Há algo mais
muito mais,
não aqui,
mais ali,
no infinito.
Há algo superior,
perfeito,
que nossas capacidades mentais
e espirituais,
possibilitam conhecer.
Há algo mais
além
do que nossos olhos
veem.
Há algo mais
para lá
do que nossos sentimentos
experimentam e sentem.
Há algo mais
que a fé diz existir
e que ainda nos escapa.
Há algo em nós
que é sobrenatural,
e que nos ultrapassa
e que esconde ‘algo’.
Há algo mais
que nos provoca,
atraindo-nos e nos chama
e nos deixa ansiosos.
O que é desconhecido
quer se fazer conhecido.
O que nos mantém presos
e inseguros
é a sensação
do despreparo,
das resistências,
diante do que é desconhecido,
ou esteja ainda, na dimensão
do invisível.
Se nos sentimos
despreparados
é porque não nos conhecemos
suficientemente.
Não conhecemos
quase nada
da nossa essência
e pouco
sobre nossa existência.
Receamos conhecer
o desconhecido
que promete mais,
e nos acostumamos
com o conhecido
que não nos realiza.
Em cada um de nós
existem possibilidades
desconhecidas,
ainda dormindo.
Abrir-se ou aventurar-se
no campo do infinito
é a maior
de todas as ambições humanas.
É uma aventura,
quase um escape,
um querer fugir
do mundo pequeno.
É uma revolta
contra tudo aquilo
que não preenche,
não completa,
não realiza
e deixa um sutil sentimento
de frustração.
é
escolher a última opção,
as
últimas linhas do horizonte,
a
última estação
rumo
á plena realização.
Abrir-se
ao infinito,
é
a última chance
para
escolher,
romper,
as
fronteiras,
e
os limites.
Abrir-se
ao infinito,
para
dar chances
para
nossa essência vital eterna,
vivenciar
os melhores valores
que
temos jà, à nossa disposição.
Estes
valores, vivenciados,
provam
a existência do céu.
faz
cócegas
no
finito.
O
infinito
desperta
a curiosidade,
abre
as portas
para
esperanças novas.
Somos
o mais completo,
complexo
e
complicado ser da criação,
mas
experimento,
simultaneamente
as
força da limitação
e
as aberturas
para
o ilimitado.
Mas
esta limitação,
é
apenas um detalhe,
um
componente do todo.
Não
é um obstáculo,
intransponível.
mais altos e mais fortes
do que sou.
Tenho sonhos infinitos
que querem alargar
os limites
do que sei
e experimento.
Minha fragilidade humana
limita
o que de eterno
há
em mim.
O que há de finito em mim,
serve de copo
para recepcionar o infinito.
Cabe?
Cabe sim, vazando, escapando,
segurando
as sobras que
satisfazem.
Quão pequeno sou,
quase incapaz,
mas teimoso
e esperançoso,
tento fazer caber
dentro das minhas limitações,
“o maior”,
o imenso,
o infinito.
Há de caber
o que não posso conter?
Se não couber todo,
há de vazar.
do que manter vazio
um espaço criado
para recepcionar
o infinito.
Está para acontecer,
a qualquer momento,
se não me arrebento,
coisa grande vai acontecer.
Será
que estamos à porta?
ou à beira, do fim?
Ou de um novo grande evento?
Um recomeço?
Vamos continuar.
É
melhor arriscar,
do
que ficar por aqui,
parado.
Aqui, a ‘coisa’ vai
acabar.
Lá, a ‘coisa’
está sempre a começar.
Esta inquietação
atrai e convida,
e se expõe
e se impõe.
É
uma atração.
Espera um sim.
Exige
uma resposta.
Não há como resistir.
Não é algo comum.
Não faz parte da rotina.
Escapa das nossas mãos e visões.
Não vejo a mesma ânsia nos outros,
meus irmãos,
meus iguais.
Será um dom
ou teimosia,
desequilíbrio
da minha natureza?
Na grande síntese da vida
apenas três
realidades existem:
o mundo, o homem e o Deus-Trino.
