Ah, como eu gostaria
que o vento da Alma
fosse visível e colorido,
atraísse, contagiasse e animasse
todos os seres vivos.
Se
a Alma for invisível, como o vento,
então nós a vemos, pelos seus efeitos.
O vento vem, o vento vai,
se mostrando
no movimento dos galhos das árvores,
e nas folhas soltas, levando-as para
passear.
O vento vem, o vento vai,
brincando
com meus e o seus cabelos,
acariciando a
minha e a sua pele.
Se
o vento quiser pode me levar.
Minha Alma quer
flutuar.
Ela
não tem peso, tamanho nem idade.
Que
o vento me leve
para
onde os mistérios atraem.
Deixo-me
ir plainando, por mais tempo,
todo
tempo, até aterrissar,
na
eternidade.
Ah! Como gostaria deixar minha Alma
viajar
com o vento.
É né ..., mas a cabeça está tão cheia.
E o nosso
corpo é tão pesado.
Cheios de preocupações, amarrados nos apegos,
enroscados
nos preconceitos, paralisados pelos medos,
fechados nas inseguranças,
prejudicados
pelas desconfianças
desequilibrados pelos excessos,
assim
nos sentimos divorciados dos valores da Alma.
Parece que só sabemos viver
a partir dos pensamentos.
A nossa cabeça pesa mais
do que a força do vento.
Parece que colocamos tudo,
todos os pesos, todas as preocupações,
só na cabeça.
Colocamos o mundo todo,
dentro da nossa própria cabeça.
Opomos resistências,
duvidamos, defendemos,
retardamos, racionalizamos,
e acabamos desistindo,
porque deixamos de ser crianças,
e nos
autopromovemos para adultos,
antes de amadurecer.
Vivemos, teimosa,
confusa e pesadamente,
a partir da mente e da razão racional
e, muitas vezes, razão irracional.
Não aprendemos
a dar asas à nossa Alma.
Não soltamos nossa Alma
ao sabor dos ventos.
Ah, como seria bom
deixar-se
levar pelo vento.
O que acontece com uma folha seca,
levada
pelo vento?
Observe. Medite. Contemple.
Que inveja dessa folha!
Tão pobre, sem nada,
e tão rica, sendo embalada,
levada, viajando pelo mundo
nas palmas do vento.
A folha, sábia folha,
se abandona, plaina, voa, dança,
sem mesmo querer saber,
para onde o ritmo e os balanços a levam.
É levada para onde
o vento livre e alegre vai.
Como é sentir-se como uma folha seca
sendo levada pelo vento, por aí,
por paisagens e países distantes,
livres, sem freios, sem medos?
Mas não podemos nos largar por aí,
assim, irresponsavelmente.
O que vão pensar de nós?
Mas, se o vento é suave,
e se aproxima,
por que resistir?
Deixe-se acariciar.
Deixe-se levar, dançando, balançando,
plainando, teimando, resistindo aterrissar.
Se o vento te convida,
a sair do lugar em que está enraizado(a),
não será, talvez, o vento, um amigo,
convidando-te a passear?
Você entende a linguagem do vento?
Consegue com ele, conversar?
Ou apenas escutar? Interpretar?
Soltar-me, deixar-me levar pelo vento,
como folha seca ... ah! seria demais!
Imagine, quão longe irei, se, mais leve,
como uma pena de passarinho, soltar-me por aí?
E se, ainda mais leve,
aonde irei, onde conseguirei chegar,
com
minha Alma, finíssima arte,
transparente e infinita, viajando pelo céu?
Soltar-se,
abandonar-se,
acreditar no impossível,
mistérios que não desejamos
que sejam abertos nem conhecidos.
Por favor, não queiram explicar os mistérios.
Deixem-me
algumas esperanças,
Não existirão mistérios, lá em cima, no céu?
O
espaço celestial é imenso.
Lá podem caber alguns milagres.
Permitam-me que eu mesmo descubra,
onde
o vento quer e pode me levar.
Se o vento quiser, ou outro meio tiver,
mais
para o alto, mais para cima,
minha Alma deseja flutuar para sempre,
pois o universo é infinito,
e minha Alma não tem peso,
tamanho nem idade.
Tomara. Mais e mais vou treinar meus passos
para
que se tornem cada vez mais leves,
soltar-me das amarras, deixar que o vento me leve
para onde os mistérios atraem.
Quero ir aprendendo a voar,
permanecer plainando,
por mais idade, até aterrissar na Eternidade.
De cima veio um
vento, um sopro.
O hálito divino deu-nos vida, asas e Alma espiritual.
O coração amoleceu,
sensibilizou-se,
chorou e sorriu, olhou
para cima e acreditou.
Ah! Como eu
gostaria que o vento da Alma,
fosse
visível e colorido, atraísse,
contagiasse,
curasse,
animasse e
vivificasse
todos
os seres vivos.
Eneas
Paulo Budel Bogucheski
41
98854-5166
Publicado
no BLOG e no FACE em 15/07/2025
Para ler
outros textos acesse meu blog
https://heiposworld.blogspot.com/
e no
FACEBOOK https://www.facebook.com/eneaspaulo.bogucheski

Nenhum comentário:
Postar um comentário