domingo, 7 de julho de 2019

644.- Espírito. Dilatando os horizontes da materialidade



Vivenciar
a dimensão do espírito
é dilatar
o horizonte
de materialidade
ao infinito.

1 - Este texto ainda será trabalhado criticamente, com a finalidade de ser constantemente atualizado. Juntei diversas anotações que fiz em diversas etapas da minha vida na esperança de que um dia seja objeto de estudo, diálogo e aperfeiçoamentos.

Tenho a convicção de que faremos coisas extraordinárias investindo na pesquisa sobre o domínio do espírito, que é um extraordinário potencial que existe dentro de nós. 

É correto, sábio e prudente compararmos o que é perfeito com o que é ou manifesta-se imperfeitamente.

Queremos neste espaço, estudar, comentar e refletir sobre o corpo e o espírito.

Queremos dar a devida importância para este assunto. Procuro oferecer pistas para reflexões. Leia e avalie. Veja o que te serve e te esclarece, ou procure pesquisar nos meios disponíveis, ou entre em contato comigo para procurarmos juntos o que nos falta.

2 - Quando estudamos a vida do Jesus Cristo, percebemos nele duas naturezas: a natureza humana, do Jesus, filho do José e da Maria, e a natureza divina, o Cristo, filho do Deus Eterno, Criador de todos os universos e de cada criatura ou elemento conhecido e ainda, os invisíveis e desconhecidos.

A Bíblia e o Jesus Cristo nos Evangelhos revelam que nós fomos feitos à imagem e semelhança com o Jesus humano e o Cristo, divino.

Então, cada um carrega dois nomes, Eneas Cristo, Gianna Cristo, Regina Cristo, Ivo Cristo, Arthur Cristo, Adriana Cristo, Francisco Cristo, Bruna Cristo, Fabiano Cristo, Ana Clara Cristo, Gael Cristo, Vilma Cristo, Ronaldo Cristo...

Meu nome, o primeiro nome que corresponde à minha natureza humana tenho experimentado, sentido e vivido dentro de limites.

Meu segundo nome que corresponde à minha natureza divina, experimento quando alimento meu espírito, a espiritualidade e sinto que existem aberturas, infinitas e eternas.  

3 - As ciências perceberam uma lei no caminho da humanidade, a lei da evolução, que leva ao desenvolvimento constante da natureza humana.

O Cristianismo coloca a questão da conversão contínua para o aperfeiçoamento espiritual.

4 - A partir dos pressupostos acima, montamos um texto com a finalidade de nos colocar diante de um espelho para nos conhecermos um pouco mais sobre estas duas naturezas.

5 - Este texto, como todos os outros já publicados no Blog Heipo’s World receberão ajustes, atualizações, até que possamos dizer que a escultura esteja finalizada, como obra de arte.

Quando reconhecemos
que somos mais
do que os limites
do nosso corpo
queremos afirmar
que não cabemos
dentro do nosso corpo.
Somos mais
do que os limites
que experimentamos.
Não somos só físicos,
materiais.
É o espírito
que nos habita
que testemunha
esta certeza.

Carregamos em nosso corpo,
um espírito preso,
limitado.

É ansioso,
por aprender a voar livremente,
a andar sobre as águas,
e curar todo tipo de doenças,
e superar limitações
de qualquer espécie
ou natureza.

Somos dois ou somos um, 
num corpo material, pesado?

Que experiência fazemos?

O que sentimos?

Nós nos sentimos
uma única realidade,
porém, nem sempre pacífica.

Sabemos por experiência
como é sentir-se simultaneamente,
matéria e espírito.

Nosso corpo é perfeito,
no seu funcionamento.
Muitos órgãos, diferentes órgãos,
diferentes funções,
porém, tudo unido,
em perfeita harmonia e sintonia.
Quando a doença chega,
acontecem desequilíbrios
que afetam, inclusive, o humor,
base psicológica das motivações.  

O corporal em nós
sujeita-se às dores e limitações.

Nosso corpo é a gaiola,
e o passarinho, é o espírito alado,
prisioneiro, limitado.

