Aquele
que procura conhecer-se a si mesmo,
pergunta-se
quem sou?
Aos
poucos vai se conhecendo.
Olhando,
observando, perguntando-se,
chegará
até o limite do conhecimento humano,
e
aí, na beirada, na última fronteira
da
sua condição humana,
vai
se perguntar: quem sou?
Sou alguém que pergunta,
que observa,
que sente,
que vai,
apertado, dentro de um ovo,
esperneando,
querendo quebrar a casca,
sair para um
mundo novo.
Sou alguém
definido
como uma
pessoa ‘limitada’
por uma
cultura de mundo, fechada.
A
cultura do mundo formou a nossa cabeça
dizendo que somos uma ferramenta.
Com
essa ferramenta você será um profissional.
Para ser um profissional
você deverá estar preparado
para ser alguém capaz de trabalhar
na profissão que escolher.
Essa profissão
te levará a ter boas condições de vida,
para comprar o que precisar para ser
alguém.
E você compra o que consegue
para te dar uma sensação de segurança,
de tranquilidade e de conforto.
E
alguns param por aí,
para
viver neste mundo,
como
todo mundo vive,
como
ferramenta.
Mas,
possuidor de uma consciência,
você
percebe que não é essa
a
sua essência.
Isso
é muito pouco.
Deve
ser mais do que só isso.
Viver
oito horas por dia,
trabalhando
como um profissional.
Mas,
nas outras dezesseis horas,
quem
posso ser?
Então,
a sua consciência
mais uma vez se pergunta:
Quem sou, além
de um profissional?
Sou
alguém que me procuro,
e
me pergunto: “Quem sou?”.
Sou o conhecimento não racional,
não
localizável, dentro de mim.
Sou uma vontade livre, leve,
dentro
de um corpo, em movimento.
Sou essência absoluta, incompreensível,
algo
sem definição humana completa.
Sou o invisível dentro do visível.
Sou o absoluto, no mundo relativo.
Sou como o vento, livre, solto.
Sou o imóvel, dentro daquilo que se
move.
Sou a sensação de vida,
unidade ampla, de movimento.
Sou
a forma de expressão, da Alma invisível.
Venho, não
sei de que direção.
Vou, não sei
para onde.
Ninguém me
encerra
dentro de
definições mentais.
Escapo,
ultrapasso.
Não sou a areia, não sou o sal,
não sou a
água, não sou a onda,
nem a espuma
branca.
Sou o mar, que abraça e irmana
todas as
terras, continentes e nações.
Sou a consciência eterna, viajando, de
carona,
neste corpo,
de passagem, por este mundo.
Sou uma Alma
eterna
que precisa
de alimentos apropriados.
Do
que a Alma se alimenta?
Alimenta-se
da bondade,
das
belezas da arte,
das
perfeições,
das
dimensões infinitas.
É a Alma que pergunta: Quem sou.
E a Alma quer respostas absolutas.
É
a Alma que pergunta: Para onde vou?
Qual
o sentido da vida? Há vida depois da morte?
A Alma me convida
a ir mais além,
a conhecer o espírito,
a querer sair daqui
deste mundo apertado,
limitado.
A
Alma quer fazer experiências de liberdade,
voar
pelo infinito, viver para sempre.
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Eneas
Paulo Budel Bogucheski
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