a qualquer momento,
se não me arrebento,
coisa grande vai acontecer.
Será que estamos à porta?
ou à beira, do fim?
Ou de um novo grande evento?
Um recomeço?
Aqui, no tempo, a ‘coisa’ vai acabar.
Lá, na eternidade a ‘coisa’
está sempre a começar,
pois é sempre presente,
por ser eterna.
Essa inquietação
atrai e convida,
expõe e se impõe.
Não há como resistir.
Não é algo comum.
Não faz parte da rotina.
Escapa das nossas mãos e
visões.
O mundo invisível
esconde códigos e senhas
e estamos começando a decifrá-los.
De onde viemos?
As definições filosóficas e científicas
não esgotaram a intimidade,
o conteúdo e as promessas feitas
às criaturas humanas.
Pelo fato que somos
imagem e semelhança do Pai Criador,
essa é a parte misteriosa que falta decifrar.
Há ansiedade insatisfeita.
Há profundidade infinita
na natureza humana.
Devemos desistir?
Mas por que deixar como está?
Na escuridão? Ignorando a fonte da Luz
que nos faz enxergar lá do outro lado?
Queremos morar lá,
onde mora o Infinito.
Algo em nós impulsiona,
energiza e anima
o que temos de humano,
em direção a algo mais,
além deste mundo,
além do que vemos,
sentimos e percebemos.
Algo condiciona e impulsiona
nosso frágil ser a
expressar-se
mais do que podemos.
Algo nos anima
a querer e poder
mais do que somos.
Sentimos cócegas.
Precisamos nos coçar.
Numa hora queremos ser mais livres,
queremos voar, mas não conseguimos,
temos só dois pés. Não temos asas.
Noutra hora queremos transportar-nos
para o alto das montanhas,
sem dar os passos por entre as pedras.
Querendo ser mais
experimentamos as barreiras,
as cadeias, as cordas, as correntes,
as carências, as impotências,
e a paralisia.
Eis que ainda somos uma mistura de massas,
habitados por migalhas de infinito.
Queremos devolver-nos ao infinito
mesmo sendo massa pesada.
Sabemos que nossa alma
é leve e transparente.
Estamos na terra,
mas não somos terráqueos.
Se fossemos daqui
seriamos muito mais sossegados.
Mas tem coisa dentro de mim
que cutuca o bicho preguiça,
que desperta outro bicho,
escondido, atrás desta natureza humana,
projetada para novos horizontes,
novos espaços, novo jeito de ser,
ainda desconhecido.
Quando olhamos para o infinito,
percebemos que estamos curtindo
uma expectativa,
uma esperança,
que mais parece uma saudade,
ou uma estranha sensação
de que não somos daqui.
Existe uma ânsia,
uma vontade ou um sonho
que arde dentro de cada um de
nós,
pessoas humanas realmente,
e divinas potencialmente.
O que há de humano em nós,
contenta-nos ou nos humilha.
O que há de divino em nós
manifesta-se como sede
que não sacia.
Eneas Paulo Budel
Bogucheski
eneaspb@gmail.com 41 98854 5166
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Publicado pela 1 vez em 12/03/2014, sob n. 32.
Atualizado
de novo e republicado no BLOG e no FACE em 22/11/2025.

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