terça-feira, 17 de janeiro de 2017

376.- Escola. Frequentando as escolas da vida.




Toda ciência procura eliminar erros

e encontrar soluções,

elaborar fórmulas,

divulgar teorias,

procurando certezas,

especializando-se

numa determinada

visão da realidade.





Todas as ciências

que surgiram até hoje

responderam parcialmente

nossas perguntas.





Não temos ainda

uma ciência global,

única,

que atenda todas as perguntas

e contentem todos os povos.





Toda ciência olha para fora,

mede, pesa, compara, combina

e agrega com outros elementos,

somam ou diminuem

e os resultados lógicos aparecem.





Os fatos visíveis,

demonstráveis,

frutos de experiências,

são registrados.





Diferente é o resultado

com as ciências humanas,

as ciências do comportamento.





Cada nova ciência humana,

focando o comportamento, as motivações,

o sistema do pensamento, o espírito, a alma,

a consciência,

responde

ou vai respondendo lentamente,

em fatias,

as perguntas e as respostas

às questões vitais.





A complexidade do ser humano,

ao ser estudada,

não alcança nenhum limite.





O ser humano

é sempre mais do que alcança,

do que conhece.





Sempre se descobre

como um ser incapaz

de ser esgotado

na sua capacidade de apreensão,

compreensão, conhecimento e possibilidades.





De todas as ciências já inventadas,

de todos os campos já explorados,

todos os livros e teorias

já publicadas sobre o ser humano,

parece-nos que tudo e todas ficam em aberto, 
devendo algum complemento final.





Ou então, todas as descobertas e revelações

já foram feitas, porém,

falta algum detalhe de aprofundamento,

de profundidade ou verticalidade

para finalizar.





Ou será que uma nova ciência

precisa ser criada,

uma ciência síntese,

que englobe todas numa só?





Percebemos que

as ciências exatas colaboram

para que respostas sejam dadas

no sentido de possibilitar a evolução

e a subida para níveis ou padrões

cada vez mais elevados

em termos de certezas

e melhorias de qualidade de vida.





Porém, quando se trata

do comportamento do ser humano

que envolvem a sensibilidade,

a verdade e a justiça,

a educação da moral,

ainda não alcançou o nível ideal

que todos esperamos.





O que é que não está funcionando

neste nosso mundo?





Teremos de criar uma nova ciência

ou avaliar e renovar

aquela que possibilite olhar o interior,

o lado de dentro das coisas,

o lado misterioso da vida

que ainda guarda segredos?





Quando eu tinha dez e onze anos,

em 1960 e 1961, exatamente,

meus pais

me colocaram interno

num colégio

de freiras,

em Rebouças, Paraná,

desejando e esperando

que eu tivesse

uma formação

para ser anjo,

ou um ser excepcional,

capaz de provocar inveja.





O que os pais

esperam dos seus filhos?





Esperam o melhor.





Possuem sonhos e ideais.

Porém, nada fazem,

porque não sabem ensinar

o que não são.





E delegam

esta responsabilidade,

este investimento,

para terceiros,

que também não são

mestres excepcionais,

e não possuem os mesmos ideais,

os mesmos sonhos que os pais.





Em dois anos apenas

não ganhamos,

não conquistamos,

não elaboramos um padrão

de vida para o qual

deverei ser fiel a vida toda.





Dos doze aos vinte e um anos,

estive largado no mundo,

frequentando

todas as escolas-livres

do meio ambiente social,

próprios ou impróprios

para a idade juvenil.





De repente, o choque:



“Ei, acorde”.





Meio acordado, meio dormindo,

olhei e quem eu vi,

não correspondia;

não era o eu

que eu queria.





Tenho que ter um ídolo,

alguém que sirva de modelo,

que me inspire e desperte

quem devo ser,

de verdade,

aqui dentro.





Se na infância, ser anjo

era o que havia disponível,

agora, na juventude,

Francisco de Assis,

era o ídolo

que atraia.





Depois de tantas estradas

e tantos caminhos

percorridos,

o que o mundo

e as ciências tem disponibilizado

não oferecem sustento e solidez

para nenhum dos nossos filhos e netos.





O que me sobrou?





Ainda sobra a Esperança.







Eneas Paulo Budel Bogucheski
Atualizado em 15/01/2017


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