Nossa experiência como corpo
acontece quando sentimos dor, peso,
fome, sede, frio, calor, falta de ar,
suor e cansaço.

Na cabeça,
ou na mente e na consciência,
experimentamos mais o espírito,
imaterial.

O espírito é pleno,
completo.

Revela mais perfeições
do que a complexidade do corpo.

O espírito se auto avalia, se corrige,
escolhe, define e abre seus caminhos.

Nada falta
ao espírito.

Ele é imaterial.

Está em cada um de nós.

Faz parte
da nossa desconhecida
e desvalorizada natureza.

O espírito
é a nossa riqueza,
nossa fortuna,
meio sobrenatural
a ser usado na natureza natural.

É o espírito
que cultiva a esperança,
que sustenta e aguenta a barra
nos momentos difíceis
e que se lança para além
 das experiências limitantes
ou frustrantes.

Quando sentimos o vazio,
a falta de sentido, a falta de fé,
fazemos a experiência do espírito enjaulado,
incapaz de achar uma resposta de bem-estar.
 Assim, fazemos a experiência
da falta de plenitude,
nessa unidade,
imperfeita,
ainda.

As experiências do espírito
são sensações que nos fazem sentir
alegria, paz, longanimidade, benignidade,
bondade, fidelidade, mansidão, autodomínio
e amor por tudo e por todos.

Afirmar que sabemos
o que é a experiência do espírito
é muito delicado e arriscado,
mas nos atrevemos
a relatar nossas experiências.

Convém fazer aliança com o espírito,
com aquilo que é espiritual em cada um de nós,
pois é esta parte que vai continuar vivendo
depois que a materialidade que nos compõem,
 vire pó.

Raramente fazemos
a experiência de plenitude,
total satisfação e completude.

Ao experimentar as limitações,
nos tornaríamos pessimistas 
se não fosse o espírito que nos habita.

Quando o espírito é fraco
cedemos e desistimos facilmente de lutar,
e buscar, sempre de novo,
a paz, a unidade.

O espírito
é a ferramenta mais poderosa que existe.
O desafio é aprender a operá-lo.

Nossa incompetência humana
consiste em manter aprisionada
uma força sobre-humana
nas grades
do nosso corpo.

Quando falo “eu sou, eu sei, eu posso”
é o espírito que está
dizendo.

É o espírito
que tem a capacidade de criar,
de sugerir, de intuir soluções
ainda não possíveis.

O espírito
é a dimensão profunda e essencial
que habita em cada pessoa humana
e que nos impulsiona,
gera energias e motivações
para a superação constante
da nossa materialidade limitante.

Em cada um de nós habita um espírito
que nos anima. É a vida que nos habita.

O espírito
que se manifesta em nós
está sempre relacionado
com a criatividade,
libertação da ignorância,
do medo, dos traumas,
das incompetências
e dos limites.

O corpo é completo,
perfeita usina de processamento,
mas também é ainda incompleto,
imperfeito, fraco,
material,
sujeito à deterioração,
velhice, doenças e morte,
e mesmo assim,
o espírito aceita e ajusta-se;
aceita fazer parceria
com esta carga material
que carregamos e somos.

Porque somos corpo e espírito,
somos ou experimentamos a divisão.

Porque somos espírito e corpo,
somos e experimentamos a possível unidade,
a desejável harmonia pacificadora.

Porque somos corpo,
somos lentos e pesados,
subordinados à lei da gravidade.

Porque somos espirituais,
pelo espírito,
sabemos o que sabemos,
e expressamos o que esperamos,
o que queremos e o que sentimos.

O corpo é meio cego,
instintivo, mecânico.

O espírito que nos habita,
revela autonomia,
maturidade,
discernimento,
clareza de visão,
serenidade.

É o espírito
que proporciona a intuição
de que o que é invisível e essencial
 também é, real.

O espírito conta com a intuição,
a consciência, o poder de decisão.

Jesus Cristo caminhou sobre as águas
porque seu espírito era superior
e comandava o seu corpo.

A fé não pesa,
e é subordinada ao espírito:
é altruísta, ferramenta espiritual.

Porque temos corpo,
 temos medo da morte,
porque é o corpo que morre.