Destas três realidades,
a que menos conhecemos
é o nosso próprio Pai Criador.
O mundo visível,
já o conhecemos,
pois que somos
pó das estrelas
e barro da terra.
O mundo invisível
esconde códigos e senhas
e estamos começando
a decifrá-los.
Do homem
temos um razoável conhecimento
pela História
e pela lida, no dia a dia.
Estamos continuamente,
uns ao lado dos outros.
E muitos de nós,
causamos espanto e
surpresas.
Na
natureza humana
surgem
interrogações.
As
definições filosóficas e científicas
não
esgotaram a intimidade,
o
conteúdo e as promessas feitas
às
criaturas humanas,
imagem
e semelhança
do
Pai Criador.
Há
ansiedade insatisfeita.
Há
profundidade infinita
na
natureza humana
que
só o infinito pode suavizar,
que
só o infinito pode ‘encher’.
Do
Deus Pai e do Deus Filho
e
do Deus Espírito Santo,
as
fontes de pesquisas são infinitas.
E é por aqui
que agora havemos de pisar.
Esta parceria, promover para aliança,
é
a mais acertada tacada
do
nosso último empreendimento
na
escalada da pirâmide da perfeição.
Devemos
desistir?
Mas por que
deixar como está?
Na escuridão?
Ignorando a fonte da Luz
que nos faz enxergar
lá do outro lado
e lá em cima?
Quero morar lá,
onde mora o Infinito.
Algo em
mim impulsiona,
energiza e anima
o que tenho de humano,
em direção a algo mais,
além deste mundo,
além do que vejo,
sinto e percebo.
Algo condiciona e impulsiona
meu frágil ser,
a expressar-se
mais do que posso.
Algo me anima
a querer e poder
mais do que sou.
Sinto cócegas.
Preciso me coçar.
Numa hora
quero ser mais livre,
quero voar,
mas não consigo,
não tenho asas.
Noutra hora
quero transportar-me
para o alto da montanha,
sem dar os passos
por entre as
pedras.
Querendo
ser mais
experimento as barreiras,
as cadeias,
as cordas,
as correntes,
as carências,
as impotências,
e a paralisia.
Eis que
ainda sou uma mistura de massas,
composta pela síntese mineral,
vegetal, animal e humana,
habitado por migalhas
de infinito.
Quero devolver-me ao infinito
mesmo
sendo massa pesada.
Sei que
minha alma é leve
e
transparente.
Estou na
terra,
mas não
sou terráqueo.
Se daqui eu fosse,
seria muito mais sossegado.
Mas tem coisa dentro de mim
que cutuca o bicho preguiça,
que desperta outro bicho,
escondido,
atrás desta natureza
humana,
projetada
para novos
horizontes,
novos espaços,
novo jeito de ser,
ainda desconhecido.
De
repente,
de novo,
experimento-me
curtindo uma expectativa
uma esperança,
ou uma ânsia,
uma
saudade...
que me parece
não ser minha.
Uma
sensação
de que não sou daqui.
Não me acostumo
com minhas limitações.
Meus limites temporários
fazem-me esquecer
que sou humano,
limitado pelos dois pés.
E me fazem sentir
o que é ser já,
eterno,
sem ser.
E aí o tempo passa
e eu não percebo
o tempo passar.
Será esta a sensação
de sentir,
que não sou daqui?
Eis que
sou e estou
morando no tempo.
No Céu,
fora do tempo,
o
meu e nosso Pai,
o Artista que nos criou,
o Perfeito
está sempre a chamar:
Vem’.
Existe uma ânsia,
uma vontade ou um sonho
que arde dentro de cada um de nós,
pessoas humanas realmente,
e divinas potencialmente.
O que há de humano em nós,
abre uma porta, uma saída,
para além de nós mesmos.
O que há de divino em nós
manifesta-se como sede
que não sacia,
como obra de arte
inacabada.
Eneas Paulo
Budel Bogucheski
Atualizado
em 01/08/2020

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