Toda ciência procura
eliminar erros
e encontrar soluções,
elaborar fórmulas,
divulgar teorias,
procurando certezas,
especializando-se
numa determinada
visão da realidade.
Todas as ciências
que surgiram até hoje
responderam
parcialmente
nossas perguntas.
Não temos ainda
uma ciência global,
única,
que atenda todas as
perguntas
e contentem todos os
povos.
Toda ciência olha
para fora,
mede, pesa, compara,
combina
e agrega com outros
elementos,
somam ou diminuem
e os resultados
lógicos aparecem.
Os fatos visíveis,
demonstráveis,
frutos de
experiências,
são registrados.
Diferente é o
resultado
com as ciências
humanas,
as ciências do
comportamento.
Cada nova ciência humana,
focando o
comportamento, as motivações,
o sistema do pensamento,
o espírito, a alma,
a consciência,
responde
ou vai respondendo
lentamente,
em fatias,
as perguntas e as
respostas
às questões vitais.
A complexidade do ser
humano,
ao ser estudada,
não alcança nenhum
limite.
O ser humano
é sempre mais do que
alcança,
do que conhece.
Sempre se descobre
como um ser incapaz
de ser esgotado
na sua capacidade de
apreensão,
compreensão,
conhecimento e possibilidades.
De todas as ciências
já inventadas,
de todos os campos já
explorados,
todos os livros e
teorias
já publicadas sobre o
ser humano,
parece-nos que tudo e
todas ficam em aberto,
devendo algum complemento final.
Ou então, todas as descobertas
e revelações
já foram feitas,
porém,
falta algum detalhe
de aprofundamento,
de profundidade ou
verticalidade
para finalizar.
Ou será que uma nova ciência
precisa ser criada,
uma ciência síntese,
que englobe todas numa só?
Percebemos que
as ciências exatas colaboram
para que respostas sejam dadas
no sentido de possibilitar a evolução
e a subida para níveis ou padrões
cada vez mais elevados
em termos de certezas
e melhorias de qualidade de vida.
Porém, quando se trata
do comportamento do ser humano
que envolvem a sensibilidade,
a verdade e a justiça,
a educação da moral,
ainda não alcançou o nível ideal
que todos esperamos.
O que é que não está funcionando
neste nosso mundo?
Teremos de criar uma nova ciência
ou avaliar e renovar
aquela que possibilite olhar o interior,
o lado de dentro das coisas,
o lado misterioso da vida
que ainda guarda segredos?
Quando eu tinha dez e onze anos,
em 1960 e 1961, exatamente,
meus pais
me colocaram interno
num colégio
de freiras,
em Rebouças, Paraná,
desejando e esperando
que eu tivesse
uma formação
para ser anjo,
ou um ser excepcional,
capaz de provocar inveja.
O que os pais
esperam dos seus filhos?
Esperam o melhor.
Possuem sonhos e ideais.
Porém, nada fazem,
porque não sabem ensinar
o que não são.
E delegam
esta responsabilidade,
este investimento,
para terceiros,
que também não são
mestres excepcionais,
e não possuem os mesmos ideais,
os mesmos sonhos que os pais.
Em dois anos apenas
não ganhamos,
não conquistamos,
não elaboramos um
padrão
de vida para o qual
deverei ser fiel a
vida toda.
Dos doze aos vinte e
um anos,
estive largado no
mundo,
frequentando
todas as escolas-livres
do meio ambiente
social,
próprios ou
impróprios
para a idade juvenil.
De repente, o choque:
“Ei, acorde”.
Meio acordado, meio
dormindo,
olhei e quem eu vi,
não correspondia;
não era o eu
que eu queria.
Tenho que ter um ídolo,
alguém que sirva de
modelo,
que me inspire e
desperte
quem devo ser,
de verdade,
aqui dentro.
Se na infância, ser
anjo
era o que havia
disponível,
agora, na juventude,
Francisco de Assis,
era o ídolo
que atraia.
Depois de tantas
estradas
e tantos caminhos
percorridos,
o que o mundo
e as ciências tem
disponibilizado
não oferecem sustento
e solidez
para nenhum dos
nossos filhos e netos.
O que me sobrou?
Ainda sobra a Esperança.
Eneas
Paulo Budel Bogucheski
Atualizado
em 15/01/2017
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