Temos medo da morte
porque nos apegamos mais ou corpo
do que ao espiritual
que nos habita.

O medo da morte revela
a distância que ainda existe
entre as convicções e domínio do espírito
e o padrão de pensamento corporal, materializado.

O corpo
não aceita morrer,
o que é inevitável,
e resiste, sofre, perde e, morre.
O espírito
 aceita a morte
porque sabe que para ele,
a morte não o abraça.

O corpo influencia,
positiva ou negativamente,
 a atividade do espírito.

Um espírito pode ser fortalecido
pelas enfermidades do corpo.
Um espírito pode ser enfraquecido
quando não aceita as doenças do corpo.  

O espírito influencia,
positiva ou negativamente
a atividade do corpo.

A desconfiança, a insegurança,
a descrença,
pesam mais que chumbo e pedras,
pois que são filhas do corpo,
do cuidado em manter-se vivo:
o corpo é egoísta,
quando não está ajustado ao espírito.

O corpo está mais para a mente,
para matemática, para a lógica,
para o fatalismo, e o fim.

O espírito está para o coração,
para a criação,
a poesia,
a esperança.

O corpo educado,
é altruísta,
colabora com o espírito,
e se beneficia das suas propriedades.

Porque somos corpo,
nos submetemos às exigências da materialidade,
do consumo, dos apegos, dos vícios,
da ganância, dos instintos da carne.

O corpo, fenece, falece, virá pó.
O espírito até sofre, mas permanece,
já é eterno.  

As características do corpo ocorrem
pela preferência nas repetições,
pela rotina, acomodação e conforto.

As características do espírito
estão na criatividade,
originalidade,
novidade,
atenção direcionada para a perfeição,
pela arte.

Porque somos corpo,
temos necessidades de roupas,
comidas, casa e conforto.

As exigências do corpo
são atendidas
pelas necessidades básicas
da sobrevivência, do prazer e do ego.

O corpo não quer sofrer.
O corpo não quer passar frio nem fome.
O corpo não quer morrer.

Porque somos espírito,
sentimos dificuldades
em administrar este processo,
esta dinâmica defensiva e egocêntrica
do corpo.

As exigências do espírito
também não são fáceis de serem atendidas.

Exige esforço,
treinamento, educação,
perseverança,
formação de bons hábitos,
renúncias e escolhas.

As necessidades do espírito
exigem empenho.
Não acontecem naturalmente.

Como somos corpo e espírito,
temos necessidades de aprender,
de buscar o conhecimento e a experiência.

Alcançaremos a sabedoria
pela supremacia do espírito
na administração
das necessidades corporais.

Ser sábio
é um objetivo superior,
espiritual.

Esse ideal se realizará
quando houver a harmonia pacífica
entre o corpo e espírito.

Esta harmonia existirá
quando o espírito se impuser
como líder coordenador,
submetendo sob seu comando
as exigências cegas do corpo.

Assim como nos experimentamos corporalmente
e sentimos limitações,
também sentimos limitações
ao fazermos a experiência do nosso espírito. 

Nosso espírito
se submete às exigências do corpo,
ao mesmo tempo,
o espiritual se impõe
e até supera
as necessidades corporais,
com motivações espirituais.

Se fôssemos preferencialmente espirituais,
teríamos a experiência da unidade
(quase) perfeita,
e as limitações
seriam em menor número
e menor a escala de dificuldades.

As virtudes da pobreza,
da humildade, da verdade,
da sinceridade, da simplicidade,
pertencem ao espírito
que mora no corpo.

O espírito sabe impor regras ao corpo.
O corpo não aceita muito facilmente
as imposições do espírito.

Parece que são opostos.

As falhas,
as imperfeições,
 os defeitos,
pertencem ao corpo material
ou a ele estão subordinados
ou decorrentes ou consequentes.

O corpo envelhece,
enfraquece e influencia o espírito.

Por outro lado,
o corpo velho,
com um espírito jovem,
renovado,
rejuvenesce
e mantém-se sempre ativo.

O corpo
quer aparecer e ser elogiado
ou conhecido e amado.

Perceba como, no dia a dia,
 nos preocupamos com o corpo,
com a aparência.

