Algo em mim impulsiona,
energiza e anima
o que tenho de humano,
em direção a algo mais,
além deste mundo,
além do que vejo,
sinto e percebo.
Algo condiciona e impulsiona
meu frágil ser,
a expressar-se
mais do que posso.
Algo me anima
a querer e poder
mais do que sou.
Sinto cócegas.
Preciso me coçar.
Numa hora
quero ser mais livre,
quero voar,
mas não consigo,
não tenho asas.
Noutra hora
quero transportar-me
para o alto da montanha,
sem dar os passos
por entre as
pedras.
Querendo
ser mais
experimento as barreiras,
as cadeias,
as cordas,
as correntes,
as carências,
as impotências,
e a paralisia.
Eis que
ainda sou uma mistura de massas,
composta pela síntese mineral,
vegetal, animal e humana,
habitado por migalhas
de infinito.
Quero devolver-me ao infinito
mesmo
sendo massa pesada.
Sei que
minha alma é leve
e transparente.
Estou na terra,
mas
não sou terráqueo.
Se daqui eu fosse,
seria muito mais sossegado.
Mas tem coisa dentro de mim
que cutuca o bicho preguiça,
que desperta outro bicho,
escondido,
atrás desta natureza
humana,
projetada
para novos
horizontes,
novos espaços,
novo jeito de ser,
ainda
desconhecido.
De
repente,
de novo,
experimento-me
curtindo uma expectativa
uma esperança,
ou uma ânsia,
uma
saudade...
que me parece
não ser minha.
Uma sensação
de que não sou daqui.
Não me acostumo
com minhas limitações.
Aprendo com o que sinto.
Sinto que falta algo.
Onde está?
Não encontro dentro de mim
o que me foi prometido,
por herança,
por
imagem
e
semelhança.
Meus limites temporários
fazem-me esquecer
que sou humano,
limitado pelos pés.
Algo estranho,
aqui dentro
me faz sentir
o que é ser já,
eterno,
sem ser.
E aí o tempo passa
e eu não percebo
o tempo passar.
Será essa
a prova
sentida,
que
não sou daqui?
Eis que
sou
e estou
morando
no tempo.
No Céu,
fora do tempo,
o
meu e nosso Pai,
o Artista que nos criou,
o Perfeito
está sempre a chamar:
Vem’.
Existe uma ânsia,
uma vontade
ou um sonho
que arde
dentro de cada um de nós,
pessoas humanas realmente,
e divinas potencialmente.
O que há de humano,
abre a porta,
de saída,
para além
de nós mesmos.
O que há
de divino
em cada um nós
manifesta-se como sede
que não sacia,
como obra de arte
inacabada.
Eneas
Paulo Budel Bogucheski
Atualizado
em 03/08/2020

Nenhum comentário:
Postar um comentário