Não estamos neste mundo
para sonhar
ou fugir,
refugiar-se
nas ilusões
vivendo em outro mundo,
virtual, de sons, imagens e palavras.
É para a realidade,
que nos confronta,
que devemos explicações,
tomadas de decisões,
e agir,
como adultos responsáveis.
Diante da realidade,
podemos reagir
- com apatia ou indiferença,
como a avestruz,
enfiando a cabeça
dentro de uma caixa de areia.
- como ponto de partida para reflexão
e exame de consciência,
como convém ao ser humano,
avaliando e discernindo;
- com ações, respondendo.
A realidade
tem a função
de despertar-nos
da sonolência,
e avisar,
sobre as armadilhas,
das ilusões virtuais,
que a tecnologia
e a cultura atual
está disponibilizando.
Corremos o risco
de viver só no mundo virtual,
e não encontrar lá na frente,
os frutos das sementes não plantadas.
Realidades são coisas existentes,
fora da mente humana.
Quando nominamos
ou definimos alguma coisa,
estamos nos afastando da realidade,
criando ou entrando
num outro mundo virtual,
irreal,
sem exigências,
sem compromissos
e necessidades de respostas práticas.
A realidade
confronta-nos,
alerta-nos, chama a
atenção.
A realidade,
chega na sua frente
e te diz: ‘desça daí,
deste mundo irreal’.
E você, meio
sonolento,
resiste, como no
sonho,
não querendo acordar.
A realidade é
exigente.
Exige respostas.
Ações.
A realidade é o chão,
os compromissos,
a fidelidade aos
deveres,
a honestidade consigo
mesmo,
a escolha da verdade
a sólida base
de qualquer
empreendimento,
a opção pela justiça,
como regra de vida,
e o amor como o
tempero
dos relacionamentos
humanos.
II
O meio de comunicação
através dos sonos,
das imagens,
da fala e da escrita
conduzem-nos,
quase sempre
às esferas da cabeça,
do pensar,
e do imaginar,
virtual.
A comunicação
através do olhar
origina-se do
concreto,
da realidade
existencial,
da testa enrugada,
preocupada,
do olhar triste,
calado,
do corpo encurvado,
pesado.
E dentro de nós,
o olhar da realidade,
acorda a consciência.
A consciência
sensível,
formada,
reage com intenções,
avaliações,
discernimento,
decisões, e depois,
com ações.
Corremos o risco
de permanecer o dia inteiro
sem ter feito nada,
apenas sentado,
vendo, falando
e ouvindo,
e imaginando
que estamos vivendo.
Eneas Paulo Budel
Bogucheski
Atualizado em 26/07/2019

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