Perceba também como são poucas as pessoas
preocupadas com o aperfeiçoamento
das exigências e das qualidades
do espírito.

O corpo deixa-se alimentar pelo ego,
e quer ter posses e poder.

O corpo,
por ser fraco,
deixa-se domar pelo egoísmo,
pelas ambições,
pelas potencialidades
subordinadas à fraqueza
de força de vontade,
pela preguiça,
acomodações, atrofias,
cansaços e rotinas.

O espírito avalia tudo.

Aceita as limitações
como elementos constitutivos
da natureza.

Como somos corpo e espírito,
é muito mais fácil
buscar a harmonia
pelo desenvolvimento e domínio do espírito,
do que iludir-se no investimento do corpo, 
permitindo-lhe o comando.

Quando isso acontece,
vêm os desequilíbrios
de todos os tipos e tamanhos.

O espírito,
como entidade,
não precisa de nada:
ele é completo.
É simples.
Isso é tudo, e basta.

Se conseguirmos adquirir,
assimilar, pesquisar,
aperfeiçoar a ciência do espírito,
a história mudará de rumo, rapidamente.

O caminho lógico a percorrer
é buscar em primeiro lugar
a primazia ou o comando do espírito
sobre o corpo material,
pois é mais lógico
o superior em potencialidades
comandar o inferior em capacidades.

É com princípios superiores
que se governam reinos e condições inferiores.

É o espírito
que tem o poder
de realizar milagres;
o corpo,
a de recebê-los e beneficiar-se.

Prestando um pouco de atenção,
conseguimos observar
as manifestações do corpo e do espírito.

Vemos o corpo.
Não vemos o que anima este corpo.

O que faz o corpo mover-se
é o movimento,
é a energia
produzida pela circulação do sangue,
pelas batidas do coração.

Sabemos que o corpo existe
porque o vemos.

Vemos o homem
e cada um de nós mover-se,
gesticular, falar, expor ideias e ideais,
entusiasmar-se, alegrar-se, entristecer-se,
demonstrar carinho, ternura, amor, e,
às vezes, a raiva, contida ou extravasada.  

Aqui já há algo mais
que o animal.

O que faz o ser humano
expressar-se como pessoa humana,
não mais como um simples animal,
é a capacidade espiritual.

É a pessoa humana
capacitada com o espírito.

Dizemos que a pessoa humana
é um corpo que se move.

        Move-se porque o coração bate,
o pulmão recebe oxigênio,
o sangue corre por todas as vias internas
e mantém o corpo vivo.

        Se o corpo
visto como máquina
cessa de mover-se,
dizemos que aquele corpo morreu.

Mas dizemos também
que a pessoa humana
é espiritual.

Além de ser corpo,
é um corpo espiritualizado.

        Dos dois,
do corpo e do espírito,
vemos só o corpo.

        Não vemos o espírito.

        Vemos as manifestações
do espírito.

         Vemos a unidade,
a integridade,
destes dois,
em um.

Quando é que podemos dizer
que a pessoa humana
está manifestando
a sua espiritualidade?

Prestai atenção
quando o teu corpo exige algo de você,
para onde ele te leva?
Quais as consequências?
- Acomodação. Prazer. Conforto.

Prestai atenção
quando o espírito que te habita
exige algo de você,
para onde ele te leva?
Quais as consequências?
Dinamismo, conversão, evolução.

O maior esforço do espírito
é criar o ambiente de unidade
que já existe no corpo.

Quando o espírito
cria as condições de unidade,
a paz e a harmonia,
a jovialidade,
o bom humor e o amor,
convivem em plenitude nessa pessoa
e
o ideal da fraternidade universal
se faz presente
e
o sonho da eternidade
se faz visível.

É do espírito
que nos vem capacidades especiais.

É do espírito que surgem aberturas,
possibilidades de esperanças,
além da morte.

Se aceitamos a definição
de que o nosso Deus é Espírito,
o espírito que nos habita
é o filho
que não aceita permanecer órfão,
e quer liberdade,
e voltar para casa.


Eneas Paulo Budel Bogucheski
Atualizado em 07/07/2019

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