceitação,

o desapego, a não-crítica

e a não-violência.



Quando olhamos para os outros

 e para nós mesmos,

parece-nos

que não nos conhecemos

suficientemente.



Quando tentamos saber quem somos,

conseguimos ir um pouquinho só,

abaixo das aparências,

perto apenas,

da periferia.



Quando conseguimos

entrar um pouquinho mais

em nosso íntimo,

nos surpreendemos

com nossa capacidade criativa,

investigando e criando possibilidades.



Quando conseguimos

ir suficientemente a fundo de nós mesmos,

percebemos que somos um poço sem fundo,
 
imperscrutável, surpreendente e misterioso,

uma parte gostosa de estar e conviver.



Enquanto não descobrirmos

e dermos a devida atenção

ao que é permanente e eterno

 em nossa essência,

estaremos sempre correndo atrás

do que é supérfluo,

entrando em situações

e condições de desequilíbrios,

sujeitos à depressão,

pela falta de visão abrangente

e consequente desesperança,

ou falta de sentido.



Descobrindo

tudo o que é supérfluo,

descartamos o que atrapalha.



Só podemos descartar

o que é supérfluo,

pois a sua data de validade é rápida.


Compramos, compramos,

consumimos e consumimos

e vamos gastando a vida

com inutilidades

e acabamos nos identificando mais

com o desgaste e o envelhecimento.



E a sede continua,

a busca continua,

as resistências

em entrar pelas sendas da profundidade

também continuam,

e vivemos assim,

carregando uma carga insuportável

de sofrimentos inúteis.



Queremos,

desejamos viver a vida

de uma forma plena,

 porém, não conseguimos,

porque não nos permitimos subir

para o nível da aceitação

dos valores do mundo invisível,

espiritual,

permanentes,

absolutos.



Se não houver paradas,

silêncio,

meditação, contemplação,

comparações, leituras de biografias,

de pessoas diferentes de nós mesmos,

permaneceremos com os conceitos

ditados pelo ego pessoal, umbilical,

colocando-se a si mesmo

como referência das verdades,

que não são, absolutamente,

absolutas.



Só após uma firme decisão

 em entrar pelos caminhos da aceitação,

desapego e não julgamento

é que estaremos em condições

de progredir

nas descobertas

daquilo que faz parte

da nossa verdadeira natureza, eterna.



São os nutrientes eternos

que alimentam de sentido nossa vida.



Existem valores permanentes

que servem de referência.



Aceitá-los,

buscá-los

e adaptar nossas escolhas

nesse caminho

é o desafio

para a evolução

 a que a natureza divina aguarda

para manifestar-se visivelmente,

não tanto em teu agir ou fazer,

mas na sua essência,

no teu SER,

matéria prima,

imagem do Criador.



Por tudo isto

é que sonhamos alçar

voos espirituais.





Eneas Paulo Budel Bogucheski

Criado em 09/12/2019

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