segunda-feira, 14 de julho de 2025

1004.- Alma. Permita que o vento leve sua Alma a passear.


Ah, como eu gostaria

que o vento da Alma 

fosse visível e colorido,

atraísse, contagiasse e animasse

todos os seres vivos. 

 

Se a Alma for invisível, como o vento,

então nós a vemos, pelos seus efeitos.

 

O vento vem, o vento vai,

se mostrando no movimento dos galhos das árvores,

          e nas folhas soltas, levando-as para passear.

 

O vento vem, o vento vai,

brincando com meus e o seus cabelos,

acariciando a minha e a sua pele.

 

Se o vento quiser pode me levar.

 

Minha Alma quer flutuar.

 

Ela não tem peso, tamanho nem idade.

 

Que o vento me leve

para onde os mistérios atraem.

 

Deixo-me ir plainando, por mais tempo,

todo tempo, até aterrissar,

na eternidade.

 

Ah! Como gostaria deixar minha Alma

viajar com o vento.

 

É né ..., mas a cabeça está tão cheia.

         E o nosso corpo é tão pesado.

 

Cheios de preocupações, amarrados nos apegos,

enroscados nos preconceitos, paralisados pelos medos,

fechados nas inseguranças,

prejudicados pelas desconfianças

desequilibrados pelos excessos,

assim nos sentimos divorciados dos valores da Alma.

 

Parece que só sabemos viver

a partir dos pensamentos. 

 

A nossa cabeça pesa mais

do que a força do vento.

 

Parece que colocamos tudo,

todos os pesos, todas as preocupações,

só na cabeça.

 

Colocamos o mundo todo,

dentro da nossa própria cabeça.

 

Opomos resistências,

duvidamos, defendemos,

retardamos, racionalizamos,

e acabamos desistindo,

porque deixamos de ser crianças,

e nos autopromovemos para adultos,

antes de amadurecer. 

Vivemos, teimosa,      

confusa e pesadamente,

a partir da mente e da razão racional

e, muitas vezes, razão irracional.

 

Não aprendemos a dar asas à nossa Alma.

Não soltamos nossa Alma

ao sabor dos ventos.

 

Ah, como seria bom

deixar-se levar pelo vento.

 

O que acontece com uma folha seca,

levada pelo vento?

 

Observe. Medite. Contemple.

 

Que inveja dessa folha!

Tão pobre, sem nada,

e tão rica, sendo embalada,

levada, viajando pelo mundo

nas palmas do vento.

 

A folha, sábia folha,

se abandona, plaina, voa, dança,

sem mesmo querer saber,

para onde o ritmo e os balanços a levam.

 

É levada para onde 

o vento livre e alegre vai.

 

Como é sentir-se como uma folha seca

sendo levada pelo vento, por aí,

por paisagens e países distantes,

livres, sem freios, sem medos?

 

Mas não podemos nos largar por aí,

assim, irresponsavelmente.

 

O que vão pensar de nós?

 

Mas, se o vento é suave,

e se aproxima,

por que resistir?

 

Deixe-se acariciar.

 

Deixe-se levar, dançando, balançando,

plainando, teimando, resistindo aterrissar.

 

Se o vento te convida,

a sair do lugar em que está enraizado(a),

não será, talvez, o vento, um amigo,

convidando-te a passear?

 

Você entende a linguagem do vento?

Consegue com ele, conversar?

Ou apenas escutar? Interpretar?


Soltar-me, deixar-me levar pelo vento, 

como folha seca ... ah! seria demais!

 

Imagine, quão longe irei, se, mais leve,

como uma pena de passarinho, soltar-me por aí?

 

E se, ainda mais leve,

aonde irei, onde conseguirei chegar,

com minha Alma, finíssima arte,

transparente e infinita, viajando pelo céu?

 

Soltar-se, abandonar-se,

acreditar no impossível,

mistérios que não desejamos

que sejam abertos nem conhecidos.

 

Por favor, não queiram explicar os mistérios.

 

Deixem-me algumas esperanças,

 

Não existirão mistérios, lá em cima, no céu?

 

O espaço celestial é imenso.

Lá podem caber alguns milagres.

 

Permitam-me que eu mesmo descubra,

onde o vento quer e pode me levar.

 

Se o vento quiser, ou outro meio tiver,

mais para o alto, mais para cima,

minha Alma deseja flutuar para sempre,

pois o universo é infinito,

e minha Alma não tem peso, 

    tamanho nem idade.

 

Tomara. Mais e mais vou treinar meus passos

para que se tornem cada vez mais leves,

soltar-me das amarras, deixar que o vento me leve

para onde os mistérios atraem.

 

Quero ir aprendendo a voar,

permanecer plainando,

por mais idade, até aterrissar na Eternidade. 

 

De cima veio um vento, um sopro.

O hálito divino deu-nos vida, asas e Alma espiritual.

O coração amoleceu, sensibilizou-se,

chorou e sorriu, olhou para cima e acreditou.

 

Ah! Como eu gostaria que o vento da Alma,

fosse visível e colorido, atraísse,

contagiasse, curasse,

    animasse e vivificasse

     todos os seres vivos.

 

Eneas Paulo Budel Bogucheski

eneaspb@gmail.com

41 98854-5166

Publicado no BLOG e no FACE em 15/07/2025

 

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